Kenbi. Portugueses facilitam vida de idosos na Alemanha

Bruno Pires é cofundador de uma startup que ajuda os enfermeiros a terem mais tempo para cuidarem dos seniores. A plataforma tem escritório no Porto e procura programadores.

Há tecnologia desenvolvida em Portugal que facilita a vida dos idosos na Alemanha. Nascida em 2019, em Berlim, a Kenbi é uma plataforma que dá mais tempo para os enfermeiros cuidarem dos seniores e que ainda ajuda os mais experientes a explorarem totalmente os seus seguros de saúde.

Apesar da sede alemã, a Kenbi concentrou no Porto o desenvolvimento de toda a tecnologia. Bruno Pires, um dos cofundadores desta startup, lidera o escritório.

"Somos uma espécie de empresa de táxi antes de a Uber chegar", assim refere o fazedor português em entrevista ao Dinheiro Vivo. A Kenbi conta com uma equipa de 70 pessoas, que inclui dezenas de enfermeiros, a trabalhar em seis escritórios descentralizados em seis cidades alemãs. Este modelo é diferente do que acontece nas plataformas de transportes, onde os motoristas trabalham para parceiros das tecnológicas.

A solução portuguesa facilita a vida aos enfermeiros e torna-os bastante mais produtivos. "Em vez de passarem 35% a 40% a lidarem com burocracia, reduzimos essa percentagem para 7%." Os funcionários, através de uma aplicação, "podem criar os próprios horários, fazer uma folha de horas e gerir a conta bancária".

A Kenbi também quer tratar os enfermeiros da melhor forma possível, reduzindo a "elevada taxa de rotatividade" no mercado alemão, que condiciona a saúde destes prestadores de serviços e também dos próprios idosos.

Os idosos e respetivos familiares vão ficar igualmente a ganhar com a próxima atualização da aplicação. "Será possível a compra de serviços extra, que as pessoas têm incluídos nos seguros de saúde e dos quais as pessoas não sabem sequer."

Até lá, aos idosos chega uma chamada automática a informar que um enfermeiro vai ter com ele nos próximos cinco minutos.

Bruno Pires é um dos três fundadores da Kenbi, em conjunto com Clemens Raemy (responsável de produto) e Katrin Alberding (líder para marketing e recursos humanos).

O fazedor português está na área tecnológica há mais de uma década. Começou na Novabase, em 2008, trabalhando para clientes como BES, BESI e na antiga ZON.

"Percebi, depois, que a consultoria não era para mim." Em janeiro de 2012, Bruno foi ter com a mulher e mudou-se de Lisboa para o Porto. "Já sabia mais ou menos o que queria: ou criar o meu negócio ou encontrar uma startup que fosse interessante".

O especialista acabou por entrar no programa de empreendedorismo Startup Chile, onde conheceu o outro cofundador da Kenbi, que já tinha lançado um negócio para os táxis na América Latina algum tempo antes.

"O Clemens ligou-me e perguntou-me se queria trabalhar para a SaferTaxi" como programador para o sistema operativo iOS, da Apple. A aventura durou até 2017, com Bruno a trabalhar sempre a partir do Porto.

Dois anos depois, o português ajudou a fundar a Kenbi, que já arrecadou mais de sete milhões de euros de investimento. O escritório no Porto já conta com cinco pessoas e vai contratar mais oito programadores no espaço de um ano. "Não vamos ter uma piscina de bolas mas nunca nos faltará material de trabalho como deve ser."

Fora das contas está uma eventual expansão do negócio para Portugal. O foco é crescer na Alemanha.

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