iLoF: Um raio de luz para tornar a medicina mais personalizada

Cruzar fotónica e inteligência artificial valeu cerca de 3 milhões de euros de investimento a esta startup do Porto. Medicamentos e diagnósticos são as principais apostas.

A iLoF está a utilizar a luz para transformar a medicina. A solução acelera a chegada ao mercado de medicamentos personalizados e torna possível perceber qual é o tratamento certo para certas doenças. Fundada em 2019, a empresa já angariou cerca de 3 milhões de euros de investimento e tem mais uma ronda a caminho.

A startup cruza a fotónica com a inteligência artificial: através de um dispositivo com um cabo de fibra ótica, são emitidos sinais luminosos para analisar fluidos biológicos em cerca de seis minutos. As amostras são analisadas virtualmente, criando perfis biológicos.

Na área dos medicamentos, a empresa está a trabalhar com grupos farmacêuticos para personalizar novos fármacos na luta contra a doença de Alzheimer. "Não houve qualquer novo medicamento aprovado nos últimos 18 anos. São quase duas décadas com as mesmas opções terapêuticas", destaca Luís Valente, um dos fundadores da iLof.

A empresa também está envolvida num projeto para facilitar o diagnóstico à covid-19, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e o Hospital de São João.

"Desenvolvemos um modelo que permite estratificar qual o doente que vai para os cuidados intensivos e qual será assintomático ou terá poucos sintomas. Guardamos a informação na base de dados, comparamos as amostras e depois poderemos fazer uma previsão, com base em perfis ensinados anteriormente. Nos testes, a percentagem de acerto foi de 85%.

Depois do suporte da Fundação para a Ciência e Tecnologia, o projeto também deverá receber financiamento europeu, "para ajudar a acelerar a entrada deste produto no mercado".

Está igualmente a ser testado o diagnóstico do cancro digestivo e do cancro dos ovários. "Queremos dar um grau de informação ao médico para avaliar o grau de agressividade do cancro, a forma como se espalha ou não pelo organismo."

A iLoF foi fundada por Luís Valente (presidente executivo), Joana Paiva (responsável tecnológica), Paula Sampaio (diretora científica) e Mehak Mumtaz (responsável operacional). Luís já conhecia Paula e Joana quando o fazedor ainda trabalhava no instituto de engenharia INESC TEC e nessa altura as duas fazedoras estavam a experimentar, há vários anos, a tecnologia fotónica na análise de microplásticos na água.

Em meados de 2019, Mehak juntou-se aos outros três fundadores. Esse ano foi determinante para o nascimento da startup, que participou no programa de aceleração na área da saúde Craash.

Também nesse ano foi anunciado o primeiro investimento na iLoF: dois milhões de euros, pelo concurso europeu EIT Health. Em julho de 2020, a startup recebeu um milhão de dólares (824 mil euros) do fundo de capital de risco da Microsoft (M12) e da sociedade de capital Mayfield.

Neste ano, haverá nova injeção de capital, que vai superar os 3 milhões de euros recebidos anteriormente. A equipa, atualmente com 20 pessoas, será reforçada com pelo menos dez elementos.

Apesar do escritório em Oxford, o Porto vai continuar a ser a base para a iLoF conquistar este mercado. "Dentro de um ou dois anos haverá um ou dois players a dominar o mercado de integração de sinais óticos para desenvolvimento de medicina personalizada. Estamos numa posição única para sermos os players vencedores nesta corrida."

Quando a tecnologia salva

No final da entrevista, Luís Valente contou um episódio sobre como a tecnologia salvou a primeira ronda de investimento da iLoF.

"Estávamos quase a fechar a ronda seed e não ainda tínhamos uma carta de intenções assinada por uma das maiores farmacêuticas do mundo. O nosso contacto estava no Arizona, num domingo, numa conferência dedicada ao Alzheimer. Íamos ter a reunião final com o investidor na segunda e precisávamos daquela carta", recorda o fazedor.

Luís Valente estava num casamento e ao final da tarde ia viajar para Munique. "Precisávamos da assinatura digital do documento. No caminho para o aeroporto, descarreguei uma aplicação para fazer uma assinatura digital do documento no telemóvel. Enviei para o parceiro, que não estava a conseguir ver o documento. Enviei o papel para o e-mail do hotel, que imprimiu o documento, recebeu a assinatura e depois digitalizou de volta o documento. Na segunda de manhã, só tive tempo para imprimir tudo, furar e colocar na capa."

O agradecimento é feito à moda portuguesa. "Acabámos por enviar uma garrafa de vinho do Porto ao hotel e ao nosso contacto na farmacêutica. O investimento em pessoas é o melhor investimento."

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