Hendrik Thoma: Vinho português “tem de envolver-se e trabalhar o perfil da diferença”

Master sommelier alemão
Master sommelier alemão

O master sommelier alemão Hendrik
Thoma veio a Portugal provar e selecionar os 50 melhores vinhos
portugueses para vender na Alemanha, que serão revelados
brevemente.

A Alemanha constitui o 7.º destino de exportação
dos vinhos portugueses e o 2.º em vinhos tranquilos, com crescimento
de 11,7% em valor. O objetivo para este mercado, a três anos, é
crescer 14%, tendo um investimento de 260 mil euros.

Ler mais: 50 vinhos portugueses… para Brasil
apreciar

Ao
Dinheiro Vivo, Hendrik Thoma, que esteve em Portugal a convite da
ViniPortugal, explica que a sua relação com o vinho português tem
quase 20 anos. “Observei e previ esta explosão em termos de
qualidade”, diz.

Qual a perceção do vinho português
no mercado alemão?

É muito positiva. Muitos alemães têm
contacto com os vinhos portugueses durante as suas férias. Depois
voltam para casa e nunca mais encontram a maioria das marcas, o que é
uma pena.

O facto de Portugal ser um país intervencionado
pela Troika prejudicou a imagem dos vinhos portugueses?

Não
creio.

Como pode o vinho português continuar a crescer na Alemanha?

Tem de envolver-se e trabalhar o perfil da diferença. O vinho é um negócio muito pessoal.

Quem
são os principais concorrentes dos vinhos portugueses neste
mercado?

Portugal tem um nicho na Alemanha e concorre com
todos. Mas desde que tenham um estilo muito individual, os vinhos
portugueses não têm, estatisticamente, concorrentes diretos.

Acha
que deve haver uma estratégia para o comércio e outra fora do do comércio,
ou as marcas devem ter um posicionamento abrangente?

Sim,
a parte trade é menos emocional. É guiada por números e por uma
elevada competição por espaço nas prateleiras. Não funciona por
simpatia. Já o negócio dos restaurantes [on trade] é mais emocional e
funciona como uma rede.

Você tem mais de 16 mil fãs no
Facebook e 4 mil seguidores no Twitter. As redes sociais podem ser
uma via para a promoção do vinho?

Não conheço
muitos países produtores de vinho que levem muito a sério as redes
sociais, exceto os EUA. Em muitos casos, adegas ou organismos estão
presentes da maneira que julgam ser importante estar. Mas depois
de algum tempo, como não conseguem o retorno que querem desistem. Os
media sociais simplesmente funcionam de forma diferente em relação
aos tradicionais, mas podem criar um grande capital para uma
marca. É preciso ser verdadeiro e apaixonado no Facebook e no
Twitter e interagir com os clientes. Eles são o valor mais
importante. É preciso ter perguntas e ser rápido a responder.
É preciso dar aos clientes uma experiência pessoal e entrar em
diálogo com eles.

Qual
a sua opinião sobre os vinhos tranquilos, generosos e espumantes
portugueses?

Os primeiros vinhos portugueses de que eu gostei foram
do Douro. Foram também os primeiros que apresentei. Mais tarde
descobri as regiões do Dão, Bairrada e Vinho Verde e gostei deles,
por causa da frescura. Mas temos sempre os vinhos alentejanos, que eu
adoro e estou interessado em aprender mais sobre eles.

Existe
um mercado específico para os Portos e Madeira e outro para as
restantes regiões? Que vantagens podem estes vinhos ter no mercado
alemão?

Estranhamente, num clima frio como o alemão, os
vinhos fortificados irão continuar a ser um nicho. Não temos uma
história como os britânicos têm convosco. Mas poderia funcionar
melhor se estes vinhos clássicos não fossem vistos apenas como
vinhos de sobremesa. Penso que o Madeira e o Porto são vinhos de
lazer, para apreciar com tempo de qualidade. Mesmo como aperitivo,
funciona muito bem com comida. E os bares e as casas de vinhos deviam
focar-se como um grupo-alvo e compradores potenciais.

O que
acha das castas portuguesas e da tradição dos blends que
caracteriza os vinhos portugueses? Podem ser uma vantagem junto dos
consumidores alemães?

A primeira mensagem é que Portugal é
uma marca de diversidade, depois que as regiões têm o seu estilo e
por fim que as uvas são um USP [unique selling product]. E na verdade o consumidor médio não
conhece nada sobre estas variedades.

Considera uma boa
ideia eleger a Touriga nacional como casta-bandeira do vinho
português?

É certamente uma das melhores castas, mas não a
única. De algum modo, faz sentido promovê-la, mas a maioria dos
mercados não irão reconhece-la durante muito tempo. Mas não se
deve desistir de ensinar os consumidores.

O que é preciso
para convencer os grandes compradores e sommeliers a colocarem os
vinhos nas cartas dos grandes restaurantes?

Convidando-os e
ensinando-os sobre o que está a acontecer e mostrar-lhes as
experiências da verdadeira cozinha portuguesa acompanhada pelos
melhores vinhos. Muitos não sabem nada sobre a vossa cultura e
vinhos. Se Portugal quer estar nas melhores listas de vinhos, tem de fazer quem decide acreditar no vinhos portugueses.

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