Junitec. Uma máquina a criar empreendedores e a ganhar prémios

A mais antiga "júnior empresa" do país conquistou três distinções no jeniAL"22. Apesar das dificuldades do trabalho remoto, o tão desejado regresso ao presencial trouxe recompensas do esforço e novos projetos.

A Junitec-Júnior Empresa do Instituto Superior Técnico de Lisboa não podia ter começado melhor o ano. Constituída e gerida por estudantes dos cursos do Técnico, a empresa piloto, iniciou 2022 a somar um conjunto de prémios, que vieram distinguir o trabalho dos 65 alunos que atualmente integram a escola de empreendedorismo e inovação tecnológica. Para casa, a mais antiga "júnior empresa" do país trouxe três distinções no âmbito dos jeniAL Awards.

Nesse evento nacional, destinado a premiar e dar visibilidade ao esforço dos jovens estudantes portugueses que aspiram à entrada no mundo empresarial, foi galardoada com os títulos Júnior Empresa do Ano, Júnior Empresa mais Inovadora de Portugal e Júnior Empresa mais Socialmente Responsável do país. No entretanto, viu reconhecido o trabalho CEiiA 2 como "Projeto do Ano".

A estudante universitária Maria João Carvalho, presidente da Junitec, não podia estar mais satisfeita com o trabalho desenvolvido pelas equipas que integram esta empresa piloto do Técnico. Como frisa, o seu mandato, que se iniciou em junho de 2021, assumiu "o grande desafio do regresso ao presencial, garantindo que conseguíamos manter e fomentar a cultura da Junitec, assente na aprendizagem, na inovação e na tecnologia". Nessa ponte entre o remoto e o regresso à normalidade, a "júnior empresa" não parou e o projeto CEiiA 2.0 é disso um bom exemplo.

Este trabalho, que surgiu numa altura em que a saúde e os acessos aos cuidados hospitalares se tornaram matérias ainda mais urgentes, procurou colmatar os problemas dos tempos de espera nas urgências através do uso de tecnologia desenvolvida ao longo de oito meses por uma equipa de sete estudantes, em parceria com o CEiiA e o Centro Hospitalar de S. João.

Como explica Maria João Carvalho, a Junitec foi confrontada com o problema dos pacientes que recorrem aos hospitais estarem, em média, quatro horas à espera de atendimento, sem qualquer monitorização, sendo que os centros hospitalares recebem perto de 500 mil casos por mês. O desafio era grande.

Foi criada uma equipa multidisciplinar que concebeu uma pulseira inteligente, reutilizável e esterilizável, que monitoriza o estado dos pacientes após a triagem e enquanto aguardam atendimento. O dispositivo envia informações sobre o estado de saúde do doente à equipa médica, permitindo uma resposta ágil e eficiente em caso de alterações relevantes do paciente, revela a jovem universitária. O projeto passou a fase de testagem e já se materializou num protótipo, estando agora o CEiiA à procura de investimento para produzir a pulseira tecnológica em grande escala, para os mercados nacional e internacional.

O futuro

Como se comprova, a Junitec, que desde a sua criação, em 1990, já acolheu mais de 400 estudantes, num percurso que exige a conciliação dos deveres académicos e uma entrega voluntariosa ao trabalho de desenvolvimento de projetos para o mundo empresarial, não parou com a pandemia e já tem em lançamento novas ideias. A Júnior Empresa do Técnico tem a sua vocação muito assente na consultoria tecnológica, mas também é um centro de inovação.

Nesta área, tem já mais três novas ideias de estudantes acolhidas no seu Innovation Hub. Como revela Maria João Carvalho, estes universitários empreendedores iniciaram os projetos em outubro e já estão todos incubados. A moldAI apostou no desenvolvimento de uma plataforma de manutenção preditiva para moldes de injeção. Já a Nashe criou uma ferramenta de auxílio ao diagnóstico por imagem para a medicina veterinária. Por fim, a Hash Game Store lançou um marketplace de videojogos numa rede de blockchain que permite aos jogadores revenderem os jogos em formato de NFT.

Do Innovation Hub, criado em 2018 para desenvolver mentoria de projetos de empreendedorismo com vista à criação de startups, saíram já sete novas pequenas empresas tecnológicas, sendo que a Clynx, a primeira a voar do ninho, recebeu um investimento pre-seed (financiamento para iniciar operação) de 150 mil euros. A jovem empresa apostou no desenvolvimento de soluções de saúde digital na área da fisioterapia.

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