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Firefly. Ajudar a prevenir incêndios a partir do espaço

Ekaterina Stambolieva e Isabella Simão, fundadoras do projeto Firefly. (Gerardo Santos / Global Imagens)
Ekaterina Stambolieva e Isabella Simão, fundadoras do projeto Firefly. (Gerardo Santos / Global Imagens)

O Firefly quer ajudar a Terra a prevenir e mitigar incêndios a partir do espaço. Em Portugal, vai ser financiado pela Agência Espacial Europeia.

Isabella Simão, natural de São Paulo, e Ekaterina Stambolieva, da Bulgária, conheceram-se em Lisboa, em setembro do ano passado. Juntas criaram o Firefly, uma tecnologia de satélite para prevenir e mitigar os incêndios, apoiando os operacionais em Terra a identificar a vegetação e os locais onde deve ser feita a limpeza da floresta. O propósito é evitar que os incêndios evoluam para grandes desastres. Em julho foram selecionadas para o programa de incubação da Agência Espacial Europeia e são o primeiro projeto liderado só por mulheres.

Ao contrário das soluções que já existem para o combate a incêndios, o Firefly quer colocar o ambiente ao serviço da prevenção dos incêndios. “É impossível impedir que os fogos aconteçam, são fenómenos naturais. Não podemos influenciar as condições atmosféricas”, explica Ekaterina ao Dinheiro Vivo. O satélite, a partir do espaço, vai permitir identificar a densidade da vegetação, os níveis de humidade ou secura, facilitando a limpeza das florestas.

No final de junho, as fazedoras foram distinguidas com o prémio de empreendedorismo feminino EBAN Space Women Entrepreneurship, em França. Poucos dias depois foram selecionadas entre 30 projetos para o programa de incubação de startups da Agência Espacial Europeia em Portugal, e com ele vão receber um financiamento que poderá ir até aos 50 mil euros para desenvolver a tecnologia do Firefly.

O Firefly quer ir além da solução tecnológica de satélite. Depois de dominarem a tecnologia, querem ajudar as comunidades rurais a participar na limpeza das florestas. Num terceiro momento, o objetivo é conseguir reutilizar todo o material recolhido das florestas e utilizá-lo para a construção de mobiliário, desenvolvendo uma verdadeira economia circular. O projeto-piloto começará em Portugal, mas querem chegar a países como o Brasil ou a Califórnia.

“Podemos ajudar empresas como a EDP a provar se têm, ou não, culpa no início de um incêndio. Com a nossa tecnologia é possível encontrar essas respostas. Estamos um ano à frente deles”, revela Ekaterina, confiante de que esta tecnologia é a única que oferece soluções aplicadas antes dos fogos deflagrarem. Para Isabella e Ekaterina, é a maior lacuna em Portugal, porque é difícil fazer um retrato global do estado da floresta. “A limpeza tem de acontecer agora”, alerta Ekaterina.

Ainda durante este mês vão saber se foram selecionadas para outro programa de aceleração de startups no Luxemburgo, o Fit 4 Start, que lhes permitirá aceder a um fundo de mais 200 mil euros caso sejam aceites.

O projeto que querem desenvolver é tão curioso como o seu percurso. Isabella é creative copywriter e chegou a Portugal há menos de um ano. Ekaterina é data scientist, e está em Lisboa há quatro anos. Apesar de virem de mundos diferentes, encontraram em comum a vontade de criar soluções com impacto social e ambiental. E agora são o primeiro grupo liderado só por mulheres em startups incubadas na Agência Espacial Europeia em Portugal.

Enquanto mulheres num mundo geralmente ocupado por homens, as fazedoras destacam o facto de ser cada vez mais importante ter uma representação heterogénea nas áreas da tecnologia e da ciência espacial. Não têm sentido discriminação de género, mas ainda há um caminho a percorrer. “Na área da tecnologia, das startups e do espaço as mulheres ainda são menos, mas vejo um futuro esperançoso. As mulheres já estão a invadir essas áreas”, alega Isabella, que conta que um dos maiores desafios até agora tem sido lidar com conceitos complexos da tecnologia. Contudo, explica que rapidamente percebeu o potencial que pode ter quando é colocada ao serviço de causas sociais e ambientais. “A tecnologia não é assim tão difícil, o essencial é ter alguém que saiba explicar de forma simples”, afirma Ekaterina, que lembra que o mais importante é “não ter medo de perguntar”.

As fundadoras estão muito confiantes no sucesso do projeto e, por isso, já imaginam onde estarão daqui a dez anos. Querem sair das florestas e voar para o espaço, com o mesmo propósito: uma órbita mais limpa, num projeto que também já tem nome, “Zero Waste Space”, mas para já é só uma ideia.

Isabella e Ekaterina vão continuar a candidatar-se a programas de financiamento para startups e esperam conseguir atingir os dois milhões de euros em investimentos até ao próximo verão. O dinheiro conseguirá dar-lhes a liberdade para se dedicarem em exclusivo ao desenvolvimento do Firefly.
O próximo objetivo, a prazo, poderá passar pelo reforço da equipa, mas fazem o aviso: “Se estão à procura de um emprego, há muitos outros empregos no mundo. Precisamos de pessoas apaixonadas.”

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