novos negócios

HydrUStent. Eles procuram 500 mil euros para acabar com as infeções

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

Startup de Guimarães desenvolve cateteres biodegradáveis para ajudar no tratamento das pedras dos rins.

O tratamento das pedras nos rins está longe de ser o ideal; atualmente, os dispositivos médicos aplicados, como os cateteres ureterais, originam graves infeções bacterianas e permitem que cresçam cristais na superfície, obstruindo o fluxo de urina dos rins para a bexiga. A partir de Guimarães, a HydrUStent é uma startup portuguesa que está a desenvolver dispositivos médicos biodegradáveis para acabar com as infeções bacterianas e reduzir em 60% o tempo de tratamento.

“Estamos a falar de um dispositivo médico usado todos os dias em diversos tipos de cirurgia e que permite manter o fluxo de urina do rim para a bexiga. É importantíssimo para o dia a dia e conforto do paciente e é muito útil em casos de doença urológica: qualquer inflamação ou obstrução do canal uréter pode ser aliviada com a colocação deste dispositivo médico”, explica Alexandre Barros, um dos fundadores da HydrUStent, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Atualmente, os cateteres ureterais são feitos de plástico não degradável. Um mês depois de colocar o cateter, o médico deveria ter o paciente à sua frente para o remover. Além disso, se ficar dentro do corpo mais do que um mês, pode desenvolver infeções bacterianas e as pedras que crescem no rim aderem à superfície destes cateteres. A HydrUStent recorre ao hidrogel para construir estes dispositivos, um “material mais confortável para o paciente” e que pode degradar-se “em duas semanas ou num mês”.

O desenvolvimento deste projeto começou a partir de uma investigação na universidade do Minho e da ligação ao laboratório português 3B’s, (Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos) criado em 1998 para atuar na área de engenharia de tecidos e medicina regenerativa.

O projeto de investigação desenvolvido pelo próprio Alexandre Barros, em conjunto com Rita Duarte, Estêvão Lima (diretor de Urologia no Hospital de Braga e em toda a rede CUF) e de Rui Reis (diretor do centro de pesquisa do laboratório 3B’s) evoluiu no final de 2015. Recebeu o prémio de 50 mil euros do concurso Novo Banco Inovação. O montante foi usado para “pensar no projeto como um modelo de negócio”.

Seguiu-se, em maio de 2016, a constituição da HydrUStent como empresa e foram aprovadas as patentes da tecnologia. Esta solução, além disso, foi validada em modelo animal.

O próximo grande passo está dependente de mais investimento na empresa. São necessários, para já, 500 mil euros para arrancar com o fabrico em série dos cateteres e a consequente validação em ensaios clínicos. Este montante poderá ser obtido “através de sociedades de capital de risco ou de fundos comunitários”, aos quais esta startup já se candidatou. Conforme a nacionalidade dos potenciais investidores, os ensaios clínicos poderão ocorrer em Portugal ou na Holanda. Depois disso, a HydrUStent vai procurar mais 1,5 milhões de euros no mercado.

A empresa de Guimarães não está apenas a desenvolver dispositivos médicos biodegradáveis para tratar das pedras nos rins. “Atualmente, temos três linhas de investigação: cateteres biliares e pancreáticos e cateteres capazes de libertar fármacos”.

Alexandre Barros explica que o médico, durante o tratamento de cancro no uréter ou no rim, “tem de injetar as drogas anticancerígenas localmente”. Só que as drogas “não ficam tempo suficiente em contacto com as células cancerígenas devido aos movimentos peristálticos (involuntários)”. No laboratório foi criado um cateter que “liberta localmente diferentes fármacos no tratamento de tumores do rim ou do uréter”, o que permite aumentar o tempo de contacto destes fármacos com as células cancerígenas.

Após receber o investimento total de dois milhões de euros, a empresa espera ter, em dois anos, a marca CEE para licenciar ou vender a tecnologia em toda a Europa. Seguem-se os mercados dos Estados Unidos e da China. No futuro, quem sabe, a HydrUStent poderá ser vendida às grandes empresas de dispositivos médicos e que “costumam comprar estas soluções” para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.
Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
REUTERS/Rafael Marchante

Centeno diz que Estado poupa 100 milhões com pagamento antecipado ao FMI

Theresa May, primeira-ministra britânica, fala no parlamento britânico. 10 de dezembro de 2018. REUTERS

Brexit: May admite que risco de sair sem acordo está a aumentar

REUTERS/Eloy Alonso

CTG substitui membros do Conselho de Supervisão na EDP

Outros conteúdos GMG
HydrUStent. Eles procuram 500 mil euros para acabar com as infeções