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Feedzai. A super startup portuguesa que cresce 300% este ano e abre portas em Nova Iorque

Os fundadores da Feedzai. Fotografia: D.R.
Os fundadores da Feedzai. Fotografia: D.R.

Até à primeira semana de dezembro, a Feedzai vai abrir as portas do novo escritório em Nova Iorque, o primeiro na costa leste e o segundo nos Estados Unidos.

Com 15 pessoas já destacadas, o escritório irá situar–se em Battery Park, no Sul de Manhattan, com vista para a Estátua da Liberdade. É um sinal do crescimento extraordinário da startup portuguesa especializada em big data e análise para o mercado de pagamentos, que foi lançada há quatro anos. “Vamos crescer 300%, na mesma ordem do ano passado, em que acabámos com 7,5 milhões de dólares. Este ano vamos fechar com cerca de 22 milhões em vendas”, revela o CEO Nuno Sebastião em entrevista ao Dinheiro Vivo, na Califórnia, onde está sediada a subsidiária norte-americana da empresa.

Foi por aqui que entraram nos EUA e o sucesso reflete-se no volume de vendas: 60% do total já vem do mercado norte-americano. Em maio, conseguiram levantar um investimento de 17,5 milhões de dólares, uma aposta da Oak que lhes deu solidez financeira e elevou o total angariado para 26,5 milhões. Esta ronda está a ser usada na expansão para mais mercados, embora Nuno Sebastião seja cauteloso.

“O mercado pode mudar muito rapidamente”, reflete, contando que tem ouvido o aviso “Winter is coming”, uma referência à saga Guerra dos Tronos, onde os invernos são rigorosos e duram anos. Diz que se nota alguma turbulência no mercado, que os investimentos caíram de trimestre para trimestre e que algumas saídas em bolsa foram canceladas. Por isso, o essencial é “ter visibilidade suficiente para ser sustentável, principalmente quando a empresa-mãe é portuguesa”. Mas Sebastião não vê esta origem como uma desvantagem. Orgulha-se de manter a sede em Portugal, ao contrário de outras startups que constituíram sede no Reino Unido ou EUA, e diz que é no país que manterá toda a engenharia e desenvolvimento tecnológico.

Essa é uma área essencial para uma empresa que concorre com gigantes mundiais como a SAS e a IBM. O nicho em que a Feedzai se move está em grande expansão: big data e análise para a deteção e prevenção de fraude na banca e comércio eletrónico. O software Fraud Prevention That Learns analisa compras online e operações bancárias e faz comparações de histórico e comportamento dos dados. Alguns clientes de topo nos EUA são o banco Capital One e a First Data, a maior empresa de processamento de pagamentos do mundo, além da Deloitte, PayPoint, Ericsson, Vodafone e Servebase Credit Card Solutions. Têm clientes relevantes em Portugal, mas não estão autorizados a divulgar.

“Existe neste momento um grande apetite por tecnologia nova”, afirma o CEO, justificando assim o desempenho dos últimos dois anos. Se antes havia receio de comprar tecnologia a startups em detrimento dos grandes players, isso acabou. “Perceberam que empresas como nós, bem financiadas, com clientes e provas dadas, têm soluções mais novas, frescas e diferenciadoras do que as das SAS e IBM deste mundo”, considera. Startups como a Feedzai desenvolvem as tecnologias de forma diferente, nativa, oferecendo mais rapidez com menor investimento. “Em vez de gastar um milhão numa peça de hardware, consegue–se o mesmo desempenho num servidor de entrada que custa 15 mil.” É este o argumento para convencer os clientes, e já são bastantes: cerca de 25 grandes empresas, responsáveis por 80% do volume de dados processados pela Feedzai, e mais de duas mil pequenas empresas na oferta de “nuvem”, com volumes mais pequenos. No total, a Feedzai está a analisar 800 milhões de dólares em volume de pagamentos todos os dias, com o objetivo de prevenir fraudes.

Empresa está a contratar

Com nomes sonantes na carteira de clientes, o próximo foco é investir no Reino Unido. “Tínhamos há algum tempo uma presença em Londres, mas não era forte. Neste momento estamos a contratar de raiz uma equipa inteira para trabalhar o mercado lá.” Esta será a base de ataque para o Norte da Europa.

Assim que essa execução estiver encaminhada, a Feedzai vai dar atenção ao mercado indiano, “onde há neste momento um otimismo e uma explosão muito grande da área de big data relacionada com pagamentos” e onde já faturam dois milhões por ano. Também está no horizonte uma entrada no Médio Oriente, em especial Dubai e Qatar, que são grandes centros financeiros. Sebastião esteve na região em outubro e está convencido de que irão ganhar “duas contas grandes” com a parceira Deloitte. “Materializando-se isto, não tenho dúvida de que se justifica uma presença, porque são negócios muito grandes.” Seguir-se-á uma decisão quanto ao Brasil, “um mercado muito interessante”.

O crescimento já levou à duplicação dos quadros este ano: são agora 86 e a intenção é terminar 2015 nos 120 colaboradores. O problema é que não tem sido fácil. Sebastião refere que tem quatro pessoas só dedicadas à contratação e ainda assim estão “severamente” abaixo do que precisam. “Por cada cem pessoas que concorrem à Feedzai, contratamos duas”, indica. Porquê? “Temos de manter o crescimento sem diluir o ADN. É extremamente difícil. A longo prazo, é mais importante manter o ADN intacto do que trazer para a empresa 200 pessoas.” Por outro lado, nos EUA, a autopromoção é uma arte, as pessoas “vendem-se” bem. “É difícil separar o trigo do joio.”

Trigo certamente são os dois novos executivos Phong Q. Rock, que entra como vice-presidente sénior para o desenvolvimento de negócios globais e alianças estratégicas, e Sandeep Grover, que assume a posição de vice-presidente sénior de comércio eletrónico global. Há ainda uma posição de topo por preencher desde junho, tal é a especificidade e responsabilidade, porque “este tipo de crescimento não é muito comum”, diz Sebastião, que todos os dias vê a empresa a evoluir. “É fabuloso.”

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