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Indie Campers. O sonho americano numa carrinha de roadtrip

Hugo Oliveira, fundador da Indie Campers, uma empresa de aluguer de carrinhas para viver o sonho americano. 
(Leonardo Negrão/Global Imagens)
Hugo Oliveira, fundador da Indie Campers, uma empresa de aluguer de carrinhas para viver o sonho americano. (Leonardo Negrão/Global Imagens)

Pela estrada fora, ao longo da costa, com o céu e o mar azul e nem uma preocupação no mundo.

Hugo Oliveira tem olheiras profundas e camisa de manga curta amachucada. Às 9 horas ainda não tinha dormido. Só que, ao contrário do que muitos outros jovens de 27 anos fariam para festejar o verão em pleno, Hugo não foi sair à noite: esteve a trabalhar. E depois de nos receber ia ter uma “reunião importante”. “Ainda tenho de ir a casa mudar de roupa.”

A Indie Campers, fundada por Hugo e por um colega que deixou o projeto logo no início, quer vender o sonho americano mais romantizado do mundo, as roadtrips numa camper van, que é como quem diz, numa carrinha. Não são autocaravanas, são carrinhas mais pequenas – e, por isso, mais fáceis de conduzir -, e completamente adaptadas ao campismo. É nelas que Hugo quer que todos possam correr a Península Ibérica (para já), de prancha de surf atrás e os cabelos ao vento. Tudo isto com o século XXI sempre presente: “O que nos diferencia é, não só o facto de o nosso produto ser de fácil manutenção e condução, a custos mais reduzidos, como também a nossa estratégia digital e tecnológica. Estamos a desenhar uma aplicação e somos talvez o único serviço turístico com internet gratuita em todas as carrinhas, e de alta qualidade. O objetivo é que o aconselhamento aos nossos clientes seja mais permanente, quase em tempo real, durante a viagem”, explica Hugo.

As carrinhas são compradas a fornecedores e depois adaptadas ao campismo. São eles que as desenham, quer por dentro, com todas as comodidades, quer o design por fora.

“Não somos uma rent a car, somos um serviço turístico. Mas somos os melhores amigos dos nossos clientes. Ajudamo-los a preparar a viagem a partir do momento em que entram em contacto connosco. Damos um acompanhamento individual a cada um dos nossos clientes”, continua o CEO da Indie Campers.

Foi numa viagem à Austrália, uma roadtrip a sério, com tudo a que teve direito, que o fez pensar neste negócio. Reparou que esse tipo de carrinhas eram muito comuns e pensou em trazê-las para Portugal. Aproveitou o mestrado em Gestão com especialização em Inovação e Empreendedorismo para fazer um estudo de mercado e um plano de negócios. Estava dado o primeiro passo para a criação da própria empresa. Despachou a tese e ficou com os dados que precisava para ir em frente.

As carrinhas são compradas a fornecedores e depois adaptadas ao campismo. São eles que as desenham, quer por dentro, com todas as comodidades, quer o design por fora.

“A análise que fiz do mercado fez com que acreditasse que valia a pena. A ideia sempre foi criar um conceito que pudesse crescer rapidamente e que tivesse potenciais clientes no estrangeiro.” Hugo tinha 24 anos e estava a juntar duas paixões: as viagens e a criação de uma empresa sua. “A persistência, aquela coisa pouco segura de criar um negócio próprio, a possibilidade de o fazer crescer, foi uma coisa que sempre me aliciou.”

Começou com seis carrinhas em 2013. Em 2015 já tinha 25 e levantou investimento da Portugal Ventures, através da Call for Entrepreneurship. Este ano chegou às 100 e em 2017 garante que vão ser centenas.

(Leonardo Negrão/Global Imagens)

(Leonardo Negrão/Global Imagens)

A Indie Campers nasceu há três anos com um investimento de 30 mil euros, 20 mil dos quais de um programa de microcrédito. Os outros 10 mil vieram de amigos e família que, além do dinheiro, lhe deram outros tipos de apoio: “Porque o investimento não são só as carrinhas: é o site, os conteúdos, design, toda a comunicação online. Tudo isso foi feito de maneira gratuita, com a ajuda de amigos e família, em troca de viagens, ou até em troca de nada.”

Hoje trabalham cerca de 20 pessoas na Indie Campers. As carrinhas estão presentes em toda a Península Ibérica e Biarritz, em França. Para 2017, preveem estar nas maiores cidades de França, Itália, incluindo Sardenha, Sicília, Córsega, e Canárias.
A faturação está já na “casa dos milhões” e o CEO diz que só é possível porque tem uma equipa “inacreditável” a trabalhar com ele. “Ter a equipa certa é a única forma de uma ideia ou conceito resultarem.”

As carrinhas, equipadas com eletricidade, cozinha, duas camas duplas, fogão, cooler e algumas até com casa de banho, são reservadas exclusivamente online e custam entre 39€ e 139€ por dia. Do total de clientes, 99% são estrangeiros e, desses, diz Hugo, “50% são alemães”. Há casais em viagens românticas, famílias com filhos e grupos de amigos. Por isso, nas carrinhas acontece de tudo, desde pedidos de casamento, a chaves que vão ao banho com os clientes e depois não funcionam, passando por condutores que ficam atolados e têm de ser salvos por tratores. Também há os que se cruzam na estrada e que, ao ver que têm carrinhas da Indie Campers, param para tirar uma fotografia.

Ainda que a maioria dos clientes sejam estrangeiros, 70% das localizações Indie Campers são nacionais: “Os nossos clientes ficam loucos com o estado em que está preservada a nossa costa. São malucos por surf, a ideia de surfar é fantástica, mesmo que muitos deles não sejam surfistas. E acham que toda a gente em Portugal faz surf. Para eles somos todos surfistas”, diz. E acrescenta: “Poder criar uma empresa de uma coisa que toda a gente gosta de fazer e apanhar os clientes no momento mais feliz do ano deles, é um prazer”.

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