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Fábrica de sapatos Centenário investe 1,2 milhões para duplicar unidade de Azeméis

Centenário produz sapatos desde 1941.
Centenário produz sapatos desde 1941.

A fábrica de calçado Centenário, que em Oliveira de Azeméis trabalha com peles de tubarão, raia, crocodilo, avestruz, pirarucu e outras espécies exóticas, vai investir 1,2 milhões de euros para ampliar para mais do dobro as suas instalações.

Instalada na freguesia de Cucujães, a unidade ocupa atualmente 2.500 metros quadrados e passará a contar com mais 3.070, o que aumentará a produção média diária de 600 para 750 pares de sapatos, anunciou à agência Lusa o sócio-gerente da empresa, Domingos Ferreira.

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Temos hoje na empresa 73 trabalhadores, que trabalham um pouco apertados“, afirma o empresário. “Quando decidimos alargar a fábrica o nosso objetivo não era produzir mais, mas a realidade é que, só pelo facto de os funcionários passarem a ter mais espaço para circular e trabalhar, o novo pavilhão deve conduzir a um aumento de 15% na produção“, admite o empresário.

A empreitada terá início durante o verão e prevê-se concluída no final do ano, após o que as atuais áreas de montagem e acabamento serão deslocadas para o novo recinto. Ao longo de 2016, esse obrigará depois ao recrutamento de “cinco a 10 novos trabalhadores, logo na primeira fase”.

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A produção da Centenário continuará a ser absorvida pelo mercado externo e a demonstrar a mesma tendência de 2014, quando 99% dos 140.000 pares aí fabricados foram encaminhados para exportação.

Finlândia, Estados Unidos, Dubai, China, Áustria, Alemanha, Luxemburgo e França são os principais destinos desses sapatos, clássicos ou desportivos, em marca própria ou private label.

Se a generalidade do calçado concebido na empresa fundada em 1941 chega ao consumidor final a preços na ordem dos 800 ou 900 euros, os sapatos em peles mais raras podem, contudo, custar 8.000, como acontece com os confecionados com crocodilo do Mississípi.

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“São casos raros, porque os distribuidores só pedem um par sob encomenda expressa do cliente”, reconhece Domingos Ferreira. “Mas, no global, o calçado que fazemos é sempre para preços elevados devido à escassez das peles, quase todas importadas e de tamanho reduzido, o que dificulta o aproveitamento das áreas úteis”, explica Domingos Ferreira.

Na fatura a apresentar pela Centenário influem ainda os sistemas de montagem aplicados no calçado da casa, já que à metodologia Blake a empresa também acrescenta o formato mais complexo da construção Goodyear.

“Esse sistema permite o perfeito ajuste do pé ao calçado, para maior conforto, melhor isolamento e amortecimento, mais força e durabilidade”, elucida o empresário. “É uma técnica mais cara, mas temos clientes que nos contactam especificamente por causa deste tipo de montagem”, assegura.

Já da iniciativa da própria empresa partiu a sua produção de calçado de golfe, que Domingos Ferreira percebeu ser um negócio com potencial. Outra inovação recente consiste na produção de calçado com mensagens personalizadas na sola, mediante impressão a laser em diferentes idiomas, e a criação de sapatos adaptados à fisionomia podológica do cliente, com base num scan aos seus pés em 3D a 360 graus.

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