Turismo

Inviita. Um roteiro de viagem à medida e à prova dos seus humores

Bernardo Véstia, Joana Baptista e João Bernardo, três dos quatro fundadores da Inviita (Gustavo Bom / Global Imagens)
Bernardo Véstia, Joana Baptista e João Bernardo, três dos quatro fundadores da Inviita (Gustavo Bom / Global Imagens)

Está num mood de viagem? Agora pode juntá-lo aos seus humores. Quem trata do roteiro é esta aplicação. Afinal, nostalgias não comprometem viagens

Foi a conversar sobre um roteiro de fazedores em Lisboa que Bernardo contou a história por trás da história. “Sabes que foi assim que fizemos o contacto do Mike Butcher?”, pergunta.

Butcher é um dos jornalistas mais desejados pelas startups europeias, pelo seu envolvimento em projetos relacionados com empreendedorismo e sobretudo por escrever num dos media mais reputados da área, o Techcrunch. Bernardo Véstia é cofundador da Inviita. Sabendo que Butcher vinha a Lisboa, Bernardo e os outros três fundadores da Inviita, Joana Baptista, 29 anos, Natacha Parreira, 29, e João Bernardo, 30, desenvolveram um roteiro especial para o jornalista.

“Ele é controverso e completamente adverso a relações públicas. Pensámos: ele não gosta de RP, mas gosta de Lisboa e gosta de viajar, está claro. Criámos uma página com um roteiro preparado para ele a dizer ‘Welcome, Mike. Toma lá, vai curtir.’” A acompanhar, um link para informação sobre a startup portuguesa. “Ele gostou da abordagem, e gostou tanto que nos convidou para ir jantar no dia seguinte. Praticamente não falámos de Inviita. Um dia depois começou a fazer-nos perguntas sobre o que estávamos a fazer.”

( Gustavo Bom / Global Imagens )

( Gustavo Bom / Global Imagens )

O que é certo é que, pouco tempo depois, a startup portuguesa estava no site internacional Techcrunch, a ser comparada com o concorrente mais direto, avaliado em dez milhões de euros e com um elogio rasgado de Mike Butcher. “Não estávamos mesmo à espera que acontecesse assim, mas a abordagem foi dar uma proposta de valor do que fazemos sem estar a pressionar. Natural, aproveita. E isso acaba por ter resultados diferentes”, recorda Bernardo. A conversa com Mike Butcher foi em outubro, mas Bernardo e Joana já andavam há meses dedicados ao projeto.

A história da Inviita começa antes disso. Os dois sócios participaram, em junho de 2014, no Vodafone BIG Apps: foi no concurso que apresentaram o primeiro protótipo com um conceito original. “Era uma aplicação em que era possível criar roteiros, muito pensada para tablets.” Com a ideia ganharam o concurso: um prémio de dez mil euros e a oportunidade de incubação de seis meses no Vodafone Power Labs.

Na altura adiaram a decisão: os quatro sócios trabalhavam a tempo inteiro na Novabase e a saída tinha de ser feita de forma gradual. Os primeiros a sair foram a Joana e o Bernardo, para prepararem a candidatura ao Lisbon Challenge. “Interessava-nos muito mais olhar para a parte do negócio do que para a vertente da tecnologia e design, que são as áreas do João e da Natacha.” Saíram da competição com o trabalho de casa feito: perceber melhor o modelo e descobrir uma fórmula para crescer do ponto de vista do negócio. Em setembro começaram a desenvolver o modelo e o plano de negócios da empresa. Em janeiro de 2015 juntaram a equipa toda e iniciaram a incubação no Vodafone Power Lab e, cinco meses depois, lançaram o MVP para iPad.

“Transformámos o protótipo que tínhamos inicialmente num produto real e lançámos”, conta Bernardo. Com o soft launch feito, a equipa teve acesso aos primeiros feedbacks. “Fizemos muitas entrevistas, falámos com muita gente para percebermos se estava a correr como pensávamos que podia correr e tivemos muitos insights. Mais ou menos na mesma altura fomos chamados à Irlanda por causa da Travel Innovation Summit, uma espécie de concurso para a apresentação do que eles consideravam ser as empresas mais disruptivas do sector do turismo na Europa. Fomos selecionados num grupo de 12 e tivemos oportunidade de estar com muitas pessoas ligadas à indústria.”

Os contactos feitos durante esse período foram essenciais para o que aconteceu a seguir. “Recolhemos feedback de empresas da indústria como a Expedia e a Booking e percebemos quais eram as necessidades do mercado. Depois ajustámos essa necessidade ao que tínhamos recolhido dos nossos primeiros utilizadores e daí nasceu a Inviita”. Em junho fundaram a empresa com um novo sócio, Paulo Neto Leite, que investiu cem mil euros na startup, e contrataram mais duas pessoas. E, quatro meses depois, estavam com o produto no mercado. “Duas semanas depois fomos selecionados pela Apple como Best New App. Isso deu-nos um boost gigante de tração inicial e, de repente, estávamos espalhados pelo mundo todo.”

“O bom de uma startup é isso: não estás preso, de um momento para o outro decides e vais atrás do que as pessoas querem”, diz.

Assim, sem mais nem menos. Ou nem tanto. “Um dos nossos paradigmas, desde que pensámos no negócio, é que queríamos que fosse escalável e global desde o início”, esclarece Bernardo. Por isso criaram uma aplicação que toda a gente pudesse usar: reconhece onde está e quem é o utilizador. O passo seguinte é escolher um estado de espírito entre os dez disponíveis – foodie, romantic e cool são os top moods a nível mundial -, de modo que a app adapte o tipo de conteúdos e gere sugestões de pontos de interesse, atividades e hotéis.

( Gustavo Bom / Global Imagens )

( Gustavo Bom / Global Imagens )

“A ferramenta pode ser usada tanto por turistas como por locais que queiram sugestões de coisas diferentes. (…) Concluímos que tínhamos de arranjar uma forma de fazer que os utilizador tivessem um ponto de partida. De repente esse ponto de partida que demos ao utilizador tornou-se uma proposta de valor muito forte. E não era assim no início”, explica Bernardo. E se a parceria com a FourSquare nos conteúdos garante 65 milhões de pontos de interesse e o mundo inteiro mapeado, o Booking é responsável pelas sugestões de hotéis. O modelo de negócio assenta nas reservas de hotéis e atividades feitas através da aplicação, a partir dos roteiros: a Inviita ganha uma percentagem da faturação dos fornecedores, que varia entre 3,5% e 6% no caso dos hotéis e entre 7% e 10% nas reservas das atividades. “O bom de uma startup é isso: não estás preso, de um momento para o outro decides e vais atrás do que as pessoas querem”, diz.

Por agora, um em cada quatro dos 16 mil utilizadores da Inviita está em Portugal, fruto da relação da empresa com os media e também do papel dos embaixadores, na sua grande maioria bloggers portugueses. Por enquanto. É que a empresa quer ainda neste ano consolidar o mercado europeu e voar rapidamente para novas paragens, ao encontro até dos moods mais caprichosos.

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