Já Te Disse. Um vinho exclusivo para os mais exigentes, com rótulo de artista

Só foram feitas 2800 garrafas e 30% são para guardar e pôr à venda ao longo dos próximos anos. Cada exemplar custa 50 euros e estão à venda na loja online da marca. Siza Vieira desenhou os rótulos

Já Te Disse é o novo vinho alentejano, um projeto que pretende replicar em Estremoz a grandeza dos vinhos da Borgonha, "com produções muito pequenas e limitadas, mas de qualidade muito acima da média". A primeira colheita, um tinto de 2019, foi posta à venda em junho e, apesar de cada garrafa custar 50 euros, as vendas estão "a correr muito bem" e o vinho ganhou já lugar em alguns restaurantes, nomeadamente em Cascais, na Comporta, mas igualmente em Lisboa, Santarém e Estremoz. O Já Te Disse é um vinho "para apreciadores exigentes que gostam de colecionar garrafas".
Pedro Patrício, gestor hospitalar e apaixonado por vinhos, é o responsável pelo investimento e foi buscar Joachim Roque, enólogo luso-francês "com muita experiência em projetos vitivinícolas em Bordéus e Napa Valley, mas também em Portugal, designadamente na Quinta do Carmo", para o ajudar a criar um vinho de exceção. Como todos os grandes, tudo começa na vinha, um hectare plantado em São Lourenço de Mamporcão, a oito quilómetros de Estremoz, numa propriedade comprada pelos irmãos Pedro e Rui Patrício como espaço de lazer, juntando as respetivas famílias ao fim de semana.

Em 2016, Pedro decidiu avançar com a plantação da vinha. Um hectare foi a área possível, já que se trata de uma parcela rodeada por azinheiras protegidas, com mais de 200 anos. A escolha recaiu nas castas alicante bouschet, syrah e petit verdot. As primeiras 2800 garrafas, da vindima de 2019, foram agora lançadas, mas a intenção será sempre manter a produção limitada. Estima-se que a produção de 2020, que está a estagiar em barricas de carvalho francês e deverá ser lançada lá para março do próximo ano não deva ir além das 4500 garrafas.

Pedro Patrício garante que, mais do que as vendas, o que o preocupa é a qualidade do vinho, que tem de ser sempre excecional. Se em algum ano não o for, o vinho não será engarrafado. E para atingir essa qualidade excecional só são aproveitados os melhores cachos de cada uma das cepas. Metade da produção é deitada fora, cerca de seis semanas antes da vindima (a chamada monda de cachos), precisamente para intensificar a qualidade das uvas que restam, promovendo, assim, uma maior concentração dos taninos e do teor de açúcar. A vindima é totalmente manual e feita de madrugada, de modo que as uvas cheguem à adega com toda a sua frescura preservada.

E dado que a produção será sempre muito limitada, as vendas do Já Te Disse serão sempre feitas online no site da marca. A presença em alguns restaurantes será devidamente selecionada.

Um terço das vendas já realizadas foram feitas a estrangeiros residentes em Portugal, mas foram já enviadas garrafas a clientes em Moscovo e em Londres. Maioritariamente, os compradores são residentes na zona do Alentejo e de Cascais. Decidido foi ainda que 30% a 40% da produção de cada ano será sempre guardada para venda posterior. "Este vinho tem tudo para estar ainda melhor daqui por três ou quatro anos, vai melhorar muito com o envelhecimento dentro da própria garrafa", assegura Pedro Patrício.

O cão e o caçador
Além do uso de uma garrafa troncocónica (que tem a forma de tronco de cone) borgonhesa, o Já Te Disse tem rótulos desenhados por Siza Vieira. O arquiteto "achou imensa graça ao nome do vinho", que remete para uma história familiar: apaixonado pelo campo e pela caça, o avô Ramiro teve vários cães que o acompanhavam. Um deles, "um cão feio e rafeiro, de orelha partida, mas um grande cão de caça", foi batizado pela filha - a mãe de Pedro e Rui Patrício - com o nome de Já Te Disse, o que sempre gerou momentos de grande diversão cada vez que alguém perguntava o nome do animal. E Siza Vieira retratou-os nos rótulos que fez, um com um cão e outro com um caçador.

No site da empresa, jatedisse.com, é ainda possível comprar o azeite picual Já Te Disse e o vinho branco da casta viognier que a marca lançou também. São 3600 garrafas de uma produção única, já que as uvas foram compradas a um produtor local. "Não podemos estar a prometer aos clientes uma coisa que não temos, a uva branca não é minha", explica.

No próximo ano, irá lançar um vinho rosado, também de edição única, da colheita de 2021. "O vinho é sempre um bom investimento. O que não se vender, bebe-se", graceja Pedro Patrício, assumindo que o que começou como um hobby é hoje um negócio. E com potencial de crescimento.

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