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Hope Care. A bola de cristal dos internamentos

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Hope Care. A bola de cristal dos internamentos

Começaram com a certeza de que queriam fazer da ideia um negócio. A Hope Care nasceu fruto do trabalho de grupo da disciplina de "novas aventuras empresariais", na AESE, Escola de Direção e Negócios, como uma maneira inovadora de pensar o telecuidado.

Perante a situação do mercadoas empresas de segurança começaram a vender sensores que permitem ter, por exemplo, botões de SOS em casa para possibilitar aos doentes avisar médicos e hospitais em situação de alerta – a equipa da Hope Care decidiu pensar mais além.

“Com a perceção de que essa era uma das tendências do mercado e que uma das salvações era o caminho para a telesaúde, percebemos, sob o ponto de vista de indústria, que há cada vez mais uma visão de saúde conectada. No entantanto, face ao aparecimento de cada vez mais aplicativos para a saúde, quer produtores de hardware quer de software tinham um gap: proposições para autogestão mas sem ligação aos médicos. Não havia uma ligação direta aos especialistas”, analisa José Paulo Carvalho.

Na altura, o cofundador da empresa levou tão a sério o trabalho de grupo que conseguiu, entre rondas de financiamento e capital da escola, angariar 700 mil euros para passar do papel à prática. Durante três anos, a equipa fundadora da Hope Care trabalhou para começar a aplicar o conceito em 2012.

“Estávamos em greenfield a nível mundial, não havia empresas a fazer o que fazemos. Comparativamente ao mercado, estamos dois anos à frente “, recorda José Paulo Carvalho, sobre os primeiros anos do negócio. Criaram produtos que permitem testar diariamente – e sem que os doentes tenham que sair de casa – a situação clínica dos pacientes, com base numa análise de parâmetros como glicémia, ritmo cardíaco ou peso. A situação pessoal de cada doente é analisada todos os dias por especialistas: em caso de alerta ou face a situações que tendem a degradar-se de dia para dia, os médicos são alertados de maneira a poder acompanhar mais de perto os seus doentes.

“O médico não tem que ver efetivamente todos os doentes mas tem que olhar para os que de facto precisam. Aí, fizemos esta aliança com a AXA Assistance: com o call center deles, os médicos, os enfermeiros, no local de trabalho, fazemos o chamado first screening, a triagem. Porquê? Validamos toda a informação que monitorizamos em casa de uma pessoa, desde a tensão arterial, peso, glicémias, tudo o que é análise de dados de saúde. Fazemos a triagem e monitorização desses dados para ver, primeiro, se são reais e, segundo, se são válidos. Só depois dessa triagem vamos oferecer, aos hospitais ou clínicas, esses dados como um serviço, alertando-os de que certo doente precisa de facto de ser visto”, detalha José Paulo.

O modelo, que demorou três anos a estabilizar com programas piloto e experiência no terreno, concretizou-se no Hospital de Coimbra a convite da SPMS, um grupo de telemedicina a trabalhar com a monitorização de um grupo de doentes pulmonares de obstrução crónica (TPOC). “Os doentes hoje estão em casa com oxímetro, medições de tensão arterial, temperatura e monitor de atividade física. Fazem duas medições por dia e, com os dados que recolhemos conseguimos confirmar se eles estão bem ou mal.” Os resultados permitem evitar reinternamentos e, com isso, poupar dinheiro ao Estado e aos contribuintes: cada doente internado custa 1800 euros de base mais 400 euros diários. O projeto piloto evitou mais de 50% dos internamentos, face ao ano anterior.

B.I.

° A Hope Care foi fundada em 2010 como resultado da disciplina “novas aventuras empresariais” da AESE, Escola de Direção e Negócios. ° Através de uma parceria com a AXA Assistance criaram um produto que permite ao Estado poupar, evitando o internamento de doentes que podem ser monitorizados a partir de casa.

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