Inovação

Lab meat. Quando o hambúrguer é feito em laboratório

Mark Post lidera a equipa de investigação holandesa.
Mark Post lidera a equipa de investigação holandesa.

Se começasse a trabalhar hoje a equipa de Mark Post teria um hambúrguer de laboratório feito a partir de células de vaca dentro de nove semanas.

A ideia parece estranha mas o primeiro hambúrguer in vitro foi apresentado ao mundo em 2013. A partir daí, a equipa da Universidade de Maastricht que Mark Post lidera tem trabalhado no aperfeiçoamento do produto e, sobretudo, do processo, para garantir que o hambúrguer terminado não altera as suas propriedades com o passar do tempo e, assim, não prejudica a saúde de quem o consome.

“Ainda não sabemos nem como se vai chamar por isso qualquer ideia ou sugestão é bem-vinda”, disse à audiência, durante um workshop esta tarde, em Lisboa.

Leia mais: Carne feita de insetos? Durante dois dias discute-se em Lisboa a sustentabilidade alimentar

Além deste processo de aperfeiçoamento, Mark Post pensa muito na maneira como vender o produto que criou em laboratório. “Temos a ideia de que podemos comer tudo o que os outros comem mas sem sabermos bem o que estamos a comer e de que maneira é produzido”, disse ao Dinheiro Vivo, à margem da conferência Thought for Food, a decorrer em Lisboa entre hoje e amanhã, 14 de fevereiro.

Uma das primeiras preocupações de Mark é produzir um produto que seja competitivo ao nível de preço. “Podemos fazer tudo se esse produto for mais barato do que o original. Senão, é mais difícil convencer os consumidores. O aspeto ético é muito importante para os clientes mas é preciso mostrar-lhes que têm uma alternativa”, explica o cientista. A outra é convencer as pessoas de que é um alimento seguro e semelhante ao considerado “natural”, muitas vezes mais seguro do que a carne que comem todos os dias por ser produzido num ambiente controlado.

De acordo com estudos feitos a uma amostra de 50 mil pessoas, cerca de 63% manifestou-se a favor da produção de hambúrgueres em laboratório, a partir de células de vaca e mais de metade dos inquiridos disse estar disposto a comprar esses produtos, garante Mark. Face aos resultados, a surpresa foi geral. “O mais incrível foi o interesse dos inquiridos com idades entre os 8 e os 12 anos e o grau de curiosidade que manifestaram”, contou no workshop, esta tarde, no Convento do Beato, em Lisboa.

O primeiro hambúrguer do mundo feito em laboratório foi dado a provar ao público pela primeira vez, em Londres, em agosto de 2013. Na altura, os voluntários que o provaram referiram que o sabor era parecido ao da carne de vaca normal mas faltava-lhe gordura.

O hambúrguer feito em laboratório contém cerca de 20 mil fios de proteínas cultivadas em ambiente controlado a partir de células de vaca.

Segundo Mark Post, a equipa ainda está a trabalhar no aperfeiçoamento e sobretudo na garantia de que não há degradação celular depois da produção em laboratório.

“Acho que a maioria das pessoas não entende que a atual produção de carne está no seu nível máximo e que não vai fornecer carne suficiente para o crescimento da procura nos próximos 40 anos. Precisamos de chegar a uma alternativa, não há dúvida. E isso pode ser uma forma ética e ambientalmente sustentável para a produção de carne”, dizia Mark Post no dia em que deu a provar o hambúrguer in vitro a especialistas gastronómicos.

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