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Neste campo, 150 recrutas treinam para a Web Summit

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Na contagem decrescente para a Web Summit, 150 startups acertaram a estratégia que vão levar à maior cimeira de tecnologia da Europa

Nas mesas corridas, como na escola, sentam-se com uma cadeira de intervalo. O entusiasmo e os nervos cabem na mesma balança. É nas fábricas caídas do Beato, transformadas em hub de startups há um ano, que os 150 fazedores selecionados pela organização da Web Summit para o bootcamp vão afinar a estratégia antes de serem lançados às feras, dentro de duas semanas. São os últimos quilómetros antes da meta e ninguém quer ficar para trás.

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Inside Web Summit - Episódio 6 Fique a conhecer todas as novidades da Web Summit, agora também em video.

As boas vindas ao evento são dadas com café, chocolate e um aviso: assim que entram nos pavilhões da FIL, é fácil perderem-se lá dentro. Natacha Parreira aprendeu essa lição no ano passado. “É avassalador, há muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. É preciso haver uma grande filtragem sobre o que é realmente importante. Só lá é que se sentem as dores do momento”, conta ao Dinheiro Vivo uma das fundadoras da Invitta, que este ano trocou de camisola e vai à Web Summit pela Pluralo.

O primeiro projeto ganhou asas e hoje voa sozinho. O foco de Natacha está agora na startup que criou de raiz – uma plataforma de gestão de reservas para operadores turísticos. “Uma empresa que faz percursos de barco pela costa, por exemplo, tem de gerir as reservas, a disponibilidade e a frota em múltiplos canais de venda. Nós criamos automatismos para que possam estar focadas apenas na experiência final do consumidor”, explica.

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A preparação de Natacha e dos três sócios para a Web Summit começou há semanas e obriga a horas extra. “É um trabalho muito intenso. Temos de perceber quem vai lá estar e quem interessa contactar. A lista de nomes é muito extensa, o que implica muitas horas a olhar para ela”.

O objetivo da Pluralo na cimeira é encontrar parcerias com outras empresas, mais do que angariar investimento. “O bootcamp ajuda-nos a refletir. Obrigam-nos a pensar no que queremos sentir quando lá estivermos e que abordagem vamos ter”. Natacha sabe que leva vantagem face à maior parte das startups que estão no campo de treino. “Acho que por não ser completamente novo para mim, este ano vamos conseguir ir mais bem preparados e com os pés mais assentes na terra”, confessa.

Para João Nuno Martins a experiência vai ser nova, mas não é por isso que as expectativas estão elevadas. “Todo este trabalho focado na angariação de fundos é novo para mim. Estou a aproveitar a experiência para estar próximo de pessoas que estão a desenvolver projetos. Não estou com muitas expectativas em relação aos resultados da participação na Web Summit”, conta o fundador da Front Files.

Com uma empresa que já dá cartas na América do Sul e que quer ser “o primeiro marketplace do mundo” para ligar jornalistas independentes a empresas de media, João olha para a Web Summit como um local para se dar a conhecer. Até porque, conta, “o financiamento virá de alguém que vê para além do negócio e do lucro”. No entanto, o fazedor que já foi músico, engenheiro alimentar e produtor de espetáculos, admite que será “uma boa oportunidade para identificar potenciais parceiros”.

A Front Files não é uma das 150 empresas selecionadas pela Web Summit com direito a treino e 50% de desconto no preço do bilhete. Mas aceitou a sugestão da Startup Portugal para estar presente no bootcamp e “enriquecer a participação” na cimeira tecnológica que arranca a 6 de novembro, em Lisboa.

É também lá que vão estar Margarida Furtado e Tiago Pereira, que já sabem exatamente ao que vão: “queremos investidores que nos ajudem a dar o salto para a expansão internacional”, contam os project managers da INIU – Your True Nature. Não será difícil encontrarem os crachás vermelhos que sinalizam os donos do dinheiro. É que esta startup que promove a alimentação saudável vai ter um corner de restauração mesmo ao lado do lounge dos investidores, para dar a conhecer os sumos feitos a partir de purés de frutas e legumes que produzem.

Sabia que: Vem dos Açores para a Web Summit? Tem desconto na viagem

Prometem um “produto disruptor que vai criar ondas”, mas sabem que têm de aprender a vendê-lo melhor. “Viemos recolher estratégias para aproveitar a Web Summit ao máximo”, diz Margarida, que não esconde os nervos quando lhe é pedido para fazer um pitch perfeito em menos de 20 segundos.

Não é a única. “O nosso pitch não é o melhor do mundo. Nos EUA fazem melhor”. O recado é dado aos 150 recrutas por Maria Miguel Ferreira, diretora da Startup Portugal, logo no arranque do bootcamp. É por isso que traz um brinde: espalhadas por todo o país vão estar cabines [booths – como os de fotografia] que vão preparar os fazedores para apresentações de 90 segundos. E haverá avaliação.

Para Leonor Piller, que é tão estreante na Web Summit como no mundo das startups, a iniciativa vem mesmo a calhar. “Neste momento somos uma esponja. Sabemos que a maior parte das startups que aqui estão são do meio tecnológico e queremos aparecer, encontrar clientes.”

Leonor vem representar a Smartlunch, uma empresa de embalagens de marmitas com quiosques espalhados em todo o País, e que agora se prepara para dar um salto: lançar uma espécie de rede social para partilha de refeições. E para isso precisa de um investidor.

“Estamos a criar um produto que vai ligar os utilizadores de marmitas. Um online market place para pessoas que tenham tempo extra ou comida a mais e e que queiram vender”. O objetivo é lançar a plataforma em janeiro recorrendo, inicialmente, a fornecedores profissionais. Mas, no futuro, qualquer pessoa poderá entrar. E as refeições terão o selo e a embalagem SmartLunch. “O esforço de preparar uma marmita ou preparar duas ou três é praticamente o mesmo”, lembra Leonor, enquanto espera por mais uma palestra do bootcamp.

A caça aos investidores também é a principal razão para Hugo Ferreira, Ricardo Maximiniano e Diana Prata participarem na Web Summit. Os 100 mil euros que a NeuropsyCAD recebeu da CaixaCapital estão no fim. “Estamos numa fase de desenvolvimento da plataforma, no início da validação clínica, e precisamos de apoio. Não só financeiro mas também de mentoria para escalar o negócio”, diz Hugo que criou com os dois parceiros um projeto que ajuda a detetar precocemente doenças neurológicas como o Alzheimer ou Parkinson. Fazem-no através da leitura de ressonâncias magnéticas com Inteligência Artificial.

Dinheiro já não é o problema da Blocks. A startup fundada por Duarte Vasconcelos para fabricar impressoras 3D está a fechar uma ronda de investimento de série C.
A empresa esteve fechada a investidores durante dois anos, apesar de ter recebido várias propostas.

Só quando conseguiram provar que o modelo funcionava, depois de venderem mais de 300 impressoras, é que os três fazedores acharam que era tempo de dar o salto. “Começámos com 600 euros em 2015 e não investimos mais nada”. A experiência Web Summit também não é nova para Duarte, que esteve na última cimeira e saiu de lá “sem perceber bem como a coisa funcionava”. Admite que veio ao bootcamp para “aprender com a experiência e os erros dos outros”.

E se o pitch final ainda está a ser afinado, o mote há muito que está decidido: “O mundo merece saber que a Blocks existe”. Depois de dois dias de regresso às aulas, as cadeiras voltam a arrumar-se nas secretárias e o espaço vazio do primeiro dia desapareceu. Os 150 escolhidos estão nisto juntos até ao fim. E já só faltam 15 dias.

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