empreendedorismo social

Just a Change. Recuperar casas com a ajuda de voluntários

António Bello, diretor executivo da Just a Change, associação que promove a reabilitação de casas de pessoas carenciadas. Fotografia: Paulo Alexandrino / Global Imagens
António Bello, diretor executivo da Just a Change, associação que promove a reabilitação de casas de pessoas carenciadas. Fotografia: Paulo Alexandrino / Global Imagens

Associação já recuperou mais de 100 casas e colaborou recentemente com as obras de reabilitação em Castanheira de Pêra e Pedrógão Grande

A Just a Change foi fundada em 2010 com o objetivo de recuperar casas degradadas de pessoas com poucos recursos graças ao apoio de voluntários, parceiros locais e empresas. Esta associação sem fins lucrativos sedeada em Lisboa foi distinguida na segunda-feira pelas Nações Unidas, no âmbito da conferência sobre Alterações Climáticas (COP23). Em entrevista ao Dinheiro Vivo, diretor executivo da associação, António Bello, explica como funciona a Just a Change.

“Trabalhamos em parceria com a comunidade e os agentes locais, voluntários e empresas profissionais”, que fornecem cimento e outros materiais de construção. A Just a Change funciona de duas formas: “em Lisboa e Porto, o projeto decorre ao longo do ano e de forma menos intensiva para os voluntários, que têm turnos conforme os horários da faculdade ou o trabalho; fora daí, há campos de férias de verão, com programas de 10 dias, em que estão em permanência”.

Os casos mais graves e urgentes são sinalizados pelas juntas de freguesia e centros paroquiais. “Explicamos como funcionamos e desafiamos estas entidades a procurarem financiamento para a reabilitação. Os particulares não têm acesso direto a nós.”

Por cada obra, há uma entidade que gere o processo, seja um município ou uma fundação, que apoia financeiramente a atividade da Just a Change. Nesses momentos, são “contratados agentes externos” para ajudar nestas operações.

Desde a fundação, a associação já realizou mais de 100 obras, não só em Lisboa como nos concelhos de Cascais, Monchique, Ferreira do Zêzere, Óbidos e Sever do Vouga.

O projeto mais recente da Just a Change foi na zona de Castanheira de Pêra e Pedrógão Grande, depois dos incêndios de meados de julho. Em menos de um mês, foram reabilitadas quatro casas, graças ao apoio de 87 voluntários e de oito técnicos de obra.

Os voluntários são cruciais para o trabalho da associação: “sem eles, não conseguiríamos criar este impacto”. Além de universitários, a Just a Change recorre a reformados ou mesmo pessoas que trabalham e que respondem aos desafios promovidos ao longo do ano através da página da associação no Facebook.

A tempo inteiro, há oito pessoas que trabalham para a associação, cujo escritório encontra-se no espaço de cowork do LX Factory.

Apoios sociais

Além da reabilitação de casas degradadas, a Just a Change recupera espaços de instituições de solidariedade, como lares, creches, casas de acolhimento e infantários. “Isto serve para instituições sociais e sem fins lucrativos e que tenham alguma dificuldade em manter os seus espaços. Desta forma, não têm de gastar dinheiro a reabilitar os seus edifícios.”

Parceiros

Os parceiros são decisivos para o desenvolvimento das obras da associação. “Há três parceiros essenciais, sem os quais não conseguiríamos sobreviver: Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Manuel António da Mota, Entreajuda e fundação Porticus. BPI, CBRE, Reabilita, Impactrip e Fundação PT são outros dos nossos parceiros. Ainda não conseguimos sobreviver sozinhos, admite António Bello.

A sustentabilidade financeira e a expansão para fora do país deste modelo de reabilitação de casas são o principal objetivo a longo prazo desta associação.

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