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Horta D’Água. Da estufa para casa só com água e raízes de Torres Novas

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Horta D’Água. Da estufa para casa só com água e raízes de Torres Novas

Manuela Trole lançou há dois anos negócio agrícola em que as folhas de alface não precisam de levar tempero

Há alface, manjericão, nabiças, agrião e plantas aromáticas que vão começar a sair de uma estufa de Torres Novas diretamente para casa dos consumidores. As plantas da Horta D’Água têm algo especial: são cultivadas apenas com água misturada com nutrientes e têm raízes para durarem mais tempo. E manterem o sabor, sem precisarem de ser temperadas. Cheira a verdura assim que entramos na zona de cultivo.

Criado há dois anos apenas para o retalho e incubado na Startup Torres Novas, o negócio de Manuela Trole vai começar a aceitar, a partir da próxima semana, encomendas online de consumidores. As entregas serão feitas via bicicleta para Torres Novas – em parceria com a Recadex – ou através de uma carrinha, que desloca-se periodicamente a Lisboa, Entroncamento e Alcanena.

Cada cabaz custa entre 8 e 15 euros, além dos portes. O mais pequeno tem três alfaces, agrião, nabiça e duas plantas aromáticas. Apesar de o preço por cabaz ser mais caro do é habitual, Manuela Trole garante que “não há qualquer desperdício e dá para consumir toda a alface, sem deitar nada fora”. Como têm raízes, “podem ser conservadas entre oito e 15 dias dentro de um recipiente com dois dedos de água”.

Antes de estarem prontas, as plantas vivem um longo percurso. “Compramos a planta a viveiros já germinada. É feita uma quarentena porque não sabemos o que pode vir daí e verificamos a ficha técnica para ver se é necessário mais algum tratamento. Depois, são colocadas na calha superior (berçário) e é feita uma pré-fase de crescimento, (entre duas a três semanas). Quando ganham raízes passam para outras calhas, onde são mantidas até terem tamanho de colheita. A prevenção de pragas é feita com fitas amarelas (armadilhas cromotrópicas), que atraem os insetos que circulam no interior da estufa.

Manuela Trole segue a técnica da hidroponia – cultivo sem terra. A alimentação das plantas é feita com água misturada com nutrientes, que têm sais minerais para corrigir a água do furo. Antes de entrar nas calhas, a água é filtrada por uma lâmpada ultravioleta, que limpa as bactérias. Não ficam quaisquer resíduos no solo e é gasta 90% menos água do que na agricultura convencional.

Este modelo de negócio foi validado pela Startup Torres Novas, incubadora inaugurada há um ano. Até aqui, Manuela Trole tinha um modelo virado para as retalhistas, onde foram gastos, ao todo, 500 mil euros – metade dos quais apoiados por fundos comunitários.

“Tenho produzido intensamente para a indústria, que depois corta as plantas e vende-as dentro do saco, sem raízes. Murcham muito rapidamente e perdem o sabor. As pessoas ainda vão temperar aquilo, o que é um desperdício”, reconhece.

Ainda assim, Manuela Trole vai manter-se também neste segmento: “Quero uma estufa a produzir para o retalho e outra para o consumidor, que gera mais rendimento mas também é mais desafiante, a nível logístico”. Espera-se que o retorno do projeto possa demorar menos do que os cinco anos previstos, graças a esta dupla aposta.

Afastada, para já, está a exportação da Horta D’Água. “Ainda há muito a fazer por aqui. Não faz sentido internacionalizar algo que não tem qualquer implantação em Portugal.”

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