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Hoopy. A imobiliária dos usados promete vender o carro “tal como ele é”

"Sempre tive uma grande paixão por automóveis", diz o criador da Hoopy, Ricardo Neves Silva. Fotografia: Paulo Alexandrino / Global Imagens
"Sempre tive uma grande paixão por automóveis", diz o criador da Hoopy, Ricardo Neves Silva. Fotografia: Paulo Alexandrino / Global Imagens

Plataforma cria “terceira via” no mercado de venda automóvel e conjugar a segurança das operações entre comerciantes com preços entre particulares

Imagine: E se pudesse comprar ou vender um carro, com um preço ajustado ao mercado, sem sair do computador? E com todas as garantias mas sem ser bombardeado por chamadas ou e-mails com ofertas completamente diferentes e a horas que não lembram a ninguém? A Hoopy garante que sim, é possível, e já é real.

Tudo começou com uma má experiência de Ricardo Neves Silva. “Quando pus um anúncio na Internet para vender o carro da minha mulher, recebi cerca de 500 chamadas a oferecerem-me valores completamente díspares do que eu estava a pedir. Ligavam-me e recebia e-mails a toda a hora.” O carro acabou por ser vendido. Só que “o processo foi muito doloroso”, conta.

Com mais de 10 anos de experiência no sector automóvel, Ricardo decidiu há pouco mais de um ano rodar a chave e começar a carburar uma espécie de terceira via no mercado dos usados. “A Hoopy, como não compra para revenda e só faz mediação, consegue dar a mesma garantia e segurança na compra de um carro do que qualquer comerciante com preços de particular”, explica ao Dinheiro Vivo.

As avaliações são efetuadas por inspetores credenciados, com cédula profissional, e que elaboram uma lista de 100 pontos para cada um dos veículos.

Para esta ideia também contribuiu a passagem por empresas como a Locarent e a BCA. “Foi muito importante e permitiu abrir muitas portas. As coisas foram correndo com alguma velocidade. Sempre tive uma grande paixão por automóveis.”

A Hoopy, que tem o online como base, tem ainda outras vantagens face a portais como o Stand Virtual e o Auto Sapo, na opinião do fundador. “É um market place, mas dá confiança e segurança, através dos relatórios que fazemos às viaturas.” As avaliações são efetuadas por inspetores credenciados, com cédula profissional, e que elaboram uma lista de 100 pontos para cada um dos veículos. A listagem serve para verificar todos os aspetos do automóvel, desde a mecânica à pintura, passando pela mala ou a chapa.

A startup de Ricardo Neves Silva, 37 anos, também tem outras duas garantias – além de vender “qualquer tipo de usados”, verifica junto da conservatória se o carro “é alvo de penhoras ou de ónus”.

Como comprar e vender?
A Hoopy considera-se a “imobiliária de carros” em Portugal, com uma estrutura muito baseada na comunicação e no digital. Isto quer dizer que a startup nunca chega a ter os carros.

Para vender um carro usado basta a cada cliente preencher um formulário na página da Hoopy, no qual terá de indicar o preço desejado de venda do automóvel. Depois deste passo, um dos inspetores (Hoopynspector) vai ter com o cliente-vendedor, faz a listagem dos 100 pontos e realiza ainda o teste de estrada.

Além disso, a história de cada carro é contada à Hoopy e serve para, depois, ser mostrada a quem quer comprar um carro. O vendedor tem acesso a um relatório completo e são apresentadas várias propostas de preço, que podem variar conforme o prazo de venda do carro.

“Só chegamos às pessoas com uma proposta objetiva e clara pelo carro, dentro do patamar de preços pretendido pelo cliente”, refere Ricardo Neves Silva

Se o cliente aceitar as condições propostas pela Hoopy, o carro é colocado à venda no portal da startup. Nesta fase, são recolhidas as propostas dos vários candidatos, com preços variados. Os potenciais compradores têm acesso a todos os dados no site da empresa e “até sabem quais são os riscos que o carro tem. Promovemos a máxima transparência”.

Depois da recolha das propostas, a Hoopy realiza uma triagem dos contactos. “Só chegamos às pessoas com uma proposta objetiva e clara pelo carro, dentro do patamar de preços pretendido pelo cliente”, refere Ricardo Neves Silva. Ou seja, se o usado carro estiver à venda por 39 mil euros e se a proposta for no mesmo valor, pergunta-se ao cliente se aceita o negócio. E se houver duas propostas pelo mesmo preço? “É escolhida a primeira proposta”, explica.

Em caso de acordo, a Hoopy vai buscar o carro ao cliente e envia-lhe o dinheiro da operação através de uma transferência bancária. A startup funciona como mera intermediária e procede às alterações do registo do carro, além de, graças a alguns parceiros, proporcionar a garantia técnica e facultar uma proposta de seguro.

A Hoopy, além da transparência, promove o mistério. O comprador não sabe a quem vende o carro e vice-versa. “A pessoa não quer saber a quem vende. Só quer vender pelo preço que foi acordado o negócio”, justifica Ricardo Neves Silva.

O preço de venda do carro inclui todos os serviços e uma comissão (venda) e uma margem de lucro (no caso de compra), que reverte para a Hoopy, e que varia entre os 4% e os 9% do preço de cada operação concretizada. Tal como no mercado de venda de casas.

Credibilidade
A loja da Hoopy fica no Passeio do Adamastor, em pleno Parque das Nações, em Lisboa. E só não lhe chamamos stand porque os carros não passam por este espaço. Mas, sendo assim, qual é a utilidade destas instalações? “Senti necessidade de um espaço físico para trazer mais credibilidade ao negócio. Nesta fase inicial é necessário que as pessoas nos conheçam. O problema do mercado está nos comerciantes de vão de escada. Esta loja foi aberta a pensar na credibilidade.”

Além disso, o espaço no Passeio do Adamastor contribui para aumentar o número de potenciais clientes. “Estamos há dois meses no Parque das Nações e muita gente pergunta o que é a Hoopy. Isto ajuda a angariar clientes.”

Futuro
A Hoopy nasceu graças a um investimento inicial de 30 mil euros de Ricardo Neves Silva, que concretizou todo o projeto: desde o desenho do logótipo à criação da plataforma, passando pelo marketing e comunicação. Em suma, é um “projeto unipessoal”, e que conta com a ajuda dos Hoopynspectores. Mas a solidão não deverá durar muito tempo. A Hoopy quer acelerar o crescimento à custa de parcerias e até de alguns investidores, que poderão “entrar em breve” no capital da startup.

Isto poderá contribuir para esta plataforma “começar a dar lucros, no máximo, no espaço de um ano. Tudo depende da entrada de parceiros e do número de carros vendidos”.

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