empreendedorismo

Le Wagon Lisbon. Qualquer um pode desenvolver o seu próprio negócio online

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Empreendedores de todas as áreas podem candidatar-se ao programa internacional de nove semanas que chega a Lisboa em junho.

Imagine-se a aprender uma linguagem nova, do zero. Consegue imaginar? Pois bem: é isso que a Le Wagon propõe. Que em nove semanas aprenda a programar para poder arrancar com o desenho de um projeto digital sem ter de recorrer a serviços externos. Sente-se capaz? Então continue a ler. É que, a partir de junho, vai ser possível fazer um curso da Le Wagon em Lisboa. O bootcamp, desenhado para empreendedores e criativos, é um programa intensivo para pessoas que queiram passar do zero a estar aptas a desenvolver engenharia de software. Como?

A ideia de criar o projeto francês Le Wagon surgiu no final de 2012 quando um dos melhores amigos de Boris Paillard, cofundador do Le Wagon, fez um programa semelhante em São Francisco para aprender a programar. “Nove semanas depois era contratado como programador júnior por uma empresa californiana e vivia tranquilamente o seu sonho americano”, contava Paillard em entrevista, em julho de 2013. Depois disso, com os sócios Sébastien Saunier e Thomas Chrétien avançavam para a criação da própria estrutura de formação que pudesse ensinar rapidamente código a criativos e empreendedores.

A rede Le Wagon está a expandir-se: vai estar em Amesterdão, Londres e Lisboa até ao final deste ano, mas acho que Lisboa foi uma escolha óbvia para os portugueses com quem temos falado.

A viver em Portugal há dois anos e meio, a norte-americana Shannon Graybill, 28 anos, entusiasmou-se com a ideia. Depois de ter trabalhado na Ásia na área de angariação de financiamento e, em vários outros projetos ligados a empresas, mudou-se para a capital portuguesa sem planos. “Quando vim para Lisboa apercebi-me finalmente do que se passava aqui com as startups tecnológicas. Nunca pensei que vir para cá proporcionasse tal coisa. Muita gente dizia que eu estava a arruinar a minha carreira vindo para Lisboa e perguntava-me porquê Portugal”, conta, em entrevista ao Dinheiro Vivo. Conheceu o projeto através de uma pessoa a quem o curso tinha inspirado a criar a própria empresa. E, sabendo do interesse da Le Wagon de investir em novos mercados, começou a tentar convencer os fundadores a deixarem-na desenvolver a ideia em Portugal, em parceria com a Fábrica de Startups, uma incubadora e aceleradora de empresas e novos negócios. Depois, foi uma questão de tempo: Lisboa já estava nos radares da Le Wagon.

( Leonardo Negrão / Global Imagens )

( Leonardo Negrão / Global Imagens )

“A rede Le Wagon está a expandir-se: vai estar em Amesterdão, Londres e Lisboa até ao final deste ano, mas acho que Lisboa foi uma escolha óbvia para os portugueses com quem temos falado. Para os que olham para essa escolha de fora, o facto de a Web Summit ter escolhido Lisboa vai gerar um enorme fluxo de pessoas ligadas ao empreendedorismo e às startups no caminho para Lisboa. Há já muito interesse no que se passa por cá”, esclarece Shannon.

Leia mais: O primeiro passo para um negócio da China

Das nove semanas de bootcamp que constituem o curso faz parte um plano de trabalhos que arranca no desenvolvimento de produtos desde o nível do back-end (especificações de utilização) até ao front-end (que determina a entrada dos utilizadores). “É outra maneira de dizer que se trata de um curso intensivo. Pegamos em pessoas não técnicas e damos-lhes o que precisam para serem engenheiras de software e programadores web”, explica Shannon.

Por isso, o bootcamp do Le Wagon não é um curso qualquer. É construído especialmente para fazedores: pessoas que tenham ideias de negócio e que queiram ser capazes de construir a plataforma para os levar a cabo, de maneira a poderem lançar aquilo a que os especialistas chamam o MVP (minimum viable product), o produto minimamente viável, que permita a uma startup ir para o mercado testar o seu produto e validar o seu negócio rapidamente.

“O objetivo é mesmo o de ter uma ideia que possa ser concretizada no final do curso. Começamos do nada, de um esquisso de um site como o do Airbnb, para a capacidade de construir o próprio projeto. E as duas últimas semanas de formação são usadas para construir cada um dos projetos. Por isso, no curso da Le Wagon cabe qualquer pessoa. Podes ser um profissional e tirar o curso para conseguir reescalar o negócio ou encontrar novas oportunidades na área tecnológica mas, ao mesmo tempo, é possível construir um projeto próprio”, detalha, assegurando que o percurso anterior é pouco valorizado na hora da entrevista a cada um dos candidatos. “Qualquer pessoa pode entrar no curso e aprender a programar, mas claro que fazemos uma seleção dos candidatos em entrevista, sobretudo para perceber o nível de comprometimento com o calendário. O programa é intenso, é difícil e exige disponibilidade mas é sempre dirigido a não especialistas, é para qualquer pessoa. Só temos que ter a certeza de que as pessoas estão motivadas e prontas para aprender muito”, diz.

A primeira edição do curso do Le Wagon vai ter 24 lugares disponíveis e, a cada nove semanas haverá nova turma a começar: a segunda edição deverá arrancar no outono.

O primeiro bootcamp da Le Wagon em Lisboa arranca a 27 de junho e termina a 26 de agosto, “o timing perfeito para aproveitar as férias de verão”, assinala Shannon. “Este programa vai ser em inglês porque também vemos este curso como uma oportunidade de destination learning, para fazer um bom mix entre o português e a comunidade internacional. Há um enorme interesse de muitas startups do norte da Europa para vir para Lisboa e lançar aqui os projetos. E isso é muito bom”, diz.

“Também é interessante porque o curso é aberto a gente de todas as idades mas vemos que a maioria das primeiras candidaturas têm sido de licenciados em gestão que veem vantagens em ter estas valências técnicas na sua base de conhecimento. E também de pessoas mais velhas, com 40 e 50 anos, talvez à procura de novas oportunidades de trabalho”.

A primeira edição do curso do Le Wagon vai ter 24 lugares disponíveis e, a cada nove semanas haverá nova turma a começar: a segunda edição deverá arrancar no outono.

“O código é uma gramática, um vocabulário, e uma lógica usada para dialogar com um computador ou para fazê-lo executar ordens. Cada linguagem de computador tem as suas próprias sintaxes e especificações mas todas partilham a mesma lógica e princípios comuns. Isso é aquilo o que chamamos código”, disse o fundador, numa entrevista dada em 2013, ao site Amusement. Está preparado para aprender esta poesia?

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