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CoolFarm. A horta biológica fica à porta do supermercado

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As máquinas para produção de alimentos dentro das cidades já estão instaladas em Lisboa, Madeira e Itália e poderão chegar nos próximos anos à China

Comprar produtos amigos do ambiente dentro das cidades é uma missão quase impossível. É necessário ir buscar frutas e vegetais a estufas que ficam a centenas de quilómetros de distância e cujo transporte gera uma elevada pegada ecológica.

A CoolFarm arrancou em 2013 para começar a resolver este problema e garantir a produção de alimentos, como alfaces, mostarda e rúcula, com qualidade e a custos comportáveis. O cultivo é feito dentro de uma máquina, a in/store, com até sete metros de altura e tabuleiros com até 130 metros quadrados de área.

Sedeada em Coimbra, a empresa fundada por Eduardo Esteves (designer de produto), Gonçalo Cabrita (CEO), João Igor (responsável de comunicação) e Liliana Marques (gestora de fundos), já vendeu 15 máquinas destas para regiões como Madeira e Lisboa e para o mercado italiano.

A CoolFarm está a negociar contratos com grupos de retalho e empresas de produção de molhos e sabores, mas a máquina também serve para agricultores, restaurantes, hotéis, cruzeiros, centros médicos e centros de pesquisa. A empresa espera receitas de três milhões de euros até ao final deste ano.

O in/store é um sistema automático fechado e vertical, com um ambiente limpo e climatizado no interior. Graças ao cultivo pela técnica de hidroponia – sem terra -, usa-se 90% menos água do que a agricultura tradicional e não são necessários nem pesticidas nem herbicidas.

O equipamento é personalizável e composto por módulos que começam nos 100 metros quadrados de área de produção, mas que podem ser aumentados tanto vertical como horizontalmente, proporcionando um rápido retorno do investimento.

Como funciona como uma espécie de laboratório, este sistema minimiza o risco de contaminação através do uso de filtros de ar absolutos e pressão positiva para evitar a entrada de poluentes e partículas finas. As plantas são vendidas vivas, limpas e prontas a serem consumidas. Vêm dentro de uma caixa, com um substrato em cubos ou vasos e as sementes que o cliente pretende.

Com uma equipa de perto de 20 pessoas, a CoolFarm está distribuída por três cidades: Coimbra – o desenvolvimento é feito no Instituto Pedro Nunes -, Torres Novas, onde é desenvolvida a eletrónica e as máquinas, e Lisboa, que centra o departamento financeiro.

“Nespresso para plantas”
João Igor e Gonçalo Cabrita, dois dos fundadores da CoolFarm, conhecem-se desde os cinco anos Na faculdade, João foi estudar design e comunicação, enquanto Gonçalo seguiu para a área de robótica. Os dois amigos reencontraram-se no bar da faculdade, em Coimbra, e marcaram um jantar. João tinha acabado de abrir a primeira empresa para fazer aplicações para iOS e Android. Repararam que Gonçalo tinha na varanda morangos e ervas aromáticas a crescer, controlados automaticamente.

Em conjunto com Liliana Marques, que estava a dar aulas de engenharia civil também em Coimbra, começaram com a ideia de uma aplicação que permitisse regar as plantas quando as pessoas estão de férias para que não secassem. A brincadeira tornou-se séria porque “é difícil encontrar vegetais de qualidade no supermercado. As pessoas comem muito mal na cidade e não sabem de onde vêm os vegetais.” Ou então é muito caro.

Com a ideia a ganhar raízes, os três amigos participaram no programa de aceleração Lisbon Challenge, organizado pela Beta-i. Como foram selecionados, Gonçalo cancelou o doutoramento, João fechou a empresa e à equipa juntou-se Eduardo Esteves.

“Durante o programa, começámos a desenvolver um vaso, uma espécie de “Nespresso para plantas”, em que colocávamos a semente, controlávamos a planta e ficava tudo pronto. O projeto era muito sexy mas não estava a resolver o problema das famílias que queriam comer vegetais a partir do supermercado”, recorda João Igor.

Com a divulgação que a proposta teve na altura, a CoolFarm começou a receber contactos de agricultores, que olharam para o sistema de inteligência artificial e para os computadores. “Nas estufas há muitas variáveis que, desta forma, podiam ser controladas. Para nós, era uma solução muito mais económica do que entrar no mercado para o consumidor, que obriga a investimento avultado.”

Nessa altura a empresa passou do vaso para o computador industrial para estufas, o in/control. “Esta solução minimiza os erros dos agricultores, dá informação sobre o estado de saúde da planta e funciona em cloud.” Ao reunir a inteligência artificial com tecnologia web e cloud, o sistema introduz o sistema de receita para o crescimento das plantas.

Com o investimento de um milhão de euros da parte do grupo DigiDelta, a CoolFarm arrancou em 2015 com um laboratório instalado em Torres Novas. Depois de quase um ano em investigação e desenvolvimento, a empresa instalou os primeiros sistemas de controlo em armazéns verticais em Londres e numas estufas na Batalha.

Só que as estufas deixaram de interessar à empresa portuguesa. “Queremos estar ao pé das pessoas. Não faz sentido estar nas estufas porque é altamente poluente”, devido à pegada ecológica gerada pelo transporte.

De olho na China
Em 2017, a CoolFarm obteve mais de um milhão de euros de euros de investimento através do programa Portugal 2020. Com o mercado asiático na mira, até ao final do ano, vai fazer o desenvolvimento de negócio na Coreia do Sul e está de olho na China, onde a população está cada vez mais concentrada nas cidades e os níveis de poluição não permitem fornecer produtos de qualidade.

Em Portugal, está previsto o crescimento da equipa, sobretudo nas áreas de engenharia, vendas e horticultura. Até ao final de 2018, a CoolFarm passará a contar com uma equipa de 25 pessoas. Para os próximos anos, a máquina da CoolFarm deverá chegar aos agricultores urbanos, que poderão alugar o equipamento e depois contar com o apoio da empresa para o desenvolvimento do negócio.

Participação em Tel Aviv

A CoolFarm representou Portugal em 2016 no festival de inovação DLD, realizado em Israel. A startup venceu o concurso promovido pela Embaixada de Israel em Portugal graças a Liliana Marques, uma das fundadoras.

Correu muito bem. Conseguimos perceber como funcionava este mercado, que era um dos nossos principais objetivos. Percebemos em Israel que as estufas são muito conservadoras. Isto ajudou muito a focar-nos no mercado urbano. Ao fim de um ano, continuamos a comunicar e a ver potencial de negócio neste país.”

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