Sporting

Futre, um ano depois do chinês: “Eu teria continuado com o Domingos”

Futre apresenta programa à terça-feira
Futre apresenta programa à terça-feira

Um ano depois do famoso
discurso do chinês e da derrota nas eleições para a presidência
do Sporting, a vida de Paulo Futre deu mais voltas do que os cinco
alemães que fintou em dez segundos na final da Taça dos Clubes
Campeões Europeus, em 1987. Perdeu as
eleições, mas ganhou uma nova vida. Numa entrevista por telefone ao Dinheiro Vivo confessa que
teria mantido Domingos como treinador, mas que Sá Pinto foi a melhor
escolha. Quanto ao chinês… Por favor, não lhe falem do
Corinthians.

Olá Paulo. Tudo bem?

Sim, sim. Espera só um
bocadinho. [atende outro telemóvel] Nuno, sim diz-me.

Num ano, a tua vida deu
uma volta enorm…

Espera aí, espera aí!
[novamente o telemóvel] Sim, agora já está.

Estava a dizer que, um ano
depois das eleições e do discurso que criou esta explosão mediática, a tua vida
mudou radicalmente. Sentes que entre todos os envolvidos acabaste por ser quem mais ganhou?

Quer dizer, não ganhei,
porque perdi. Era um projeto incrível regressar ao
Sporting 27 anos depois. Foi o meu pai e mãe para o futebol. Tenho
outros clubes no coração, mas foi ali que comecei.

Mas não se pode dizer que
a vida te esteja a correr mal.

Sem dúvida. Surgiram imensas coisas de que não estava à espera e tenho-me divertido
bastante. Pá, agora até tenho um programa de televisão! Tive um ano
diferente do que esperava, mas nada me caiu do céu. Tenho gerido bem
as coisas. Mas queria ter ganho…

A história do chinês
acabou por dar frutos.

Quis fazer ruído. O
Governo tinha acabado de se demitir e eu pensei em falar no chinês que, claro, já tinha discutido com o Dias Ferreira.

Em fevereiro, o
Corinthians contratou o chinês Chen Zhizhao
claramente por motivos extra-futebol. Sentes-te vingado em relação
a quem troçou dessa estratégia de marketing?

Que idade é que tens,
Nuno?

24.

Epá, é que para falar do
chinês temos de falar de 1998. Lembras-te do Nakata?

Sim, o japonês.

Pronto, tem de se falar de
1998, quando o [Hidetoshi] Nakata veio para o Perugia. Há muito
tempo que há jogadores asiáticos a circular pela Europa. O Park
[Ji-Sung] já cá anda com sucesso há muitos anos. No Mónaco, vêm asiáticos de charters para depois irem tirar fotografias a [o Circuito de] Monte Carlo. O problema é
que nunca se fez isso em Portugal. Se ganhasse, trazia o chinês, mas
se perdesse eu sabia que tinha defesa.

Que nota dás até agora à
presidência de Godinho Lopes?

É difícil. O clube está
numa posição económica complicada, com uma dívida grande, e desportivamente o Porto e o Benfica estão dois passos à frente. Mas
é preciso tempo, o Sporting contratou muitos jogadores este ano.

Concordas com o
afastamento do Domingos?

Foi difícil. Eu teria
feito as coisas de forma diferente e continuava com o Domingos. Mas entendo as razões
do Godinho Lopes. Eu já fui diretor desportivo e sei que não há
nada mais difícil do que despedir um treinador.

Mas agrada-te que o
treinador seja alguém com uma ligação emocional forte ao clube,
como é o Sá Pinto?

Sim. Tomada a decisão de
afastar o Domingos, acho que o Sá Pinto era a melhor escolha
disponível. É um homem do clube, com garra, e um grande amigo, claro.

Pensas um dia voltar a
tentar um regresso ao Sporting?

Nunca se sabe o dia de
amanhã. Mas agora o Sporting precisa é de tranquilidade e
paz. Espero que o Godinho Lopes cumpra o seu mandato de forma
pacífica e com êxito.

Estás feliz com o que
acabou por resultar na tua vida?

Sim, claro! Fiquei triste
no momento em que perdi, mas ninguém me tira aquele dia. Eu, o Dias
Ferreira e o resto da equipa estivemos o dia todo juntos. Chegámos a
achar que podíamos ganhar…

Incomodam-te as notícias
que vão surgindo de salários em atraso, por vezes
até em clubes grandes?

Sim, mas é mais
preocupante e afeta muito mais uma equipa da 2.ª divisão B, por
exemplo. É que num clube grande, podes não estar a receber, mas não
estás a passar fome. Nos clubes mais pequenos deixas de ter dinheiro
para dar de comer à tua família. Em Espanha, por vezes acontecia
fecharem-se nos balneários até lhes pagarem.

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