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Hype Labs. Comunicar com todos os objetos mesmo sem ter internet

O escritório da Hype Labs. (DR)
O escritório da Hype Labs. (DR)

Startup do Porto conta com pelo menos cinco empresas como potenciais clientes, entre as quais a Disney e a Amazon.

André Francisco e Carlos Lei Santos, quando estiveram em Dublin, em novembro de 2014, para participar na Web Summit, conseguiram uma proeza: falar um com o outro através do sistema push-to-talk – semelhante ao walkie-talkie -, sem precisarem de ligação à rede. “Como é que faziam isso?”, perguntaram várias pessoas aos dois fundadores da Hype Labs. Este foi o ponto de viragem para desenvolver esta tecnologia, que é comercializada junto das empresas e que depois é utilizada pelos consumidores.

Esta startup tem o sistema SDK, que permite que qualquer dispositivo possa comunicar mesmo sem ter rede. O telemóvel é um dos exemplos. “Temos a antena LTE, wi-fi, bluetooth e o microfone. Cada uma é um canal de transporte. O que fizemos foi um algoritmo que identifica quais são essas tecnologias e que escolhe, em tempo real, qual ou quais as melhores para comunicar”, explica Carlos Lei Santos. No limite, e mesmo sem haver rede exterior, há a rede mesh, uma rede própria. A tecnologia é aplicada a todo o tipo de objetos e a qualquer sistema operativo. Se uma pessoa entrar numa sala, por exemplo, a televisão reage por causa da antena sem fios incorporada.

O ar condicionado é outro dos exemplos da aplicação, no futuro, da internet das coisas. “Podemos entrar num ambiente completamente inteligente; se estiver a usar um smartwatch, ele sabe dizer se estamos ou não com frio e, mediante isso, pode ligar o ar condicionado para que a pessoa se sinta mais confortável.” As aplicações dependem agora dos responsáveis de desenvolvimento. Toda a tecnologia é desenvolvida no UPTEC, Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, onde está sediada a startup.

A Hype Labs, ao fim de dois anos, já conta com pelo menos cinco empresas como potenciais clientes e mais de 300 private developers, de grandes empresas. Já está a testar soluções para os parques temáticos da Disney; a desenvolver um sistema para as colunas bluetooth Amazon Echo; a tentar a partilha de ficheiros de forma mais segura e sem internet da TopDox; a trabalhar as comunicações da Greenpeace durante as missões; e a tentar ligar os drones da Connective Robotics. “Até agora, os clientes têm vindo até nós. Não gastámos dinheiro em marketing e o boca a boca é que nos tem sido útil.”

André Francisco e Carlos Lei Santos conheceram-se na Universidade do Porto, na qual estavam a tirar Ciência dos Computadores. Começaram por pensar numa aplicação que era “uma espécie de WhatsApp mas sem ligação à internet”. Chegaram a ir ao Reino Unido e ao Brasil apresentar a ideia, mas tudo mudou depois da Web Summit de 2014.

Depois da cimeira, André e Carlos estiveram na escola de startups do UPTEC e no programa de aceleração da Startup Braga. A Hype Labs entrou depois em dois programas internacionais. Convidados pela Deutsche Telekom, participaram num programa de incubação em Cracóvia (Polónia) e receberam o primeiro investimento, de 30 mil euros.

Este foi um momento de alívio para a dupla de fundadores da Hype Labs. André chegou a dar explicações de programação para ter dinheiro para comer; Carlos chegou a dar aulas de surf e a vender pranchas.

“Tínhamos um desafio todos os meses. Poupámos custos em tudo. Lembro-me de uma reunião em Braga em que, sem dinheiro para apanharmos um comboio e pôr combustível, usámos um carro com o depósito na reserva. Nunca tive tanto medo a conduzir.”

Logo a seguir, entraram no programa de aceleração AngelPad, nos Estados Unidos. “Foi uma experiência completamente diferente. Naquele país, o que ensinam não é diferente. Mas desafiam-nos a mostrar a base de clientes e a contactá-los para perceberem se estamos a resolver, de facto, o problema deles. Passei a primeira semana ao telefone com toda a gente que tinha visitado o nosso site. Validámos a nossa proposta de valor”, recorda Carlos Lei Santos.

Com escritório também em São Francisco, nos Estados Unidos, a Hype Labs espera fechar este ano com uma equipa entre 10 e 13 pessoas, que vão resolver desafios como a interoperabilidade, a segurança e a proteção de dados e a velocidade da ligação.

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