Reportagem

EUA. Português leva porco preto e monopoliza produção de presunto pata negra

Chineses são os maiores investidores no setor imobiliário norte-americano

O porco preto alentejano chegou há sete anos aos EUA pela mão de Rodrigo Duarte, que hoje é o único produtor norte-americano de presunto pata negra

“Amigos e até família disseram-me que era um erro, que nunca iria resultar. Mas não era só ambição. Além do amor que tenho por esta arte, sabia que havia mercado para este produto”, disse o empresário de 36 anos à Lusa. A importação de enchidos e presuntos é proibida nos EUA e há várias décadas que os imigrantes portugueses produzem estes produtos para satisfazer as necessidades da comunidade.

Fotografia: Joao Girão/Lusa

Fotografia: Joao Girão/Lusa

“Quando cá cheguei, percebi que se tinha tornado tudo muito industrializado, muito preocupado com a produção em massa e que se tinha perdido a forma original de fazer as coisas”, disse Duarte.

O empresário diz que começou a “Caseiro e Bom” em 2006, na cidade de Newark, em Nova Jérsia, para “fazer diferente, recuperar a forma tradicional e artesanal de produzir enchidos portugueses.” Original de Cantanhede, Duarte nasceu no seio de uma família humilde, com 9 irmãos, e começou a trabalhar num talho aos 12 anos para ajudar a família. Anos mais tarde, estudou na Escola de Hotelaria de Lisboa e, aos 23 anos, decidiu imigrar para os EUA.

A importação de enchidos e presuntos é proibida nos EUA e há várias décadas que os emigrantes portugueses produzem estes produtos para satisfazer as necessidades da comunidade.

 

Começou a trabalhar nos Seabra’s, uma cadeia de supermercados portugueses, e pouco tempo depois já era responsável pelo departamento de carnes do supermercado Kings de Short Hills. Quando abriu a “Caseiro e Bom”, contava apenas com a ajuda da mulher, algumas receitas e uma grande paixão pela indústria. “Seguiram-se muitos anos de trabalho, muitas noites sem dormir. Viajei por todo o país a falar com pessoas antigas, aprender os seus truques. Fui a Trás-Os-Montes, Minho, Alentejo, Ribatejo, Lisboa, a Espanha”, lembra.

Alheiras, chouriços, torresmos e salpicão

Hoje, produz mais de 150 produtos, incluindo diversos tipos de alheiras, chouriços, torresmos e salpicão, e tem cerca de 15 funcionários. Numa semana normal, consome 30 porcos e produz 1.400 quilos de enchidos. Nas semanas que antecedem o Natal, o número aproxima-se dos 4.500 quilos.

No ano passado, vendeu cerca de 7 mil presuntos. Cerca de 300 deles eram presuntos pata negra, que são vendidos a mais de 2 mil euros cada um.

alheiras

“Trouxe o sémen em 2008 e inseminei porcas de cá. Os animais são 80 por cento porco preto, o que é suficiente para ter a classificação de pata negra [que exige 50 por cento]”, explicou Duarte. O empresário cria os animais segundo a técnica alentejana, ao ar livre e alimentando sem uso de ração, apenas bolota, castanha e verduras, alguns dos produtos importados de Portugal. Neste momento, finaliza a legalização para trazer oito exemplares vivos de porco preto para o país.

O processo deve estar terminado no início do ano e Duarte espera aumentar a produção dos produtos com carne de porco preto, com animais 100 por cento puros. “É uma carne maravilhosa e já faço muitos produtos com ela, além dos presuntos. Há muita procura”, garante.

Trouxe o sémen em 2008 e inseminei porcas de cá. Os animais são 80 por cento porco preto, o que é suficiente para ter a classificação de pata negra [que exige 50 por cento]”, explicou Duarte.

Neste momento, Duarte tem autorização para vender no estado de Nova Jérsia. Alguns dos clientes viajam desde Nova Iorque, Pensilvânia, Connecticut e até Massachusetts apenas para comprar os seus enchidos. “Também estou a tratar da licença federal para poder vender em todos os estados, o que fará muita diferença. Os meus produtos vão chegar a todo o país”, garante.

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