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Digital Freedom. Neste festival há banhos de gelo, política e meditação

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Digital Freedom Festival realizou-se pela terceira vez em Riga, na Letónia, e o Dinheiro Vivo acompanhou os dois dias do evento em exclusivo.

Um festival com tempo para escutar, perguntar, abrir a mente e aprender. Este é o Digital Freedom Festival (DFF), evento que decorreu em Riga, na capital da Letónia, esta sexta-feira e sábado. Embora seja digital no nome, neste festival fala-se muito mais do que de tecnologia: transforma-se o nosso corpo e a mente com um banho de gelo, debate-se a transformação da democracia e a igualdade de género e ainda há espaço para meditação, investimento e urbanismo.

Ainda seja pouco conhecido na Europa, este festival surpreende pela qualidade dos oradores e das experiências proporcionadas em cinco palcos ao longo de dois dias. O Dinheiro Vivo acompanhou este evento em exclusivo para Portugal e conta-lhe alguns dos melhores momentos.

O início
Em 2015, Dagnija Lejina, Juris Sleirs e Uldis Leiterts estavam num bar a beber vinho e a conversar. “Sentíamo-nos gratos por poder viajar por todo o mundo. Mas queríamos dar um presente pelo centenário da Letónia [celebrado este ano]”, recordaram os co-fundadores na apresentação.

Mas este não podia ser um mero festival sobre tecnologia no Báltico. “Pensámos numa plataforma para mentes curiosas e pessoas digitais. Encorajamos os jovens a criar startups e a pensarem que tudo é possível.”

Foi assim que em 2016 arrancou o festival DFF, que recebeu 1000 pessoas no edifício da organização cultural Riga Latvian Society. Na terceira edição, participaram 1500 pessoas de 40 países. O tema deste ano foi dedicado à relação entre a máquina e os humanos.

Variedade

O festival vai muito além da tecnologia, como nos mostrou John Carstairs. Veio do Reino Unido para tomar um banho de gelo ao vivo e mostrar o poder do biohacking, ou seja, a capacidade de a mente transformar o nosso corpo e de o tornar um organismo muito mais preparado para lidar com a adversidade.

O banho de gelo – prática cada vez mais comum nos atletas de alta competição – serve para criar um momento de stress de curto-prazo ao nosso corpo. “Tal e qual como na natureza, que não está preparada para lidar com uma sociedade constantemente stressada como esta.”

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Carstairs, ele próprio, é um exemplo de superação: depois de um acidente de mota, disseram-lhe que tinha poucas probabilidades de voltar a andar; mais tarde, ficou em risco de só ter uma mão funcionar. Superou tudo com o poder da mente e atualmente dá treinos intensivos no Reino Unido.

O britânico levou este sábado os participantes a dar um passeio pela cidade de Riga numa altura em que estavam cinco graus negativos e todos estavam com roupas mais apropriadas para andar no ambiente aquecido da Riga Latvian Society.

A seguir, pôs os participantes a sentirem os mesmos efeitos do consumo de LSD mas sem terem tomado esta droga. Isto era possível porque os participantes estavam de olhos fechados durante 3 minutos e 40 segundos de uma luz psicadélica. Crê-se que foi possível ver várias imagens apesar de olhos estarem fechados.

Por falar no corpo humano: num dos palcos paralelos decorreram várias sessões de meditação e de mindfulness com o instrutor tailandês John Paramai.

Eventos como o DFF acabam por ter um problema (bom): ao mesmo tempo, nos outros palcos, discute-se o futuro da publicidade, as mudanças na indústria da IoT (Internet das Coisas) ou então há apresentações de startups.

Acessibilidade

Eventos como este permitem que os participantes possam realmente conversar com os oradores, dentro ou fora das apresentações. No final de cada sessão, o público foi sempre convidado a fazer algumas perguntas; fora dos palcos, os oradores estiveram constantemente disponíveis para trocar impressões. Algo impensável nos grandes eventos de tecnologia.

Também se assinala o facto de cada apresentação ter durado pelo menos 20 minutos, o que permitiu aos participantes compreenderem de facto o tema que estava a ser discutido.

E a tecnologia?

Naturalmente se falou do impacto da tecnologia em várias questões da sociedade. A francesa Amélie Cordier explicou a necessidade de nós, os humanos, termos de educar os robots e usar a inteligência artificial para fins realmente positivos.

O britânico Jamie Susskind destacou o poder e a influência que a tecnologia está a assumir nas decisões dos eleitores. “Estamos a correr o risco de privatizar a nossa liberdade de expressão, de pensamento e de consciência a grandes empresas tecnológicas”, alertou o autor do livro Future Politics: Living Together in a World Transformed by Tech.

Entre o mundo analógico e o mundo digital, Susskind recomendou a existência de “engenheiros filosóficos”, que possam pensar na tecnologia com uma perspetiva socialmente mais consciente.

Diversidade, sexo e urbanismo

No festival DFF também não faltou espaço para discutir as questões de género e da sexualidade. Kristina Roth mostrou a comunidade SuperShe, que pretende que as mulheres se tornem totalmente independentes e viradas para a modernidade.

Nascida na Alemanha, a fundadora desta comunidade falou ainda sobre o polémico projeto da ilha só para mulheres, programa de atividades de uma semana numa ilha privada na Finlândia.

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A norte-americana Kate Horowitz esteve a falar sobre o futuro da sexualidade e a necessidade de as pessoas expressarem, de forma verbal ou não-verbal, a vontade de se quererem relacionar com outras pessoas. A apresentação focou-se bastante na questão do consentimento, “que pode ser revogado a qualquer momento e mesmo de forma não-verbal”.

Houve ainda espaço para debater a necessidade de as cidades se virarem cada vez mais para as bicicletas e não para os carros, como referiu o especialista dinamarquês Mikael Colville-Andersen.

Investimento

No festival deste ano, entre os 1500 participantes, estiveram presentes 50 investidores que vinham com mil milhões de euros de potencial financiamento na bagagem. Neste ponto, destaque para as aceleradoras 500 Startups (Estados Unidos) e Rockstart (Holanda), que premiaram as melhores startups do DFF.

A Asya é uma startup da Letónia que recorre à inteligência artificial para aumentar a atenção das pessoas para os outros e ficou a uma entrevista de ser escolhida para a próxima ronda de aceleração da 500 Startups. A CostPocket quer evitar o desperdício de faturas e, graças a isso, ficou a uma final de distância de entrar no próximo programa de aceleração da Rockstart.

O Dinheiro Vivo falou com vários dos oradores que participaram no festival DFF. As entrevistas serão publicadas ao longo das próximas semanas.

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