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Farfetch. It’s a billion dollar Portuguese company, baby!

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É a mais recente empresa no ranking do The Wall Street Journal e é portuguesa: faz crescer Saint Laurent e Valentino a partir de Leça do Balio.

Os ecrãs não param. Números e mais números a aumentar durante todo o dia, em vários plasmas espalhados pela enorme sala de trabalho da Farfetch, em Leça do Balio. Os números não refletem mais do que vendas: milhares de euros, libras e dólares, em vestidos, sapatos, carteiras, saias e blusas de marcas como Saint Laurent, Valentino, Dolce & Gabbana ou Givenchy, as mais vendidas pela empresa em mercados como os Estados Unidos, Reino Unido, Brasil e Austrália, China, Japão, Coreia e Alemanha.

A Farfetch vende moda de luxo mas não tem uma agulha no escritório. É uma empresa de serviços, tão e simplesmente isso. “É muito simples: as lojas têm uma margem – no caso de marcas de luxo, é de cerca de 55%. Uma parte dessa margem é para nós”, explica José Neves, 40 anos, fundador e CEO da Farfetch, que faturou 320 milhões de dólares em 2014. Este ano, as contas ultrapassarão os 500 milhões, assegura.

A ideia do negócio veio da experiência: aos 8 anos, José começou a programar, aos 19, criou a primeira empresa e,em 2001, fundou a marca de roupa Swear, com sede e loja em Londres [a loja entretanto fechou e a marca é vendida atualmente apenas online]. Em 2007, chegou a um modelo de negócio que pretendia responder a uma das maiores tendências mundiais. “Era bem claro que a internet ia ser uma oportunidade, the next big thing [a próxima grande coisa]. E era óbvio que as boutiques e as marcas de pequena e média dimensão iam ter muitas dificuldades em construir essas plataformas individualmente. [A Farfetch] é uma cooperativa digital. Juntámos os melhores criadores de moda, as melhores boutiques, e criámos um conjunto de serviços que seria muito difícil eles terem individualmente com qualidade e alcance mundial”, explica. Do ponto de vista do consumidor, o negócio também traz vantagens, garante. “Permite comprar nas ruas de Paris, Londres ou Milão num só site, de forma conveniente e segura. É um modelo não só vocacionado para as pequenas empresas como também virado diretamente ao consumidor”, diz.

Em cada três peças vendidas na Farfetch, uma segue para os Estados Unidos. A empresa faz chegar mais de 1500 marcas de 300 lojas diferentes a cerca de 450 mil clientes espalhados por 180 países. O trabalho da Farfetch consiste em criar materiais de promoção – produções fotográficas, fotografia – e garantir a ponte entre clientes e fornecedores. É dessa relação que a empresa retira a margem. É aí que ganha dinheiro.

Para as marcas o negócio é completamente incremental, porque é uma venda que eles nunca teriam: não têm de pagar aluguer nem todas as despesas associadas a uma loja física e é uma partilha de margem entre nós e as lojas multimarca. Digamos que é interessante para ambas as partes.”

José Neves vive em Londres mas viaja a cada duas semanas para Portugal. Aproveita para visitar a família, mas passa grande parte do tempo a acompanhar de perto o trabalho dos escritórios de Leça do Balio e de Guimarães, os dois que a Farfetch tem em Portugal e onde trabalham cerca de 275 dos mais de 700 colaboradores da empresa. Em Portugal, a equipa assegura toda a tecnologia, serviço ao cliente, partes financeira e administrativa. Em Londres, 150 pessoas garantem o acompanhamento do marketing online e offline, relações públicas e comunicação. O escritório britânico alberga a equipa sénior de gestão. A equipa desdobra-se depois no Brasil (75), Estados Unidos (80), Tóquio e Xangai, replicando as funções asseguradas entre Portugal e Londres nos respetivos mercados. A equipa de mais de 700 pessoas assegura a gestão de uma loja virtual que, se existisse fisicamente, corresponderia a um mega espaço com cerca de um milhão de metros quadrados luso-britânicos.

A tecnologia Farfetch é 100% portuguesa. Faz sentido centralizar. Portugal tem engenheiros e programadores a trabalhar ao melhor nível e, sobretudo, com mais estabilidade: tanto em Londres como em Silicon Valley é muito difícil e caro construir uma equipa. Há sempre um unicórnio atrás da esquina. Em Portugal conseguimos criar uma cultura e um valor muito fortes”, explica José Neves ao Dinheiro Vivo.

No início deste mês, a empresa anunciou o levantamento de uma nova ronda de financiamento de 86 milhões de dólares [cerca de 81,2 milhões de euros], o que faz da Farfetch uma das sete empresas da Europa avaliadas como milion dollar company, segundo o ranking do The Wall Street Journal, que integra 78 empresas em todo o mundo. “Marca uma fase nova na perceção da empresa a nível externo (…) mas não no que fazemos todos os dias nem nos nossos valores. Continuamos a ter a mesma paixão pela nossa missão. (…) Possivelmente, a mudança dessa perceção facilitará contratações e parcerias mas continuamos com a mesma estratégia”, diz José, que já nem se lembra ao certo de um dos dias mais marcantes – em números, é certo – da história da Farfetch.

A 21 de novembro do ano passado, a empresa faturou 8 milhões de dólares em apenas um dia (Black Friday), um número redondo a que José não dá muita importância. “Sou muito distraído nessas coisas”, confidencia. “O mais difícil é construir o negócio em si. Os números toda a gente sabe olhar para eles. (…) Podemos chamar-lhe sorte mas, se não comprarmos o bilhete da lotaria, ela não sai. Mas se trabalharmos em algo que realmente é a nossa paixão, o nosso sonho, mais tarde ou mais cedo conseguimos lá chegar.”

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