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GuestU. Eles querem pôr um smartphone em 20 milhões de quartos de hotel

Foto: GuestU
Foto: GuestU

Euclides e Marcelino criaram a primeira startup ligada ao turismo quando ainda não havia turistas para encher hotéis.

Não se chama Ambrósio, nem tira cafés. Fora isso, presta o serviço completo e ainda cabe na palma da mão. O concierge da GuestU foi criado há um ano por Euclides Major e Marcelino Moreno e já está instalado em mais de mil quartos de hotel.

Se é adepto de turismo de aventura, esta startup não é para si. Mas se no último ano ficou instalado num hotel do grupo Pestana, é provável que já tenha ouvido falar dela. A GuestU coloca smartphones em quartos de hotel, que o hóspede pode utilizar durante a estadia, dentro e fora do alojamento.

“O objetivo é conectar digitalmente os hóspedes com o hotel e com o ecossistema local”, explica o CEO Euclides Major ao Dinheiro Vivo.

A palavra-chave que conquista automaticamente os visitantes? É grátis. “O consumo de Internet não tem custos e as chamadas também não. O serviço é completamente gratuito e dá acesso a um conjunto de recomendações personalizadas sobre o que fazer na cidade. Permite reservar qualquer serviço que um turista na cidade precisa, como transporte, restaurantes ou tours. O foco é melhorar a experiência do viajante”, sublinha o fundador da GuestU.

O “telefone esperto” também faz magia no quarto. Além de chamar o room service ou marcar uma hora no spa, o mordomo da GuestU permite-lhe controlar as luzes, a temperatura do quarto e até mudar o canal da televisão. É este o futuro do turismo? “É só uma forma mais tecnológica de conhecer as cidades”, afirma Euclides Major.

Até ao final do ano, os “patrões” da GuestU querem multiplicar o número atual de quartos por cinco. Não só em hotéis como em plataformas de alojamento como o Airbnb. Ambição, aliás, é coisa que não falta aos dois fazedores. “Há 20 milhões de quartos de hotel em todo o mundo. Queremos pôr um smartphone em todos”, é o mote do pitch que apresentam aos investidores.

O atrevimento não lhes tem corrido mal. A GuestU começou por levantar uma ronda C de investimento de 600 mil euros com a Portugal Ventures. A essa primeira fase seguiu-se uma segunda ronda, já na liga dos crescidos, de 1,8 milhões de euros. Neste momento, o radar da GuestU anda em busca de investidores internacionais. “Estamos confiantes de que haverá novidades em breve”, assegura.

As primeiras podem vir em alemão. Em Munique, onde conversaram com o Dinheiro Vivo, os dois fundadores participaram no programa de aceleração de startups que o grupo Metro, dono da Makro, criou em parceria com a Techstars. Além de um investimento de 20 mil euros e uma mão cheia de cartões-de-visita, os fundadores da GuestU ganharam uma tarde de speed dating com investidores.

As dúvidas não variaram muito. A começar pela maior: se o serviço é gratuito, como ganham dinheiro?

“Através das subscrições dos hotéis, sendo que cada smartphone custa menos de dez euros por mês à unidade hoteleira. Também faturamos através de publicidade que entra nos smartphones e em comissões. Por exemplo, quando um hóspede chama um táxi ou um Uber, ganhamos uma comissão desse serviço”, explicam os fundadores. Ao próprio hóspede, a viagem será cobrada no check-out do hotel.

A outra grande preocupação dos investidores são os hóspedes de mão leve. “Pela experiência que temos até agora, são menos de 2% os utilizadores que roubam ou danificam o telefone. Temos forma de saber quando isso acontece e o smartphone fica inutilizável se for roubado”, garante Euclides Major. Quanto à concorrência, ela existe e vem de Hong Kong. “Não estamos preocupados, o mercado é muito grande e dá para todos”.

Por cá, a GuestU tem entre os seus parceiros os grupos Pestana, incluindo o Pestana CR7, e Iberostar, entre outros de menor dimensão, sobretudo em Lisboa e Porto. Mas a startup já tem 50 mil pontos de interesse identificados em todo o mundo.

Na ficha de números que os empreendedores usam para impressionar os investidores, há dois que Euclides e Marcelino revelam com mais orgulho. “Perto de 50% dos hóspedes que ficam nos hotéis com GuestU usam o telefone. E utilizam-no em média durante 72 minutos por dia. É brutal. As críticas mostram que os visitantes adoram e os hotéis também estão satisfeitos porque conseguem melhorar a sua reputação online”.

A incursão dos dois fazedores no apetecível mundo do turismo não é de agora e começou de fora para dentro. Euclides Major e Marcelino Moreno são os “culpados” pelos carrinhos amarelos que se atropelam nas ruelas da baixa lisboeta.

“A GuestU é a nossa terceira startup. Começámos há nove anos e hoje temos 14 marcas de animação turística em Lisboa. A GoCar foi o nosso primeiro projeto, foi uma ideia que trouxemos de São Francisco, nos EUA. Há nove anos a oferta turística em Lisboa não era nada do que é hoje. A partir daí fomos acrescentando meios de transporte e hoje temos tuk-tuks elétricos, bicicletas elétricas e segways em Lisboa, Porto e Madrid. No ano passado transportámos mais de 100 mil pessoas. Também temos escape rooms para promover ações de team building de empresas”, detalha Euclides Major.

Com a GuestU, os dois empreendedores querem transformar os mapas de papel em objetos de museu e proporcionar a cada hóspede uma estadia cinco estrelas.

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