João Vasconcelos: "Empreendedorismo não é só inovação"

"Temos ideias que não são novas mas que dão muito dinheiro. E ideias muito inovadoras que não dão dinheiro nenhum. Não tem a ver com a ideia, com a patente ou com a inovação. A maior percentagem do sucesso é execução.", garante João Vasconcelos, fundador e diretor executivo da Startup Lisboa.

Com mais de 200 empresas incubadas na estrutura que criou há cerca de dois anos, João Vasconcelos esclareceu, esta manhã na apresentação doPrémio Inovação NOS, a tarefa da incubadora: "O nosso papel é claramente da porta das universidades à das empresas."

O Dinheiro Vivo e a TSF juntaram-se à NOS para a criação de um prémio que quer distinguir a inovação em empresas de três dimensões distintas. As candidaturas arrancam esta quinta-feira. Mais informações, aqui.

Na Startup Lisboa, quase todos os meses entram novas empresas mas, mais do que a inovação, premeia-se a forma como se fazem as coisas. "A nossa grande fonte de empreendedores são grandes empresas: gente que deixa o seu trabalho e decide arriscar, numa altura em que não coloca tudo em causa.", esclarece João Vasconcelos.

"A nossa incubadora não desenvolve ciência, inovação nem investigação. Nós estamos no papel de trazer clientes e investidores para criar riqueza e emprego. Interferimos pouco com a inovação mas na transformação da inovação numa empresa.", explica João Vasconcelos, que lidera uma incubadora com 100 mil euros de orçamento anual e cujos integrantes cuja idade média é de 28 anos. "Defendemos algo e temos provas de que funcionou mas é muito importante empreendedorismo não científico. Empreendedorismo não é só inovação. A inovação cria um novo serviço, produto ou processo e tem que criar riqueza.", sublinha João.

"Temos que perceber que isto é uma cadeia alimentar mas esta cadeia não acaba à porta das incubadoras.", sublinhou o responsável. "Toda a atribuição de verbas devia ter outros critérios", disse.

João defendeu que incubadoras são instituições que, noutras épocas, tiveram outros nomes. "São operações imobiliárias sofisticadas mas isso não tem nada de mal. Só ter um espaço com renda barata ou sem renda já é bom. Quando um comete um erro todos aprendem. E sempre que um descobre uma oportunidade, todos aproveitam.", assinala. Um cenário que, considera, ajuda um processo que é maioritariamente solitário. "É algo muito individual. Por isso, poder comungar com pessoas que estão exatamente no mesmo processo é muito importante.", afirmou.

Para a Startup Lisboa, "a relação com empresas e com o mundo é fundamental". "Queremos que quem está na Startup Lisboa sinta que podia estar em Londres ou em Paris mesmo que a mortalidade em Portugal seja inferior. É mais barato, elas não morrem por causa dos fundos comunitários. Pelo mesmo dinheiro para abrir um restaurante eu invisto em 50 startups.", assinalou.

Em relação aos fundos comunitários - que não permitem a candidatura a pequenas empresas incubadas na Startup Lisboa, João Vasconcelos não tem dúvidas: "Vamos continuar a pôr motor onde não há combustível, e combustível onde não há motor. (...) O Portugal 2020 não vai investir em Lisboa mas podia", criticou.

João assegura que a maior parte do investimento nas empresas da Startup Lisboa são estrangeiros. "Uma empresa que em Silicon Valley custaria 10 milhões em Portugal custa um", assinala. No entanto, devido às exigências burocráticas, "há investidores que podem matar empresas mesmo antes de estas existirem".

Oportunidade digital

O mundo global e digital representa uma oportunidade única que Portugal não está ainda a perceber, assegura João Vasconcelos. "O mundo digital é uma oportunidade histórica para Portugal que o país ainda não percebeu. Nesta economia digital, Portugal pode ter um papel igual a qualquer país económico. O primeiro cliente de uma startup de Bragança pode ser uma multinacional. É histórico. Isto é bom é para países como Portugal.", assinalou.

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