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GFoundry: Esta aplicação põe os trabalhadores a remar para o mesmo lado

Luísa Piló e João Carvalho,  da empresa GFoundry. Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens
Luísa Piló e João Carvalho, da empresa GFoundry. Fotografia: Leonardo Negrão/Global Imagens

Entre Lisboa e Porto, esta startup quer promover a "cultura da felicidade" e trocar os reconhecimentos por moeda virtuais

Colocar os trabalhadores a remar todos para o mesmo lado é um desafio diário para qualquer empresa. A solução está à vista graças à GFoundry. Esta startup portuguesa reúne quatro ingredientes para envolver os colaboradores: a gamificação, o mobile, as ferramentas de análise de dados e a componente social. Luísa Piló, responsável comercial, e João Carvalho, responsável tecnológico e um dos fundadores, ajudam-nos a explicar a receita do software da GFoundry.

A ideia é promover a motivação entre os trabalhadores. “Se valorizar os colaboradores com jantares ou um dia extra – que o dinheiro não pode comprar -, é um negócio rentável. As pessoas produzem mais se forem valorizadas”, refere João Carvalho. O responsável tecnológico assinala que “a gratificação em dinheiro é um método muito antigo. A geração Y (millennials) valoriza outras características, como estar menos tempo no escritório ou ter mais flexibilidade no horário”.

O primeiro ingrediente da GFoundry é a gamificação, processo que recorre a mecânicas de jogo para resolver problemas e envolver os utilizadores. Isto concretiza-se através de rankings, medalhas, moedas virtuais e prémios, que podem ser trocados, num mercado dentro da aplicação, por dias de descanso ou por um lugar no parque de estacionamento da empresa.

A aplicação é totalmente digital e multiplataforma, sendo a aplicação para smartphones a versão com maior interação. “As pessoas não têm o hábito de agradecer”, diz João Carvalho. O reconhecimento é uma das principais áreas trabalhada pela empresa portuguesa e quer identificar características e competências dos colegas de trabalho. A oferta da GFoundry é apresentada com vários módulos, que o cliente pode usar conforme as necessidades.

O módulo formação permite a divulgação e interação com conteúdos que sejam formativos, como cultura interna ou de produto. O módulo reconhecimento permite identificar competências dos colegas de trabalho e ter uma visão panorâmica dos talentos disponíveis na empresa. E quem são os intervenientes que os detêm.

O módulo objetivos é usado para a definição de metas individuais ou coletivas, permitindo acompanhar a conclusão dos mesmos e tendo sempre em atenção os ingredientes fundamentais da gamificação. Além dos módulos, há ainda a componente social, em que cada utilizador pode acompanhar tudo o que se passa com os seus amigos. A GFoundry também desenvolveu o conceito das tribos, que permitem ligar pessoas por interesses comuns. A solução portuguesa conta com um chat entre trabalhadores.

A GFoundry pretende combater a falta de envolvimento dos trabalhadores com a cultura da sua empresa, a falta de comunicação interna e de práticas de reconhecimento.
A proposta portuguesa tem atraído vários tipos de empresas portuguesas, como a seguradora Fidelidade, o banco Santander, a tecnológica CGI e o grupo de bricolage Aki. Além de promover a formação interna dos trabalhadores, a GFoundry desenvolve outro tipo de soluções.

É o caso do código ambiental para os cidadãos de Lisboa, que inclui um questionário sobre poupança de energia. “Se os conteúdos estiverem no site ninguém os vai ler”, diz Luísa Piló.
A GFoundry desenvolve toda a plataforma com base nos conteúdos enviados pelas entidades com as quais colabora. A divulgação da marca (brand awareness) também é outra das componentes trabalhadas pela startup portuguesa.

Entre Lisboa e Porto
A GFoundry está dividida entre as duas principais cidades portuguesas. No Porto está a equipa tecnológica de programadores. A GFoundry faz a venda do software através de licenças. Na capital, a empresa está incubada na Startup Lisboa, onde está concentrada a parte comercial e a gestão.

As duas cidades complementam-se tal como Luísa e João, que vieram de áreas completamente diferentes.

Luísa Piló, que entrou na equipa desta startup em novembro de 2015, licenciou-se em Economia e trabalhou nos últimos anos na área de recursos humanos. “Tive três empresas próprias na área da mobilidade profissional, apoiando quadros expatriados de multinacionais”. O percurso de João Carvalho tem sido feito na área tecnológica. Há mais de dez anos lançou a Ubbin, uma empresa de desenvolvimento de software localizada em Matosinhos.

Em 2011, a Ubbin entrou no programa Game Foundry, que, já na altura, contava com a lógica de gamificação. “Criou-se uma base de trabalho importante”, recorda João Carvalho.
Os cinco fundadores quiserem trazer o seu knowhow e experiência nas mais diversas áreas, desde as tecnológicas à banca, ao identificarem a necessidade de uma ferramenta com estas características e versatilidade. Foi assim que a GFoundry nasceu em 2014. “Apesar de ser uma startup, trazemos para dentro dela tecnologia com muita experiência. É um casamento muito feliz”, resume João Carvalho. Nesta união já foram investidos 340 mil euros.

Investimento e exportação
No terceiro ano de atividade, a GFoundry iniciou em agosto a sua segunda ronda de investimento, em que pretende dispersar entre 10% e 15% do capital.

“Depois de 12 meses no mercado e com provas dadas, sabemos que chegou o momento de passar à fase seguinte e iniciar a internacionalização do nosso produto”, destaca Luísa Piló. Espanha, França, Inglaterra e Holanda são os principais alvos “para implementar a tecnologia junto do cliente”. A startup portuguesa conta com uma valorização de três milhões de euros, o dobro do montante de há ano e meio. Na altura, a empresa foi valorizada em 1,5 milhões de euros e vendeu 5% do capital aos investidores.

A GFoundry também está a tentar desenvolver um lado “self-service, a capacidade de um cliente nosso no outro lado do mundo pagar uma mensalidade ou anualidade e usar a plataforma autonomamente”, adianta João Carvalho.

Este será um sistema padrão e ideal para empresas com 30 ou 40 pessoas. O objetivo é desenvolver esta solução na altura da captação do investimento e reforçar a ligação entre a GFoundry e os seus parceiros.

Web Summit: Startup integra programa Alpha

A GFoundry vai ser uma das centenas de startups portuguesas que vão estar presentes na primeira edição da Web Summit realizada no nosso país. “Fomos das primeiras startups portuguesas a ser selecionadas pelo programa Alpha. Vai ser um semana intensa, de muita aprendizagem e de partilha.” O projeto espera sair do Parque das Nações “com novas oportunidades de negócio.”

O programa Alpha – assim como o Beta – dá acesso a uma competição de apresentações (pitch) às 200 melhores startups à frente de investidores, milhares de espectadores e de jornalistas. Este prémio foi ganho pela Codacy na Web Summit em 2014.

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