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Josefinas: O colo da avó num par de sabrinas

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Pode não acreditar, mas foi no meio de uma visita a uma obra que Filipa Júlio se lembrou que todas as mulheres deviam ter sapatos perfeitos para andar em qualquer situação. A ideia de um negócio próprio veio logo de seguida. A arquiteta de 30 anos queria arriscar: decidiu criar uma marca de sabrinas de qualidade, feitas por especialistas, com os melhores materiais, de forma a poder garantir às mulheres as condições de conforto e estilo.

Ainda a trabalhar no atelier de arquitetura, Filipa traçou um plano: decidiu inscrever a sua ideia, até aí secreta, num concurso de ideias de negócio. O projeto ficou entre os dez finalistas mas ganhou mais do que o financiamento: a gestora Maria Cunha, 37 anos, a única mulher no júri, decidiu falar com Filipa e propor-lhe uma sociedade para lançarem o negócio.

Dizem, com exagero reconhecido, que foram a mais de quinhentas reuniões com fornecedores até encontrarem o local ideal para mandar produzir as sabrinas. Tudo para que as coisas saíssem na perfeição. Mas o número não deve andar longe disso, entre muitos avanços e recuos. “Queria uma boa sola, a melhor pele, uma palmilha de qualidade. Queria que as sabrinas fossem feitas dos melhores materiais, com as cores mais indicadas”, explica a arquiteta. Procurar um fornecedor que pudesse assegurar uma produção de nicho foi talvez a missão mais complicada durante o processo. “Só a uma escala quase familiar conseguiríamos fazer tudo como queríamos. Com o cordão que pudesse ser apertado à volta de todo o pé, com o conforto e a qualidade que desejávamos e 100% português”, diz Maria.

A resposta positiva veio de um atelier de sapataria em São João da Madeira, onde trabalham dois irmãos sapateiros. Com os primeiros protótipos, Filipa e Maria testaram as sabrinas todo-o-terreno, na chuva, na lama, na areia. Até ao mar as Josefinas foram, para testar a qualidade da pele. Quando as sócias acharam que o produto estava exatamente como queriam, começaram a mostrá-las ao mundo. “Mandámos Josefinas para várias bloggers. Queríamos opiniões pessoais e privadas mas, de um dia para o outro, as sabrinas estavam a ser elogiadas nos respetivos blogues”, conta Maria. Sem esperarem, o plano estava traçado: as Josefinas – o nome é inspirado nas sabrinas das bailarinas, misturadas com o nome da avó de Filipa – passaram a ser vendidas online e marcam presença em pequenos mercados (estiveram, por exemplo, no Coolares Market, em Sintra). A estratégia passa por vender com uma margem curta (cada par de Josefinas custa 95 euros), pelo menos por enquanto. Mesmo que o retorno do investimento de cerca de 30 mil euros surja mais tarde do que planeado.

O site em inglês também fez parte da estratégia: os mercados dos Estados Unidos e do Japão estão na lista das prioridades das Josefinas, assim como o Brasil, onde a marca já está a fazer contactos com um parceiro no Rio de Janeiro. “Temos de ser realistas. Este negócio não foi feito para dar lucro amanhã. É, por agora, um projeto do coração”, garante Filipa.

Para o lançamento, as Josefinas foram produzidas em sete cores diferentes – preto, bege, azul-escuro, vermelho, amarelo, verde-água e cor-de-rosa , todas forradas com tecido às bolinhas – mas Filipa quer criar duas coleções por ano. Por isso, as novidades para o inverno não devem tardar. “O mais importante para lançar um negócio, seja ele qual for, é não perder o fio condutor. Só percebendo o que queremos vamos perceber como tudo funciona. E só assim se faz tudo funcionar.”

Retrato

A Josefinas nasceu da parceria entre Filipa Júlio e Maria Cunha, que se conheceram num concurso para descobrir ideias de negócio. As duas sócias investiram cerca de 30 mil euros para lançar a marca. As sabrinas são feitas à mão, de pele, e podem ser usadas em qualquer terreno, sem estragar. As Josefinas estão à venda online e já são um sucesso no Brasil. O Japão é a próxima prioridade.

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