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Habit Analytics. Renascer com passos seguros e um contacto na WebSummit

A equipa da Habit Analytics. Foto: Direitos Reservados
A equipa da Habit Analytics. Foto: Direitos Reservados

Quando a Muzzley foi ao tapete, ninguém baixou os braços. Adaptou-se a tecnologia, procurou-se novo investimento e nasceu a Habit com o foco nas empresas e os pés bem firmes no mundo dos seguros.

Quem acompanha startups sabe que a probabilidade de uma empresa falhar é muito elevada. Menos comum é uma companhia que caiu ao fundo do poço conseguir voltar à superfície e escalar o seu caminho para o sucesso. Esta é a história da Habit Analytics, antiga Muzzley, que está agora a trabalhar com seguradoras mundiais.

Nascida em 2013, a Muzzley tinha uma tecnologia que permitia controlar remotamente dispositivos como comandos de televisão. Era uma solução inovadora dirigida ao consumidor final [B2C]. Acontece que, conforme reconhece agora Domingos Bruges, um dos fundadores, esta tecnologia “foi muito cedo para o mercado, numa altura em que nem a Google tinha este tipo de soluções”. E esta é, em parte, a raiz do problema que teve de enfrentar: com a entrada das grandes tecnológicas, conquistar clientes tornou-se uma missão quase impossível.

“O produto era bastante interessante mas não conseguimos executar a parte final [chegar aos clientes]. Em 2016, a empresa estava financeiramente debilitada, com pouca capacidade até para continuar a operar”, conta Domingos, não escondendo que a situação era tão difícil que a firma estava quase em insolvência.

Para dar a volta à situação, a estratégia que traçaram passava por manter a tecnologia, mas direcioná-la para as empresas [B2B] e angariar financiamento. Por esta altura, Eduardo Pinheiro – o segundo fundador – decidiu sair e Domingos arregaçou as mangas e foi procurar quem estivesse disponível para apostar na Muzzley. “Foi durante a Web Summit [em 2016]. O capital acabou por chegar umas semanas depois, mas o acordo verbal com os investidores aconteceu na cimeira. Esse investidor foi-nos apresentado por outro que tínhamos. Falámos com estes novos investidores, eles gostaram da ideia e do que queríamos fazer.”

Um dos primeiros passos que se seguiram foi perceber que setor se conjugava melhor com a solução que tinham em mãos e em qual teriam mais impacto. E é assim que surge o mundo das seguradoras.
Nos primeiros meses de 2017, conseguiram o primeiro cliente. Depois, a situação financeira começou a melhorar e Domingos partiu para os EUA para integrar um programa de aceleração. Nessa altura ficou claro que a Muzzley tinha ainda um problema.

“Precisava de um cofundador com urgência. E de uma nova relação com investidores, porque apesar da reorganização havia um legado não muito positivo. Perguntámos aos acionistas o que queriam e dois disseram-se disponíveis para vender. Surgiu então um grupo de investidores a querer comprar, mantendo-me como CEO, e foi criada uma nova empresa, a Habit, focada em seguradoras e telecoms. Em termos de capital, adquiriu a totalidade da Muzzley”, conta Domingos.

A Habit agrega e analisa dados de várias fontes – como smartphones – e consegue ficar com algumas indicações dos consumidores que permitem novos serviços. E é isso que faz no ramo segurador, utilizando para tal os dados da central de alarme de cada casa e respeitando todas as regras da proteção de dados.

Os dados permitem perceber o estado dos alarmes e com isso a Habit consegue indicar à seguradora se há comportamentos anormais em determinado local, como consumos excessivos de energia ou menos abertura de portas do que é habitual; as seguradoras percebem se o cliente sabe que pode estar numa situação de risco e, por exemplo, se deve alertar as autoridades. O que também abre porta às seguradoras para novos negócios.

A Habit tem já 19 funcionários e quer crescer para 26, tendo sede em Nova Iorque e equipa técnica em Portugal. Para já, não está ativamente à procura de capital.

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