Prémio Nacional Indústrias Criativas Super Bock Serralves

Indústrias Criativas. O prémio da inovação é poder crescer acompanhado

Equipas em brainstorming de criativos.
Equipas em brainstorming de criativos.

Unicer e Serralves andam à procura de ideias e negócios inovadores na área das indústrias criativas. Candidaturas até 15 de março

Logo que ouviu falar do prémio, Inês Varejão concorreu. A empresa que criara, a Boa Boca Gourmet – uma loja em Évora que trabalha com produtores locais, desenvolve-os a nível da criação de marca e de packaging e comercializa-os para todo o mundo (já vende para mercados como a Suécia, a Alemanha, a Bélgica e o Reino Unido) -, estava numa fase inicial e ganhar o Prémio Nacional Indústrias Criativas Super Bock/Serralves (PNIC) seria, considerou Inês na altura, uma forma de acelerar o processo e de financiar parte do projeto. Estávamos em 2009, a primeira edição do prémio que procura fazedores com ideias de negócio ou projetos que já existam, ainda que em fase embrionária, dentro de quatro categorias do concurso: arquitetura e artes visuais, música e artes do espetáculo, conteúdos e novos media e turismo e património.

Recuando sete edições, já é difícil recordar pormenores. Hoje, Inês Varejão e o sócio, António Policarpo, continuam a trabalhar todos os dias para fazer crescer e evoluir a Boa Boca Gourmet. A cofundadora relembra o episódio que marcou a candidatura com sabor amargo. “Por azar, tínhamos no mesmo dia da apresentação do projeto uma feira internacional em Milão. Ficámos entre os finalistas mas não concorremos ao prémio final, o que numa fase tão recente da empresa seria de uma importância extrema, sobretudo pelo valor do prémio e pelo reconhecimento e validação da nossa estratégia”, recorda ao Dinheiro Vivo.

A 7.ª edição do Prémio Nacional Indústrias Criativas Super Bock/Serralves arrancou esta semana e a fase de inscrições decorre até 15 de março. A concurso, ideias de negócio de produtos ou serviços que sejam sustentadas e que se diferenciem pela criatividade e inovação, mas sobretudo que tenham potencial económico e sejam geradoras de emprego.

Na edição anterior, o júri escolheu como vencedor a Weso, uma orquestra portuguesa especializada em bandas sonoras para a indústria cinematográfica internacional. Dois anos antes, Miguel Santo Amaro dava as primeiras entrevistas depois de o projeto que cofundou, a Uniplaces, ter saído vencedor da 4.ª edição. “Existem três pontos importantes: a oportunidade de pensar as ideias e estruturá-las, sobretudo durante o brainstorming, pela oportunidade de apresentar o conceito e também porque acabamos por ser uma espécie de advogados do diabo dos restantes projetos e eles do nosso; as parcerias com uma empresa multinacional [Unicer], que permitem a validação dos pressupostos; e a exposição mediática depois do prémio e, obviamente, o valor em si, que permitiu à Uniplaces começar a crescer”, detalha Miguel. E se nesse momento uma empresa que tinha dez empregados agora emprega mais de 65, esse pode ser um sinal de que a validação do PNIC foi útil para o negócio.

Leia mais: 7 conclusões que saíram do European Creative Hubs Forum, em Lisboa

A candidatura ao PNIC pode ser entregue mediante registo em www.industriascriativas.com ou apresentada numa das quatro sessões do roadshow (mediante inscrição prévia online): a 10 de fevereiro, a caravana está no UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto e a 11 na Universidade de Aveiro. Seguir-se-ão Caldas da Rainha e Lisboa, em março, em datas a anunciar. O grupo de dez finalistas tem garantida a participação no workshop de imersão ao empreendedorismo criativo e o apoio para a elaboração de um modelo de negócio consistente e estruturado, além do acesso a uma rede de contactos como a ADDICT, a Agência Nacional de Inovação, a ANJE, o BPI, a ESAD, a Fundação da Juventude, o IAPMEI, a Brand New Box, a Universidade Católica – Escola das Artes e a Universidade do Porto.

Miguel Araújo, diretor para a área de parcerias e comunicação da Unicer, explica que o trabalho com os finalistas não termina no dia do anúncio do vencedor. “Tentamos sempre incluir os projetos finalistas nos briefings da Unicer para que possamos ser possíveis clientes destas empresas”, esclarece. O vencedor recebe ainda um prémio de 25 mil euros e representará Portugal no Creative Business Cup, em Copenhaga, na Dinamarca, uma competição anual para empreendedores oriundos de mais de 50 países que visa distinguir a melhor ideia de negócio no sector das Indústrias Criativas, a nível mundial. O vencedor será anunciado durante o Super Bock Laboratório Criativo, um fórum anual organizado pela Unicer para debater o estado do empreendedorismo criativo em Portugal. Em seis edições, o PNIC avaliou mais de 1500 projetos e apoiou mais de 60 que geraram cerca de 200 postos de trabalho. O concurso é aberto a todos os criativos maiores de 18 anos, que podem concorrer individualmente ou em grupo , e a pequenas e microempresas em fase de expansão e com sede em território português. Mais informações em www.industriascriativas.com

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