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Imaginando. Dar música aos estrangeiros com tecnologia portuguesa

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Aplicações para smartphone e tablet criadas em Braga chegam às discotecas de São Francisco, Nova Iorque e Berlim sem qualquer investimento externo

Parte da música que é utilizada em algumas das maiores discotecas do mundo tem mãos portuguesas. Isso é possível graças à Imaginando, startup sediada em Braga que desenvolve tecnologia áudio para músicos, engenheiros de som, DJ e produtores, sobretudo para o mercado internacional, e que já deu lucro no segundo ano de operações. Mas até nascer o projeto houve uma maratona a percorrer.

A ideia começou a ser pensada em 2001. Nuno Santos tinha, na altura, 19 anos e estava a regressar de Inglaterra. “A Imaginando surgiu de uma vontade enorme em fazer acontecer, tal como diz o nome. Tinha o sonho da eletrónica e acabei por juntar a paixão pela tecnologia com a paixão pela música, até porque sempre usei um computador para criar música.”

A paixão foi partilhada com dois amigos, Rui Antunes e Bruno Brandão. Entretanto, Nuno Santos já começava a criar música eletrónica com os programas que existiam. Pouco depois, o fundador da Imaginando acabou por ir estudar Engenharia de Sistemas e Informática. Já licenciado, passou pela indústria eletrónica. Trabalhou em várias empresas da área, entre as quais a Edigma, que cria soluções digitais interativas multitoque e com reconhecimento gestual.

A Imaginando só foi fundada em maio de 2014, através da criação de sistemas e aplicações que funcionam nos smartphones e tablets iOS (Apple) e Android. No caso do software da Google, a aposta foi mais compensadora. “Inicialmente, o Android não era associado à indústria do áudio, o que fez que houvesse muito menos aplicações nesta área.” A Imaginando lançou no ano passado o DRC, um sintetizador analógico virtual, ou seja, que tenta reproduzir os sons originais de um equipamento rígido. A combinação destes dois fatores gerou uma grande oportunidade para apostar no mercado internacional.

Os Estados Unidos são o maior mercado e representam praticamente um terço das vendas (30%), seguidos de Alemanha (15%), Reino Unido (7%), França (6%) e Itália (5%). Portugal apenas representa 1% das vendas e isso tem que ver com o facto de este tipo de tecnologia ser usado principalmente em grandes cidades culturais, como São Francisco, Los Angeles, Nova Iorque, Londres, Paris e Berlim.

Com a aposta no mercado internacional, a Imaginando obteve receitas de 60 mil euros no ano passado, o que permitiu chegar aos lucros logo no segundo ano de atividade. Para este ano, as expectativas são mais elevadas e espera-se uma faturação de 110 mil euros.

Com um investimento total de 12 500 euros ao longo de dois anos, a Imaginando afasta a hipótese de recorrer a investimento externo e pretende aumentar as vendas próprias. “Prefiro aplicar mais esforço a desenvolver o meu negócio do que aplicá-lo à procura de investidores”, diz Nuno Santos.

“Prefiro aplicar mais esforço a desenvolver o meu negócio do que aplicá-lo à procura de investidores”

Incubada no edifício GNRation, espaço orientado para a promoção de atividades artísticas e para a exploração e disseminação das artes digitais, a Imaginando conta atualmente com duas pessoas, uma delas a tempo inteiro. Além do fundador, Nuno Santos, acabou por juntar-se o amigo Bruno Brandão, economista e empresário de profissão e que também é um grande apaixonado pela música.

Com três aplicações no mercado, esta startup já tem mais de 30 mil downloads mensais e foi uma das finalistas do Prémio Nacional das Indústrias Criativas, promovido pela Unicer e pela Fundação de Serralves. A conversa telefónica com Nuno Santos ocorreu poucos dias depois de a Imaginando ter estado pela primeira vez num dos maiores festivais de música europeia, o Eurosonic, realizado na Holanda e que serviu para “perceber como chegar aos artistas”.

Para o futuro, o grande objetivo é conseguir transformar o software – os teclados sintetizadores – em instrumentos físicos e que possam ir além das aplicações para os smartphones. O projeto da Harpa Laser, que conta com cordas de raios laser, é um dos caminhos para os próximos anos desta startup.

Harpa laser – Quando as cordas não existem mas dão som

Uma harpa sem cordas mas que dá som é uma harpa laser. Este é o primeiro instrumento físico criado pela Imaginando e que está a ser desenvolvido desde 2015 por esta startup. Começou por ser uma instalação para os Laboratórios de Verão no âmbito da Noite Branca de Braga de 2015, mas já foi utilizada em ativações de marca e eventos. A estrutura de ferro com mais de dois metros de altura é uma das razões para este interesse. Mas o segredo está na tecnologia.

Este instrumento emite som sintetizado eletronicamente quando os raios laser são interrompidos com a passagem da mão, o que permite criar melodias tal como uma harpa vulgar. O desenvolvimento deste instrumento é um dos principais projetos da Imaginando para os próximos anos.

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