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GetSocial: Transformar lojas online em redes sociais

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A nossa mente está treinada para evitar perdas e falhanços, mais
que arriscar e valorizar os ganhos. Mas quando os fundadores da
Wishareit perceberam que a empresa não ia a lado nenhum, desistiram
dela. Sem medo. João Romão e Pedro Moura tinham ganho tudo o que havia
para ganhar com esta start up, criada no final de 2011 com João
Gomes e Nuno Rochinha.

Venceu o prémio Bet Católica/IAPMEI de
empreendedorismo, foi ao South by Southwest, depois de ganhar o
concurso da AngelList e apareceu na comunicação social como uma das
melhores start ups portuguesas. Tinha tudo para dar certo. Mas não
deu.

“Queríamos ajudar as pessoas a encontrar, a dar e a receber os
melhores presentes com os amigos e família. Infelizmente, a
Wishareit não conseguiu escalar o negócio, devido ao facto de se
basear num modelo que era sustentável apenas em grande escala”,
explica João Romão, CEO da empresa que surgiu do primeiro falhanço,
a GetSocial.

A empresa ganhava uma comissão por cada produto comprado via
Wishareit, mas muitos desses produtos não podiam ser monetizados.
Precisava de largos milhões de utilizadores para ser rentável, o
que nunca aconteceu. Em maio de 2013, acabou o tempo. E o dinheiro.
“Tivemos de meter a mão na consciência e perceber que a Wishareit
não iria a lado nenhum com os recursos que tínhamos”, admite o
diretor operacional, Pedro Moura. Discutiram se iam todos à procura
de emprego ou se conseguiam modificar e aproveitar aquilo que já
tinham para fazer um novo modelo de negócio – e descobriram que sim.

Aprenderam com os erros. “Hoje em dia há muito o mito de que uma
pessoa faz uma boa plataforma B2C [business to consumer], com ligação
direta ao consumidor final, e que se for bom as pessoas vêm. É
mentira. O viral é mentira”, sublinha Pedro Moura. “Estávamos
naquele engodo de todos os grandes exemplos de que ouvimos falar, do
Facebook, do Google, do Pinterest. O B2C é muito bonito, mas para se
conseguir atingir fasquias de milhões de utilizadores é preciso
muito dinheiro. O viral começa no milhão de dólares.”

A equipa fechou a empresa e acionou o que João Romão chama de
“plano Z” – algo em que já tinham pensado se o resto falhasse. O
capital que os investidores tinham injetado na Wishareit foi
transitado para a nova empresa, que mudou o foco dos consumidores
para as empresas. A ideia passou a ser tornar as lojas online em
experiências sociais para os clientes e pôr as pessoas a recomendar
os produtos. Praticamente todas as lojas com que falaram disseram que
queriam ser mais sociais e colaborativas.

Perante este sinal
positivo, voltaram à Portugal Ventures para tentar obter
financiamento. Já lá tinham ido antes com a Wishareit, pedindo 250
mil euros, mas o organismo recusou. “Consideraram que era muito
arriscado e que não tinha mercado, e nós hoje conseguimos perceber
que o negócio B2C é muito mais arriscado do que o negócio B2B”,
frisa Pedro Moura.

Desta vez, o desfecho foi diferente. Não só a Portugal Ventures
acedeu ao pedido, como também a Faber Ventures entrou na ronda,
somando 630 mil euros (50% cada uma). Tudo no espaço de um mês.
“Isto provou que o investidor quer não só ver um potencial de
retorno mas também uma diminuição do risco associado ao
investimento.”

O que a GetSocial está agora a fazer é negociar com as grandes
empresas, tendo como base a lista das 500 maiores na Europa, 500
maiores nos Estados Unidos e 300 maiores na América Latina. “Estamos
a fechar a primeira loja, é pequena mas é uma primeira
experiência”, indica Pedro Moura. A intenção é chegar a
receitas de um milhão de euros em 2014 e atingir o break-even no
final do ano. Queremos aumentar as vendas das lojas online entre 5% e
10% e captar 0,25% a 0,5% das receitas dessas lojas a nível anual,
tudo através da instalação de pequenos códigos de software no
site que o transformam numa espécie de rede social. Cada vez que a
pessoa faz uma ação dentro da loja – gostar, recomendar a alguém,
desejar, comprar -, isso automaticamente cria uma história no
Facebook. Diz que “João Romão desejou isto” ou “Pedro Moura
comprou aquilo”, por exemplo.

“Dificilmente iremos a lojas de porcas e parafusos, porque não
é uma coisa que as pessoas gostem de fazer em conjunto com os seus
amigos”, diz Pedro, referindo que isto é como pôr os clientes a
fazer o marketing pela loja. “As pessoas estão fartas de ver
anúncios e posts das lojas. O que advogamos é passar à fase em que
são as próprias pessoas a promover a loja ou os produtos junto dos
seus amigos.”

Segundo a experiência na Wishareit, cada utilizador traz 12
amigos para a plataforma e um post no Facebook é 23 vezes mais visto
do que um post normal. O problema das lojas online, marcas e
empresas, diz João Romão, é que são eficientes a gerir
comunidades online, mas não a converter 600 mil gostos em vendas.

Os mecanismos introduzidos pela GetSocial “aumentam o
envolvimento dentro da plataforma e convertem-se em vendas por haver
mais tráfego.” A prioridade são mercados como o Reino Unido e o
Norte da Europa, mas também Portugal – lojas como a Worten ou a
Fnac, por exemplo. “Se o produto não for apelativo, fácil de
partilhar, fácil de gostar, de dizer “quero isto”, não faz
grande sentido. As pessoas não vão pôr numa wish list um quilo de
cebolas. Vão pôr uns brincos, vão desejar um MacBook”, conclui
João Romão.

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