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BoaBoa. O crowdfunding de Lisboa para apoiar projetos de Lisboa

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Projeto aposta em quatro áreas para financiar ideias na área de inovação social, empreendedorismo, cultura e investigação universitária

A BoaBoa é a primeira plataforma de crowdfunding (financiamento colaborativo) de base territorial numa cidade europeia. De Lisboa para Lisboa, assume o município. E Paulo Soeiro Carvalho bem pode dizer que é apropriada a música tocada pela Orquestra Geração no início da apresentação deste projeto, a Aleluia, de Handel, que enchia a sala do arquivo da autarquia.

“O projeto teve alguns atrasos. Só avançou em definitivo há três meses, quando a área da inovação passou a estar sob a alçada do vice-presidente, Duarte Cordeiro”, referiu.

Qual é a importância de uma plataforma que é “duas vezes boa”? “É uma forma de testar e dar visibilidade a ideias” em várias áreas: empreendedorismo e inovação social, para iniciativas ou projetos que procurem resolver problemas para pessoas mais desfavorecidas ou apoiar a sociedade civil; ciência, investigação e desenvolvimento, para apoiar projetos de investigação na área do conhecimento; e ainda cultura, cidadania e participação, que visa apoiar projetos que melhorem a qualidade de vida e da cidade ou da comunidade.

E se a cidade empreendedora fosse um desenho? Define Lisboa

As ideias têm de partir de pessoas que residam na capital ou têm de ter impacto em Lisboa. Esta plataforma de financiamento colaborativo funciona através do donativo e da recompensa, ou seja, em troca de um determinado patamar de investimento, o apoiante recebe uma oferta. Estas duas formas de crowdfunding já estão regulamentadas pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O montante mínimo que pode ser angariado por projeto é de 500 euros. Não há montante máximo definido.

O arranque da BoaBoa ficou também marcado pela apresentação de cinco dos seis projetos que já estão à espera do seu apoio. “Antes de haver plataforma tecnológica, andávamos de porta em porta a angariar fundos.” O Ginásio do Alto do Pina, a associação da marcha que ganhou o desfile dos Santos Populares do ano passado, resume, assim, a tradição das doações, que ganham uma nova vida com o crowdfunding. Esta associação quer angariar 2 mil euros para criar uma secção de música até 6 de junho, a uma semana do desfile na Avenida da Liberdade. Pretende ainda melhorar a qualidade do som para renovar o título nas Festas de Lisboa.

Este é só um dos projetos na montra da BoaBoa, considerado “mais um mecanismo de participação da cidade”, segundo Duarte Cordeiro, e que complementa, por exemplo, o orçamento participativo. O crowdfunding também é “uma peça que nos faltava na área do empreendedorismo”, diz o vice-presidente.

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As peças, mas de roupa, são a grande preocupação da Little Dresses for Africa (LDFA). Esta associação humanitária internacional confeciona vestidos e outras peças de roupa através da reciclagem de materiais, ajudando crianças carenciadas em países desfavorecidos, maioritariamente no continente africano. Chegou a Portugal em janeiro de 2016 e em apenas quatro meses já enviou 400 artigos para países como Quénia, Guiné-Bissau, Mauritânia e Moçambique.

A LDFA é liderada em Portugal por Lisa Santos, professora de piano há mais de 20 anos e que sempre teve gosto pela área da costura. Uma publicação no Facebook de uma criança vestida graças à associação inspirou a professora. O financiamento colaborativo “é uma forma mais imediata de conseguir fundo de maneio”. Com 2 mil euros querem comprar materiais para fazer vestidos e financiar os portes de envio para enviar as peças de roupa.

Esta associação humanitária, além de ajudar a “dar autoestima às meninas de países desfavorecidos”, constrói poços e escolas em aldeias, lembrou Lisa Santos durante a apresentação.

A Orquestra Geração é outro projeto na área social que está integrado na BoaBoa. Este projeto de inclusão já conta com 900 alunos em todo o país e já trabalhou com artistas como Camané. O fado, assim como o funaná, são dois dos estilos que pertencem ao repertório. Para a plataforma de Lisboa, esta orquestra tem vários objetivos.

O primeiro deles é ajudar Sara, uma menina de 12 anos que está a frequentar a escola de música do Conservatório Nacional e que usa um violoncelo emprestado por esta orquestra. Se conseguir os 1500 euros necessários, além de ajudar a Sara, que passa a contar com um instrumento mais adaptado às suas necessidades, a Orquestra Geração consegue ter mais uma vaga para um aluno, referiu Helena Lima. Se receber mais do que 1500 euros, a associação pode comprar mais instrumentos e acessórios para outros alunos.

Lisboa também pode ter um laboratório fotográfico em plena era digital. O gosto pelas fotografias analógicas e de imprimi-las levou um grupo de cinco amigos, o 1/4 Escuro, a juntar-se há um ano no laboratório fotográfico existente no Espaço Lx Jovem, em Marvila. Começaram a trocar experiências e conhecimentos, além de explorar novas técnicas. O objetivo, agora, é partilhar estes conhecimentos. Pretendem, para isso, 800 euros de forma a melhorar o espaço, além de realizar uma exposição sobre hortas urbanas na capital.

A cultura é uma das vertentes da BoaBoa e já está a servir como palco para a Livros de Ontem, uma editora independente especializada em captar e publicar novos autores de língua portuguesa, como o caso de Soraia Ribeiro, uma jovem de 24 anos de Lisboa, e que pretende angariar 700 euros para publicar o primeiro livro Sobre a Alma e o pó dela.

A BoaBoa também serve a arquitetos acabados de ser reformados da Câmara de Lisboa, como Sílvia Pelham, que pretende implementar uma avaliação ecológica para alojamentos turísticos a 6100 espaços na capital. 6100 euros é o montante que esta arquiteta quer recolher para que estes espaços passem a ser avaliados entre um e cinco níveis (folhas). O Five-Leaf System, como é conhecido, já é aplicado em cerca de 110 países.

A BoaBoa conta com parceiros fundadores como a Câmara Municipal de Lisboa, a Startup Lisboa, a Vieira de Almeida & Associados, a plataforma PPL, a Associação Mutualista Montepio e a Fundação Calouste Gulbenkian. A própria Câmara de Lisboa, no entanto, já admite abrir a plataforma a mais parceiros, como associações e universidades, além de admitir que a BoaBoa possa “evoluir para outras formas” de financiamento colaborativo.

É que a atual regulamentação, que teve no atual vice-presidente da CML um dos autores, também vai permitir, assim que a CMVM dê luz verde, ao financiamento colaborativo por capital, com participações em empresas, ou então através de empréstimo, em que o dinheiro aplicado é devolvido através do pagamento de juros.

A plataforma lisboeta BoaBoa, para já, quer colocar-se entre as plataformas de crowdfunding, aproveitando o impulso dado pelo Web Summit, marcado para o final de 2016.

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