HUUB. Dar poder às marcas independentes para lutar contra gigantes

A plataforma portuguesa sedeada no Porto conta com 35 marcas como clientes e prepara-se para levantar 2,8 milhões de euros de financiamento

A HUUB nasceu há dois anos e meio para facilitar a vida às marcas independentes na hora de vender os produtos aos consumidores. Esta startup da Maia, no distrito do Porto, conta com a plataforma tecnológica Spoke para gerir toda a cadeia de abastecimento dos seus parceiros. As marcas independentes focam-se no desenvolvimento de produto, nas vendas e no marketing e podem lutar com as gigantes do sector têxtil.

“Valorizamos bastante as marcas de roupa independentes, que muito dificilmente competem com uma Zara ou H&M. Damos acesso a uma cadeia de abastecimento muito otimizada e que elas não conseguiriam por si só. Os preços de distribuição são mais competitivos, a logística fica mais barata e o serviço ganha mais qualidade. A marca consegue competir com os gigantes”, aponta Pedro Santos, um dos quatro fundadores da HUUB, em entrevista ao Dinheiro Vivo em Berlim, depois da participação no evento TechCrunch Disrupt.

A startup já trabalha com 35 marcas portuguesas e estrangeiras. A plataforma da Huub “permite que uma marca consiga saber desde que eu faço a encomenda a um fornecedor até que um cliente final compre numa loja de ecommerce. Cada marca sabe exatamente o fluxo daquela mercadoria e o que tem de fazer para tomar decisões do negócio dela”, explica Tiago Craveiro, cofundador.

A plataforma tecnológica Spoke serve para dar suporte a todos os canais de venda, desde o ecommerce - que inclui a Amazon e o eBay -, lojas físicas, butiques e retalhistas de todo o mundo. A HUUB ajuda a entregar as encomendas em 70 países e conta com uma parceria com a startup norte-americana EasyPost para gerir a relação com as principais transportadoras mundiais.

Além de Tiago Craveiro e Pedro Santos, a HUUB foi fundada por Luís Roque e Tiago Paiva. Três dos quatro sócios são formados em engenharia industrial e gestão; Tiago Paiva tirou o curso de gestão e Luís Roque está a fazer o doutoramento em engenharia informática. “Desde o início sabíamos qual era a tecnologia necessária para que a logística estivesse numa só plataforma tecnológica e que conta também com inteligência artificial e algoritmos, sem os quais seria muito difícil gerir processos”, lembra Tiago Craveiro.

Sedeada na Maia, perto do aeroporto Francisco Sá Carneiro, a HUUB já recebeu 350 000 euros de investimento e já conta com uma equipa de 35 pessoas. Há ainda um armazém na Holanda, de um parceiro, que é usado para distribuição.

O fecho de uma nova ronda de investimento está na mira desta startup portuguesa. “Estamos à procura de 2,8 milhões de euros de financiamento em série A. Chega a uma altura em que temos de contratar mais pessoas da área de tecnologia, de venda - para angariar mais marcas - e na cadeia de abastecimento para reforçar parcerias com armazéns e ganhar escala”, justifica Pedro Santos.

Nesta ronda, a HUUB quer juntar os investidores de capital de risco com mais experiência, “e que entreguem mais do que dinheiro”, com estrangeiros “interessados em cofinanciamento”. Em 2018, a startup portuguesa quer ter mais centros de distribuição nos EUA, com parceiros logísticos, para conseguir preços mais competitivos e abrir um escritório na cidade de Londres ou de Berlim.

Foi na capital alemã que a HUUB esteve na semana passada, ao abrigo do programa de internacionalização promovido pela Startup Portugal. “Foi uma experiência muito interessante, pelo contacto e aceitação da parte de cinco investidores internacionais - para trabalho a curto e longo prazo - e ver o estágio de evolução das melhores startups da Europa. Sabemos que estamos a fazer as coisas bem.” A plataforma portuguesa também está de olho na tecnologia blockchain.

(Notícia corrigida às 20h36 com retificação das licenciaturas dos fundadores da HUUB)

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