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Free Electrons EDP busca startups inovadoras com apoio da Beta-i

Na primeira edição do programa de aceleração Free Electrons, a startup vencedora foi a portuguesa BeON.

30 startups da área da energia vão competir em Lisboa, de 3 a 6 de abril, por um lugar no programa de aceleração Free Electrons, criado por um consórcio de oito utilities, que inclui a EDP e que a aceleradora portuguesa Beta-i está a coordenar. É um método invulgar que permite à EDP aceder a algumas das melhores startups do mundo na área da energia com custos praticamente irrelevantes. E tem bónus: o reforço da ligação a Silicon Valley, onde a empresa pondera vir a ter presença permanente.

“É importante associar-nos ao magnetismo que esta área do globo tem para empresas com o perfil que estamos a tentar trazer para o programa”, adianta ao Dinheiro Vivo Luís Manuel, administrador da EDP Inovação, que esta semana esteve em Palo Alto para o lançamento da segunda edição do Free Electrons. O executivo explica que a empresa energética está à procura de soluções inovadoras em áreas distintas, destacando baterias para energias renováveis e analítica, big data e inteligência artificial. “Nenhum negócio se pode deixar atrasar em temas de IA. É uma das coisas a que vamos estar atentos.”

Manuel Tânger, diretor de inovação da Beta-i, confirma a expectativa. “As utilities começam a ser empresas com muitos dados, logo muito interessantes e atrativas para empresas que tratam dados e inteligência artificial. Esta confluência das startups e da evolução da IA com a crescente digitalização das empresas de energia é capaz de ser um ponto de inflexão.”

Além da EDP, o consórcio é composto por mais sete utilities: as australianas Ausnet Services e Origin Energy, a SP Group de Singapura, a japonesa Tokyo Electric Power, a DEWA do Dubai, a alemã Innogy e a ESB da Irlanda. O envolvimento da Beta-i, que levou seis pessoas a Palo Alto, começou por ser como parceira local da EDP na primeira edição do programa, em 2017.

Agora, as oito empresas estão de volta porque os resultados foram estelares. A vencedora foi a portuguesa BeON, que fez projetos-piloto e fechou vários contratos. “Os parceiros estão muito envolvidos e já veem valor do primeiro programa”, confirma Tânger. “Eles interagiam de forma periférica com startups e agora viram como fazer e não fazer.”

Nesta segunda edição, a Beta-i introduziu algumas melhorias e redesenhos. Um deles é o “módulo zero”, a passagem prévia por Lisboa em abril para que a seleção das finalistas seja feita ao vivo. “É o segredo da receita Beta-i que usamos nos outros programas e funciona muito bem.” As 12 startups escolhidas terão depois três módulos distintos que vão de uma ponta à outra do globo: de 6 a 11 de maio em Sydney e Melbourne, Austrália; de 24 a 29 de junho em Silicon Valley, Estados Unidos; e de 30 de setembro a 4 de outubro em Berlim, Alemanha, onde será anunciada a vencedora. O prémio monetário será de 200 mil dólares. Isso não é, no entanto, o principal chamariz para estas equipas.

“O verdadeiro prémio para todas as startups é trabalharem com parceiros internacionais, mesmo que não ganhem. O prémio é mais a cereja em cima do bolo.”

Para as empresas de energia, os custos são baixos e as vantagens relevantes. “A grande originalidade do Free Electrons é que acabamos por conseguir tornar isto um custo risível para cada uma das utilities, porque fazemos esta fusão de vontades de partes tão distintas do mundo”, indica o administrador da EDP Inovação. “É provavelmente o melhor programa dirigido a startups na área de energia que existe a um custo que não tem materialidade.”

A ambição do programa é superar o número de candidaturas do ano passado – 500 startups tentaram participar, das quais 350 eram elegíveis para aceleração. Até ao momento, 10% das candidaturas vieram de Portugal, além do Brasil e EUA. A Beta-i calcula que 80% das candidaturas vão chegar na última semana do prazo, que termina a 28 de fevereiro.

A startup que venceu no ano passado, a BeON, concebeu um microinversor que permite ligar painéis fotovoltaicos a qualquer tomada doméstica – um produto que a EDP leva quando faz instalações deste tipo. Curiosamente, a elétrica já conhecia bem a startup, porque a BeON venceu o EDP Open Innovation 2013 e depois foi incubada no EDP Starter. A estratégia da startup portuguesa foi proativa: o CEO Rui Rodrigues meteu-se em aviões e andou pelo mundo a visitar cada uma das utilities que formaram o Free Electrons. O seu produto inovador acabou por convencê-las a todas.

A DefinedCrowd, uma startup acelerada pela Microsoft e que tem a portuguesa Daniela Braga como CEO, é a mais recente empresa a receber investimento da EDP. A operação foi concluída em dezembro e faz parte de uma estratégia de aposta em startups viradas para a inteligência artificial, já que a EDP também é investidora da Feedzai, que usa IA para detetar fraude. Em Berkeley, a empresa tem 26% da Principle Power, que atua na área de energia eólica. “Estamos com cada vez mais tração com empresas desta zona e há um processo natural que é bem possível que nos conduza a médio prazo a ter uma presença permanente aqui.”

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