Floats of Fun. Memórias de infância transformadas em insufláveis de luxo

Dois amigos investiram 120 mil euros para alegrar as férias náuticas deste verão, em Portugal ou em qualquer lugar do mundo. Para o inverno, a coleção será a pensar nos adeptos da neve

O que acontece quando duas pessoas se encontram oito anos depois de terem nascido, sem nunca se terem cruzado antes, e se apercebem que nasceram no mesmo dia, do mesmo mês e no mesmo ano, apenas com 45 minutos de diferença e, já agora, separados por 235 quilómetros?

Rui Elias, de Mértola, e Pedro Fogaça, de Lisboa, conheceram-se na infância, numas férias pelo Alentejo, e cimentaram uma amizade para a vida. Rui Elias formou-se em tradução e trabalhou como tradutor, professor, jornalista e depois chegou a diretor do departamento de Comunicação da agência publicitária Publicis, uma multinacional francesa. No ano 2000, foi sócio-fundador de uma agência de comunicação, a Global Press, onde esteve até ao ano passado, acabando por deixar o negócio.

Pedro Fogaça, o mais velho, é engenheiro informático e mantém o emprego numa companhia de seguros.

Há dois anos, ainda sem sinais de pandemia, assumiram que queriam mudar de vida ou, pelo menos, diversificar a atividade, e foi aí que vieram à memória as férias da infância na piscina, com os insufláveis. Ficou, então, assente que as brincadeiras de outrora poderiam virar um assunto sério - a que chamaram Floats of Fun, com sede em Lisboa.

A concretização do sonho aconteceu nesta semana, no dia 1, com a entrada em funcionamento de um site para venda de insufláveis que rotulam de luxo, com inspirações no glamour, na joie de vivre e na art deco, e depois de um investimento de 120 mil euros, só com capitais próprios.

"Fizemos adaptações em modelos já existentes, mudámos os tamanhos e as cores. Procurámos quem os pudesse produzir, mas não encontrámos nem em Portugal nem na Europa. Só na China", explica Rui Elias.

A primeira coleção já está produzida e já chegou, com todas as despesas pagas, pronta a ser vendida, "maioritariamente online", mas também em pontos de venda em Lisboa, na Comporta e na Quinta do Lago, no Algarve.

Há dez modelos diferentes cujos preços oscilam entre 50 e 100 euros. Mas também se vendem acessórios: dois tipos de bombas de encher (que também esvaziam), chapelaria e bonés, vários tipos de sacos e apoios de cabeça, para usar na praia e piscina.

O stock da primeira coleção agora disponibilizada inclui dois mil insufláveis, 200 de cada modelo, para vendas no Hemisfério Norte.

Quando chegar o nosso inverno, a ideia é comercializá-los nos países do Hemisfério Sul, quando lá começa o verão.

Para combater a sazonalidade do negócio, há outra solução já pensada: apostar nos insufláveis para o segmento do turismo de neve.

Quanto ao verão de 2022, "a oferta será reajustada em função dos modelos com mais procura". Como se trata de um material reciclável, o cliente pode devolver o produto e ser-lhe-á dado um desconto na compra de um novo. A reciclagem é feita em Portugal.

Além da preocupação ambiental, a empresa quer ter uma função social. Assim, já determinou que 10% do valor das vendas será encaminhado para uma plataforma americana sediada na Califórnia, a Kiva, que faz empréstimos "que mudam a vida" a pequenos negócios no mundo inteiro, à semelhança da filosofia do microcrédito. Só assim consideram que o negócio faz sentido, trabalhando também "para o bem comum".

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