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Housers devolve capital e juros a 700 investidores de 54 apartamentos no Porto

Foto: Housers
Foto: Housers

Investidores financiaram a aquisição de um terreno onde vão ser construídos 54 apartamentos.

Não chegou a passar um ano desde que 717 investidores apostaram na compra de um terreno em Paranhos. O promotor espanhol do projeto, um empreendimento que vai ter 54 apartamentos, decidiu reembolsar o empréstimo mais cedo.

Na semana passada, os mais de 700 investidores da Housers receberam o capital investido mais os juros prometidos, num total que ultrapassou os 430 mil euros. Foi a primeira vez que a plataforma de crowdfunding concluiu um projeto em Portugal. O balanço, diz João Távora, CEO da empresa em Portugal, foi “muito positivo e serve para dar confiança”, tendo em conta os riscos associados a este tipo de investimento.

“O projeto tinha uma rentabilidade anual prevista de 8%. A taxa acabou por ser um pouco mais alta porque o projeto foi financiado em 11 meses e não em 12, como estava previsto. A rentabilidade acabou por ser de 8,7% porque temos uma cláusula que obriga ao pagamento de um juro de 30% nos meses que faltam, se a amortização for antecipada, como foi o caso”, explica o responsável em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Em média cada investidor ganhou 50 euros em juros, além de ter recebido de volta o capital que investiu. “Alguns receberam 8 ou 10 euros, outros receberam 100 euros. Depende da quantia que investiram”, elucida João Távora.

Dos mais de 700 investidores no projeto, 157 eram portugueses, o equivalente a 22%. Uma proporção elevada, diz o CEO, tendo em conta que há um ano “havia poucos portugueses inscritos” na plataforma, e o seu peso nos investimentos rondava os 8%.

Do dinheiro que voltou para as mãos dos investidores, 41% já foi reinvestido noutros projetos da plataforma. No total, 47% dos participantes voltaram a apostar. João Távora ressalva que “o ideal seria que a totalidade do capital fosse reinvestido, mas isso nunca acontece”. Ainda assim, espera que o valor aumente, visto que a devolução foi feita apenas há uma semana.

Quanto ao empreendimento do Porto, João Távora adianta que o promotor está na fase final da obtenção de licenças, sendo que os 54 apartamentos já estão em pré-venda. Já a próxima devolução de capital só deverá acontecer no final do ano, quando o projeto que a Housers anunciou em dezembro para a construção de um hotel em Alcobaça completar 12 meses.

Aposta em captar promotores

Depois do esforço para seduzir investidores, em 2019 a plataforma vai concentrar esforços em chamar a atenção de promotores imobiliários. A Housers quer posicionar-se junto dos promotores como uma “alternativa ou complemento” ao financiamento bancário.

“Pode parecer por vezes um financiamento caro, mas os promotores começam a perceber que, em comparação com um banco, oferecemos mais agilidade, rapidez, menos burocracia e produtos à medida de cada um”.

Desde que entrou em Portugal, em outubro de 2017, a plataforma conquistou mais de nove mil investidores portugueses, que apostaram mais de três milhões de euros no financiamento colaborativo de imóveis, com a promessa de juros anuais mais elevados que os oferecidos atualmente por produtos tradicionais, devido ao fator risco.

Em 2019, revela João Távora, a Housers já angariou para projetos a desenvolver em Portugal perto de 1,5 milhões de euros. “É um montante que está em linha com quase tudo o que fizemos em 2018, em que captámos 1,7 milhões de euros. Se o ritmo se mantiver, no final do primeiro trimestre já teremos igualado todo o ano de 2018”, destaca

O responsável espera chegar ao fim do ano com 3,5 ou quatro milhões de euros captados em Portugal.

A plataforma que começou por apostar em projetos nos centros de Lisboa e Porto está agora empenhada em sair das grandes cidades.

“Começámos pelos centros porque era onde havia mais projetos e transmitiam mais confiança. Superada essa fase inicial, e conhecendo o o produto, os investidores sentem-se mais cómodos com projetos fora das cidades, onde por vezes ate há oportunidades com uma rentabilidade mais alta e um nível de risco mais baixo”. Depois de Loures e Meco, João Távora promete novidades para “muito em breve” para os investidores da Housers em Portugal.

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