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FCPortuense. A nova cerveja do Norte chega em versão fábrica, bar e restaurante

Tiago Talone (à esquerda) e Pedro Mota mostram o piso (ainda em obras) onde funcionará a fábrica no edifício na Rua de Sá da Bandeira, no Porto. Fotografia: Adelino Meireles/GI
Tiago Talone (à esquerda) e Pedro Mota mostram o piso (ainda em obras) onde funcionará a fábrica no edifício na Rua de Sá da Bandeira, no Porto. Fotografia: Adelino Meireles/GI

É no centro do Porto que Tiago Talone e Pedro Mota vão produzir a “melhor cerveja do mercado” e ajudar a promover a cultura cervejeira em Portugal.

É bem no coração do Porto, em plena Rua de Sá da Bandeira, que está a nascer a Fábrica de Cervejas Portuense. Uma empresa que pretende pôr fim ao duopólio da indústria em Portugal, afirmando-se como uma cervejeira de cariz marcadamente regional. Tiago Talone e Pedro Mota, os dois jovens empreendedores, prometem produzir “a melhor cerveja do mercado”.

Mas não só. Na verdade, o projeto é muito mais do que isso e inclui, além da fábrica, um restaurante, bar, loja e distribuição. O investimento é de três milhões de euros e vai permitir criar 50 postos de trabalho diretos.

Tiago é licenciado em Marketing, Pedro em Microbiologia. Conheceram-se na Unicer, onde fizeram o primeiro estágio profissional, que juntava precisamente elementos das suas áreas a Engenheiros Agroalimentares que andavam pelo mercado a dar formação nos pontos de venda e aos distribuidores sobre questões tão distintas como o processo de produção de cerveja até às melhores técnicas de venda.

Os anos foram passando e Tiago Talone andou por várias áreas na Unicer, desde o departamento comercial, marketing e mercados externos. Pedro acabou por sair e foi trabalhar para o outro lado da indústria cervejeira, para uma empresa de Barcelona distribuidora de matérias-primas, o que lhe permitiu acompanhar todo o despontar do movimento das micro cervejeiras. Tiago estava, na altura, em Inglaterra onde essa realidade existia há centena de anos… e, assim foi despontando, entre ambos, a ideia de avançarem com um projeto próprio.

“Esse foi o nosso primeiro esboço. E com perspetivas totalmente diferentes. Eu venho de uma empresa de cervejas, industrial, o Pedro foi acompanhando o desenvolvimento das microproduções. Eu venho de uma área de marketing e vendas, o Pedro vem de uma área de produção. Havia aqui muita complementaridade. A mesma visão sobre o tema, mas em áreas diferentes”, explica Tiago Talone.

O objetivo de ambos era claro. Queriam ajudar a criar a cultura cervejeira que ainda não existe no país. Não queriam ser microcervejeiros, nem tinham a ambição de serem grandes industriais. O alvo é o patamar intermédio, as cervejeiras regionais. O que é isso? “É uma empresa cuja capacidade de produção é em tudo igual à de uma fábrica industrializada. Os nossos equipamentos estão preparados para garantir a melhor qualidade do produto, mas obviamente a uma escala muito menor. Estamos numa condição diferente das micro cervejeiras precisamente pelo investimento que estamos a fazer na nossa fábrica, que é uma garantia de maior qualidade e longevidade dos nossos produtos.”

Tomada a decisão, passar da ideia à prática foram dois longos anos em que houve que angariar investidores. Um processo que “não foi fácil”, até pela inexperiência dos dois jovens empreendedores, mas que se suportaram no apoio de uma consultora financeira e de uma equipa de advogados que os ajudou a criar um modelo de investimento e um contrato que defendesse os interesses de ambas as partes – empreendedores e potenciais investidores. Assegurado o espaço na Rua de Sá da Bandeira, e com luz verde da autarquia ao pedido de informação prévia de que poderia ali instalar a fábrica, tudo se tornou mais fácil. “Garantido o edifício e a luz verde da câmara, asseguramos 80% do investimento. E três ou quatro dias depois, alavancámos o restante”, conta Tiago Talone.

A localização do edifício é uma das questões determinantes no projeto. Tiago Talone e Pedro Mota assumem que começaram por procurar um espaço na zona dos Clérigos e das Galerias de Paris. Mas hoje acreditam que conseguiram, na Baixa portuense, o melhor edifício possível. “Neste espaço temporal perdemos outras oportunidades, mas hoje fico contente por isso. O movimento noturno portuense tem vindo a deslocar-se desde a zona das Galerias de Paris até à Praça dos Poveiros. Nós, na Rua de Sá da Bandeira, vamos ficar mesmo no centro de tudo, junto aos hostels e apartamentos para turistas”, justifica Tiago Talone.

Por outro lado, o edifício em si tem duas frentes, uma para a Rua de Sá da Bandeira, e outra para a Rua do Ateneu Comercial, o que é determinante para um projeto onde vai coexistir uma fábrica de cerveja, um restaurante, um bar e uma loja de venda ao público.
“Não poderíamos ter clientes a entrar pelo mesmo sítio onde estivesse a ser descarregado o malte e as outras matérias-primas ou a ser preparada a saída das cervejas para abastecer o mercado”, explicam os jovens empreendedores.

O edifício, com 1500 metros quadrados de área, divididos por quatro pisos – na cave será instalada a fábrica de cerveja; sendo que no piso térreo ficará a loja de venda ao público e o bar, onde estarão as caldeiras de ebulição, de cobre, para maior proximidade do cliente ao processo de fabrico da cerveja; a cozinha e a sala de restauração serão no piso 1 e no piso 2 ficarão escritórios da empresa – está ainda a sofrer as obras de adaptação necessárias. O contrato é de arrendamento tem a duração de 20 anos. Com opção de compra? “Em 20 anos, se tudo correr como temos previsto, o próprio edifício em si deixa de ser um problema. A opção de compra está sempre lá. Mas se ficar definida à cabeça não há negociação à frente”, defende Tiago Talone.

A abertura da Fábrica de Cervejas Portuense está agendada para dezembro. Embora as obras ainda estejam a decorrer e, por isso, a produção não tenha arrancado. O que faz com que Tiago e Pedro se recusem a indicar o nome da marca com que estarão no mercado.
A fábrica terá uma capacidade máxima de produção de dois milhões de litros ao ano. A empresa estima entrar em ritmo cruzeiro ao fim de cinco anos, altura em que é esperada uma faturação de sete milhões de euros.

O negócio “começa no edifício de Sá da Bandeira, mas não se esgota aí”. A empresa pretende ganhar quota no mercado cervejeiro – 4% no Grande Porto, 1% no Norte e 0,5% no país -, com foco no canal horeca (hotelaria, restauração e cafés), pelo que a marca terá de ser suficientemente neutra para não criar anticorpos no resto do país. Diana Canas é a mestre cervejeira da FCPortuense, e é a única brewmaster VLB em Portugal.

Norte 12 empresários financiaram os três milhões de euros

Um grupo de 12 investidores nortenhos assegurou os três milhões necessários para arrancar com o projeto. Mas os nomes mantêm-se no segredo dos deuses. “Temos sempre dito, e com orgulho, são maioritariamente empresários do Norte, que também se identificaram com esta causa de uma empresa que se quer dedicar à região. A seu tempo serão identificados”, diz Tiago Talone. Quanto mais não seja, na inauguração. O envolvimento dos investidores no projeto era fundamental para os dois empreendedores, que sempre “fugiram” de business angels e capitais de risco por se “limitarem a comprar hoje para vender amanhã”.

 

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