Ministério dos Negócios Estrangeiros

Eu não sou baby-sitter, sou nanny

Filipa Almeida criou a empresa sozinha
Filipa Almeida criou a empresa sozinha

Filipa Almeida não é médica, mas só desliga o telemóvel quando não tem bateria. “Sou unipessoal. Estou no supermercado, em casa, aqui ou ali, estou disponível 24 horas por dia, 365 dias por ano. Os pais podem precisar de mim a qualquer hora e meu telemóvel tem de estar ligado”, explica a licenciada em Marketing de Moda.

A gravidez de risco da filha Chiara (4 anos) deu-lhe tempo para pensar numa alternativa aos avós comuns, que ficam com os netos sempre que é preciso. “Os meus pais vivem no Brasil, os meus sogros estão sempre a viajar. E eu não tinha com quem deixar a minha filha.” Sempre que perguntava a alguém, falavam–lhe em empregadas domésticas. Mas Filipa não queria que Chiara partilhasse a atenção com um ferro de engomar ou aspirador. Começou a contactar agências de nannies inglesas e norte-americanas (Filipa estudou em Inglaterra e nos EUA) para contratar uma pessoa que pudesse dar toda a atenção ao bebé quando voltasse ao trabalho numa loja de sapatos de luxo, em plena Avenida da Liberdade.

“Porque não criar uma empresa de nannies em Portugal?”

Filipa Almeida, 37 anos, não duvidou da ideia, mas foi confrontada com críticas. “Diziam-me: ‘Essa coisa de nannies é para a Angelina Jolie, que anda sempre com os miúdos de um lado para o outro'”, conta. Só que, contra as expectativas, no dia em que lançou o site da Nanny Agency Portugal, em 2007, recebeu cinco chamadas de clientes a precisarem dos serviços da empresa. “Ainda estava a fazer entrevistas”, confessa.

Cerca de 85% dos clientes são estrangeiros que, algumas vezes, já serviram de passaporte para fora do país: Filipa tem nannies da empresa a trabalhar em Los Angeles, Singapura e na Noruega.

Mas uma nanny não é uma pessoa que costuma tratar dos irmãos mais novos e dos primos pequenos. “Não são empregadas domésticas, mas na Segurança Social não têm categoria. Essa é a minha luta e vai continuar a ser.” Curso superior, registo criminal, formação em primeiros socorros e conhecimentos de nutrição e línguas são essenciais para pertencer ao grupo de nannies que compõem a equipa da empresa, actualmente com 22 pessoas. “Não pensei nisto como uma ideia óptima que desse muito dinheiro, mas como uma alternativa para pessoas como eu, que precisavam de alguém para tratar dos filhos.”

Para segundo plano passou a loja de sapatos de luxo, um negócio que já se ressentia com a crise e que Filipa não queria continuar. “Não sou nada de ficar a ver as coisas acabar. Tenho uma cabeça para negócios, sempre com mil ideias.”

Uma das primeiras contratações da empresa foi a nanny de Chiara, Maria João. Os resultados estão à vista: a filha de Filipa fala português e inglês e está mais desenvolvida do que crianças da mesma idade.

As 22 nannies da agência asseguram vários serviços: as que trabalham em part-time vão buscar as crianças à escola, ajudam-nas nos trabalhos de casa, acompanham-nas às actividades extracurriculares, tratam dos banhos e preparam os jantares, e as nannies internas, que ficam responsáveis pelas crianças, são as que mais ganham: 1500 euros por mês.

Mas há excepções: logo depois do lançamento do site, Filipa foi contactada pelo Hotel Ritz para uma parceria. “A 28 de Dezembro, ligaram-me aflitos a perguntar se podia ter nannies na passagem de ano. Estava no Brasil, a passar a época de Natal. Lembro-me de pensar: não tenho ninguém, não arranjo ninguém. Vou eu. Mas não foi preciso. Consegui um grupo para fazer o trabalho. Muito bem pago, aliás, porque elas estavam a abdicar do fim de ano delas.”

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