Fado e pastel de nata são receita para hotel

Osvaldo Alves, do Pastel do Fado
Osvaldo Alves, do Pastel do Fado

No Largo do Limoeiro, mesmo ao lado da linha do elétrico 28, a caminho do Castelo de São Jorge, em Lisboa, silêncio que se canta o fado. Logo pela manhã.

O conceito um pastel e um fadinho, do Pastel do Fado, tem-se mostrado irresistível para os milhares de city breakers que, diariamente, sobem a colina a caminho do Castelo. Desde fins de abril, 400 turistas por dia cruzaram as portas do Pastel do Fado.

Leia ainda: A cerveja feita em casa. Para já

A ideia para o novo espaço de fado alfacinha partiu de uma simples constatação. “Quem chega a Lisboa sabe que há um bolo chamado pastel de nata e que o fado é a canção da cidade. São os dois conceitos com maior notoriedade em Lisboa nos últimos cinco anos e acreditamos que só vão crescer”, diz Osvaldo Alves, dono do espaço de 200 m2.

O Pastel do Fado assenta também numa outra perceção: “Não há no mercado turístico um ambiente facilitador do acesso das pessoas ao fado.” Na maioria dos espaços só se canta à noite e, lembra Osvaldo Alves, uma ida ao fado “custa em média 60 euros”. No Pastel do Fado “o nosso produto mais barato custa 1 euro”. Há assim um “acesso descomprometido à canção”.

Quem visita Lisboa tem sido seduzido pela ideia de a cada 30 minutos ter um fadista – das 10h30 às 22h30 – a cantar e, já agora, um pastel de nata, de bacalhau ou gelado, servidos num espaço com 100 lugares sentados. Com pouco mais de um mês de atividade, a equipa tem crescido. Começaram com três fadistas e, neste momento, já são sete, artistas escolhidos e sob a coordenação de Filipa Carvalho, que fez o agenciamento.

Grande parte do sucesso deve-se ao mantra imobiliário: localização, localização, localização. O facto de se situar numa das rotas mais turísticas de Lisboa, que consta praticamente de todos os guias turísticos da cidade, reduziu a necessidade de divulgar o espaço a um mínimo. “A verdade é que a promoção que melhor tem resultado é as pessoas ouvirem o fado. Param na rua e entram”, conta Osvaldo Alves. São sobretudo estrangeiros: 98%. “Na sua maioria franceses que, mesmo quando residem Lisboa, fixam-se na zona do Castelo.”

Leia também: A loja dos piaçabas que subiram na vida

O público alvo tem sido particularmente os city breakers, turistas que fazem escapadinhas e que, em média, passam 2,7 dias numa cidade. E Lisboa está, cada vez mais, na rota dos city breakers – e não só.

Os números mais recentes do Observatório do Turismo de Lisboa só vão até fevereiro mas são um bom indicador. Nos dois primeiros meses do ano, o número de hóspedes em hotéis subiu 9,9%, para 508 978 mil. As dormidas aumentaram 10,6%, para 1 066 311, e as receitas 4,2%, gerando mais de 57,8 milhões de euros. Em termos de visitantes estrangeiros, os espanhóis dominam em volume (89 200, mais 12,5%), mas as maiores subidas tiveram origem no Reino Unido (+33%, para 55 200) e França (+23,2%, para 74 400).

Mais relevante, um estudo realizado pela PricewaterhouseCoopers (PwC), prevê que Lisboa lidere os crescimentos das cidades europeias em termos de ocupação: mais 1,1% este ano e 2,7% em 2015. Fruto das novas ligações aéreas entre Lisboa e outras capitais europeias, combinado com o buzz positivo que a cidade está a ter no mercado externo.

Boas notícias para o Pastel do Fado que tem aqui a sua principal clientela. “Mas quisemos fazer este grande investimento também para que fado chegue também ao público português”, afirma Osvaldo Alves, lembrando que os preços praticados nas casas de fado não estão ao alcance de todos. Mas se a razão até pode ter um fundo emocional, há também um racional de negócio: o cliente estrangeiro fica uma hora no Pastel do Fado, enquanto os portugueses quase triplicam o tempo de permanência.

E ainda: Love In: Cada viagem romântica pode ser uma produção fotográfica

Advogado de formação, Osvaldo Alves (40 anos) entrou no mundo imobiliário em 1998. Primeiro prestando assessoria legal, depois com participações em sociedades imobiliárias. Com a crise e o impacto no sector, o promotor decidiu “reconverter o negócio para área de hotelaria”. Foi em 2012. E daí surgiram as duas Student Housing Lisbon – residências exclusivamente para estudantes universitários, ocupadas em 85% a 90% por estudantes de Erasmus -, detidas através da HF Hotels do Pastel do Fado. A sociedade hoteleira é controlada por Osvaldo Alves e a mulher e foi através dela que foi feito o investimento de 450 mil euros na reconversão do espaço. Se as previsões anuais de faturação se concretizarem, a aposta terá um rápido retorno. Osvaldo Alves conta que o Pastel do Fado gere um volume de negócios anual de 800 mil euros.

Talvez por isso, há planos para duplicar o espaço “até 2015”. Planos de expansão de negócio que este autodenominado “amante amador do fado” não quer que fiquem por aqui. Incentivado pelo estatuto do Fado Património Imaterial da Humanidade, no próximo ano Osvaldo Alves quer lançar um projeto de “hotelaria temática”: o Hotel do Fado.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
VALORES Arrábida Shopping[192606]

Valores. Empresa de comércio de ouro quer ter 230 lojas em 2021

Mário Centeno 
(EPA-EFE/PATRICIA DE MELO MOREIRA / EU COUNCIL HANDOUT  HANDOUT)

Centeno quer acordo europeu antes do verão

covid 19 portugal casos coronavirus DGS

1316 mortos e 30 623 casos de covid-19 em Portugal

Fado e pastel de nata são receita para hotel