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Job Deploy. Pôr tudo às claras na contratação de informáticos

Tiago Catarino lidera uma equipa de três pessoas na Job Deploy.
(Sara Matos / Global Imagens)
Tiago Catarino lidera uma equipa de três pessoas na Job Deploy. (Sara Matos / Global Imagens)

Tiago Catarino quer revolucionar o outsourcing nas tecnologias de informação, com uma plataforma digital que se afirma mais transparente e mais justa

Os patrões pagam muito. Os empregados recebem pouco. No final, quem lucra são os intermediários. O padrão repete-se em quase todos os departamentos de informática, onde os técnicos são geralmente contratados através de empresas de serviços de outsourcing. Tiago Catarino sabe do que fala. “Trabalhei muitos anos na indústria do outsourcing. Estive em duas empresas do setor e fui percebendo que havia um grande sentimento de injustiça e uma falta de transparência no processo. Reparei que, muitas vezes, o valor que o cliente final pagava por um serviço não estava a ser entregue às pessoas que faziam esse trabalho”, explica. “O pagamento é feito às empresas intermediárias que depois pagam um ordenado aos trabalhadores destacados para o serviço, que fica normalmente muito aquém das expectativas das pessoas”.

A situação levou o fazedor a criar a sua própria empresa no ramo. Só que, com uma marca distintiva: a transparência e a justiça. “Porque é que as empresas de outsourcing é que ficam com as margens confortáveis se não assumem nenhum dos riscos? É que é ao trabalhador que cabe assegurar prazos, horários e preocupações”.

A indignação fez surgir a Job Deploy, uma plataforma de outsourcing para profissionais de tecnologias de informação, que mostra logo à cabeça quais são as suas margens: 10% para “cobrir custos de financiamento e dos serviços prestados”, justifica Tiago Catarino. Muito abaixo dos cerca de 20 a 40% praticados no mercado.

Com a sua equipa de três pessoas, o fazedor desenvolveu um simulador online onde qualquer pessoa pode perceber quanto é que vai receber de salário, por determinado valor pago pelo cliente por um serviço. Discriminado fica o montante bruto, fee da plataforma, encargos fiscais e o ordenado líquido final. “A Job Deploy acaba por ser apenas um facilitador digital de contratação entre as duas partes, que só têm que se inscrever na nossa plataforma. Temos uma intervenção mínima no processo.”
Mas as diferenças para uma tradicional empresa de outsourcing não acabam aqui. Com esta startup portuguesa, os trabalhadores têm liberdade para integrar a empresa cliente, no final do serviço, caso as partes assim o entendam. Não há impeditivos contratuais nem o período de nojo habitual nestes casos. E se ainda referenciarem colegas para também se juntarem à plataforma, têm acesso a benefícios exclusivos. A mais recente novidade da Job Deploy é a entrada de profissionais de recursos humanos no processo. Desde outubro que é possível fazer um pré-registo de recrutadores de profissionais de tecnologias de informação.

Lançada em 2016, no Dia do Trabalhador, depois de um ano de preparação, a startup quer chegar ao final de 2018 com uma centena de trabalhadores inscritos na plataforma e encontra-se atualmente a trabalhar com dez empresas nacionais, algumas de grande dimensão. Têm recebido também contactos de companhias estrangeiras, o que levou Tiago Catarino a definir a internacionalização como objetivo. “Na primeira metade de 2018, queremos abrir a Job Deploy noutro país. Estamos só a definir exatamente onde. Inglaterra, Alemanha ou Suíça, por exemplo, podem ser opções interessantes.”

Outro dos objetivos da empresa para o futuro é chegar a 2020 com um volume de negócios na ordem dos 15 milhões de euros. Fora das prioridades, mas também uma opção em aberto é o alargamento da plataforma a outras áreas de atuação. “Nós verticalizámos na área das tecnologias de informação mas temos recebido muito interesse da parte de outros setores de atividade. Até porque o outsourcing está presente em várias indústrias. Talvez mais tarde possamos vir a explorar também esses mercados,” conclui o fazedor.

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