HUUB. Partir da garagem, chegar à Maersk e criar um hub tecnológico

Gigante do transporte marítimo comprou a startup tecnológica e vai apostar em Portugal, criando um hub no Porto. Já com cerca de 50 colaboradores, a ambição é reforçar a equipa.

Nasceram há seis anos numa garagem na zona do Porto. E, naquela altura, os fundadores da HUUB estavam longe de sonhar que chegariam onde estão hoje. Sabiam o que queriam: transformar a logística, na área da moda, com recurso à tecnologia.

Desenvolveram as suas ferramentas, cresceram, angariaram rondas de investimento e, esta semana, anunciaram que foram adquiridos pela Maersk, a líder mundial de transporte marítimo e de logística. A operação - cujos valores não são revelados - vai permitir a criação de um hub tecnológico no Porto que, estimam, vai contar com cerca de 150 pessoas no final do próximo ano.

"Foi da garagem para o mundo e foi um bocadinho esse o percurso que fizemos. Desde o início que tínhamos o objetivo de disromper a indústria da logística através da tecnologia", começa por contar Tiago Paiva, cofundador e CEO da HUUB.

O segundo objetivo foi concretizado agora, com a compra por parte da gigante da logística (que no mundo das startups é conhecido por exit), e que é o de conseguir ganhar escala. "Anunciámos que atingimos este segundo objetivo, que é a escala associada ao projeto em que vamos estar envolvidos. A Maersk iniciou um processo de entrada na área de e-commerce e tem como grande objetivo ser líder mundial", acrescenta.

Tiago Paiva conta que a proposta de valor da HUUB para as marcas sempre foi muito centrada, por um lado, em retirar a complexidade das operações de logística e, por outro, fazê-lo com simplicidade. "A nossa proposta de valor centra-se em que as marcas não tenham de se preocupar com a logística; têm de preocupar-se com o core do seu negócio, que é o produto e as vendas. Isso significa que é necessária a gestão de toda uma cadeia de canais da marca - seja o comércio eletrónico, retalhistas, as lojas próprias, os marketplaces e tendo a complexidade de gerir todos esses canais do ponto de vista de logística é muito grande. Adicionámos uma layer de simplicidade para as marcas", salienta.

Os clientes começaram a surgir rapidamente e os fundadores da empresa passaram a trabalhar a full-time na empresa após um ano e quando ela já contava com cerca de uma dezena de funcionários. Com a empresa a crescer, começaram a captar rondas de financiamento. Um dos investidores foi a própria Maersk. Mas, no início de 2021, quando se preparavam para levantar mais uma ronda, nada os faria suspeitar do que iria acontecer, nove meses depois.

"Fizemos o percurso de investimento, algo que fomos aprendendo a fazer desde as primeiras rondas. Iniciámos o novo percurso de investimento no início do ano, quando decidimos fazer o caminho para a nossa série A. Nós, fundadores, tivemos o privilégio de poder fazer o nosso pitch a nível mundial (...) e tínhamos logo um reconhecimento". E quando tudo parecia ir na direção da captação de um novo investimento, a Maersk faz a proposta, que foi concretizada e revelada nos últimos dias.

Hub tecnológico
Com a aquisição da HUUB, a gigante Maersk quer tornar Portugal num hub tecnológico estratégico, com o objetivo de atrair talento nacional e competir com várias outras empresas que instalaram as suas divisões tech no nosso país.

"Vamos estar a trabalhar naquilo que é a plataforma tecnológica que vai dar seguimento a este trabalho que estão a fazer [na Maersk] e que tem como objetivo alcançar a liderança", diz Tiago Paiva, acrescentando que a equipa no Porto estará mais focada na tecnologia e as equipas da Maersk vão assumir a gestão de clientes. "Vamos ser um hub tecnológico da própria Maersk onde vamos ser a base, os mentores tecnológicos para criar este hub, com as melhores práticas e garantir que recrutamos pessoas semelhantes aos nossos perfis. Isto culmina num objetivo que a Maersk tem e que é triplicar a equipa atual até ao final do próximo ano", ou seja, chegar às 150 pessoas. Para isso, estão já a preparar a mudança para um novo escritório na Invicta, que possa responder às novas dinâmicas.

Com este negócio, a HUUB alcançou um feito que menos de 10% das startups consegue. Por isso, o que é que Tiago Paiva diria a um empreendedor que está a agora a começar o seu percurso? "Diria que devem pensar que têm de fazer o trabalho deles com a maior felicidade possível, ignorando o possível outcome do futuro; o que estou a viver agora nunca esteve na minha cabeça. Viver o dia a dia sabendo que temos de gerir com toda a complexidade o nosso percurso, mas nunca com um outcome de um exit, mas de atingir um propósito", remata o empreendedor.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de