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“Fui quem mais investiu e mais perdeu no Shark Tank. E também quem ganhou mais”

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Tim Vieira, ex-Shark Tank, está numa viagem de 118 dias com a família. Ver mundo e, já agora, tirar ideias para os hotéis que quer abrir.

Avião, comboio, carro, autocaravana, barco, bicicleta… só falta mesmo um balão na viagem em 118 dias que Tim Vieira e a sua família vão fazer por nove países. Mais de cem dias a carimbar passaportes pela Rússia, Mongólia, China, Vietname, Tailândia, Singapura, Nova Zelândia, Austrália e, por fim, Canadá. Depois de fazer 26 mil quilómetros, costa a costa, nos Estados Unidos, de viajar numa Vespa para a Rússia para ver a Seleção jogar no Mundial 2018, o destino agora escolhido pelo empresário do Shark Tank é outro. “África e Ásia são os países que estão a crescer. Achamos que era importante os miúdos conhecerem o que vão ser potencias no mundo no futuro.”

No momento em que estiver a ler este artigo, Tim Vieira e a família deverão estar a viajar de São Petersburgo para Moscovo. Mas esta não é uma viagem com apenas intuitos turísticos. “É sempre bom uma pessoa sair do que está habituado, ver coisas e pessoas novas, fazer contactos, ficamos com menos medo das pessoas. Não pensamos com medo, pensamos em oportunidades, em coisas positivas. Vimos que, afinal, não é só a forma como fazemos as coisas que é a correta”, diz. “O que vejo quando viajo é que somos todos iguais. Todos estão a querer dar o melhor para os filhos, a levá-los à escola e a tentar o melhor”, continua. “Quero que os meus filhos percebam isso. Temos muitos estereótipos e não está correto. Temos de experimentar e sair dos sítios, não com medo das pessoas, mas para fazer amigos”, diz. “Estamos a viajar 118 dias e queremos fazer 118 amigos”.

Foram meses de preparação, com a mulher Lídia a assumir o cargo de Chief Operating Officer. Havia que garantir vistos, passagens, alojamento, experiências para celebrar os aniversários de, pelo menos, dois membros da família. O que não vai faltar nas malas? Muito tabasco. “Na Mongólia vamos ficar em casas de locais. E o conselho de um amigo (que já fez a experiência) é levar tabasco para colocar na comida. Aparentemente cozem gado inteiro”, conta Tim Vieira com humor.

Turismo em alta
Experiências não irão faltar. Mais de 20 dias de autocaravana pela Austrália, uma visita à Blue Mountain pelo aniversário da filha, conhecer a Nova Zelândia e o Canadá também por autocaravana, experimentar todo o tipo de alojamento: de hotéis que já foram cenário para filmes no Vietname, a hostels ou casas de locais.

Tim Vieira

Espaços que vão ser observados com atenção. “Há sempre ideias novas. Vamos a alguns hotéis. Estamos envolvidos no turismo, também queremos ver”, refere o empresário que está a investir na área do turismo. “Estamos na fase de construção do primeiro hotel (Ericeira), no segundo estamos na fase de decidir quem vai construir (Monsaraz) e o terceiro está ainda em projeto (Ribeira Grande, São Miguel)”, diz o empresário. Um investimento de cerca de 40 milhões de euros. O primeiro a abrir vai ser o da Ericeira, já no próximo ano. “Para já é só nestes três que nos estamos a focar. Queremos abrir hotéis, com super-experiências, para as pessoas lembrarem e falarem aos amigos. Esta viagem vai fazer-me ver coisas pequeninas que, às vezes, fazem uma grande diferença”, considera.

Cerca de 15 milhões de turistas visitaram Portugal no ano passado, um pico histórico. E até março perto de 2,5 milhões visitaram o país, mais 3,4% do que há um ano. “No turismo ainda há muito para crescer. Temos pessoas e grupos dinâmicos, somos autênticos, a nossa comida é única, os nossos vinhos estão a ganhar prémios. Temos de fazer o target a clientes que estão dispostos a pagar mais para ter experiências especiais, mas acho que estamos a fazer isso”, comenta. “Donald Trump pode estar a construir muros para as pessoas não entrarem. Portugal pode construir ‘bacalhau bridges’ (pontes de bacalhau) para trazer pessoas para cá que, quando vêm, gostam. É uma situação win-win”.

Atrair estudantes e talento

As ‘bacalhau bridges’ não serão só para atrair turistas. Há que tirar partido da boa classificação das universidades nacionais em rankings internacionais. “Estamos bem classificados em várias universidades e isso é uma mais-valia. Temos de encontrar formas das universidades atraírem mais estrangeiros e dessas pessoas continuarem por cá e contribuírem para Portugal”, defende.

Para o empresário, urge cativar talento internacional para o mundo tech. É que a pressão sobre os salários começa a fazer-se sentir, levando à perda de competitividade. “Temos de pensar em dar tech visas para que pessoas de fora venham para cá trabalhar, porque precisamos de pessoas com essas qualificações. Nos EUA e em outros países foi quando veio essa emigração que registaram períodos de crescimento. Estamos a prestar apoio técnico a empresas externas e está a ser difícil encontrar talento. Devíamos lutar não em preço, mas em qualidade com os nossos talentos”, argumenta. Um instrumento que já existe em Portugal desde janeiro, permitindo às empresas tecnológicas, instaladas em Portugal mas inseridas no mercado global, contratar mais rapidamente quadros qualificados fora do espaço da União Europeia. No início de junho, o Governo revelou que 90 empresas tinham sido certificadas pelo IAPMEI, tendo sido autorizados 140 vistos de residência.

Cascais, 06/05/2019 - Entrevista ao emprendedor, Tim Vieira. ( Jorge Amaral/Global Imagens )

Tim Vieira acredita no poder de atração de Portugal, para o qual contribuiu ser o país da Web Summit. A cimeira, que vai ficar pelo país por 10 anos, “tem muito mérito. Começou por fazer os portugueses acreditar que, afinal, temos alguma coisa a acontecer cá”, refere. “Mudou a mentalidade. Não é que todos os que foram à Web Summit tenham feito negócio, mas, de um momento para o outro, fez com que empresas de fora acreditassem em produtos portugueses. Perceberam que estamos envolvidos em tech, que Portugal é uma startup nation”. E ajudou no networking. Éramos muito maus nisso”, diz.

Foi esse networking que mais retirou da sua presença no Shark Tank. “Se calhar posso dizer que fui o que investiu mais e o que mais perdeu. Mas fui quem ganhou mais, porque conheci mais gente e isso também valeu muito por isso, abriu portas”. Foi essa rede de contactos que o levou a investir na LuzBoa (empresa de comercialização de energia), por exemplo. “Nunca fiquei chateado por investir no Shark Tank. Foi super importante para o país, para as pessoas onde investimos e para nós”.

Faz falta um novo Shark Tank? “Concordei fazer só um, mas acho que pode haver mais programas de empreendedorismo. Devia haver um mini fundo de pessoas que queiram investir em startups em vez de jogarem no Euromilhões”.

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