Lokals. Como conhecer uma cidade pela mão de quem lá vive

Americana de nascimento, a startup Lokals prepara-se para lançar a sua aplicação com a primeira cidade: Lisboa. Miami será outro destino.

No verão de 2017, o luso-italiano Francesco Catemario di Quadri estava em Portugal a visitar a família. Nessa altura, alguns amigos vieram conhecer o país e Francesco passou “duas ou três semanas a mostrar Portugal”. Quando regressaram a casa, nos EUA, os amigos contaram a experiência. Animados pelo que ouviram, vieram outros amigos e Francesco percebeu que, “ao fim das nove semanas, podia ter sido pago. Assim surgiu a ideia de criar uma plataforma - a Lokals - onde turistas e viajantes que chegam pudessem ligar-se a gentes de cá, que conhecem o país de uma forma mais autêntica”.

Criar experiências únicas e à medida dos interesses de cada viajante, concretizadas pela mão das pessoas que vivem nessas cidades, é a missão da Lokals. “Os lokals, como lhes chamamos, estão entre amigos e guias. A ideia é que os turistas criem uma ligação com as pessoas do sítio em vez de fazerem só as experiências. Queremos chamar à atenção dos locais para o facto de poderem oferecer um dia ou dois, serem pagos por isso, e fazerem um itinerário com um turista com quem têm interesses em comum”, conta.

A startup e a plataforma (partilham o mesmo nome) começaram a ganhar forma em 2018 nos EUA, onde Francesco e o sócio viviam. A chegada ao mercado está marcada para esta primavera. A primeira cidade a constar nesta plataforma e aplicação móvel (que ficará disponível para iOS e Android) será a capital portuguesa. Porquê? “Em primeiro lugar porque adoro Lisboa; vivo cá desde outubro. Começámos o projeto em Miami, onde estive nos últimos dois anos, mas Lisboa é um grande centro de turismo europeu e queremos tirar partido disso. É também um dos melhores sítios do mundo que ainda oferece autenticidade. Mesmo tendo muito turismo nos últimos anos, não perdeu o carácter.” Miami vai ser a segunda cidade.

Além de ligar-se aos locais, a Lokals quer também contar com outras empresas de turismo, permitindo assim a integração de alguns funcionários nesta solução para que possam realizar experiências com os viajantes. Francesco di Quadri acredita que não têm uma concorrência direta, uma vez que as outras plataformas estão mais voltadas para experiências mais massificadas e não tão ajustadas aos interesses dos turistas, nem que sejam realizadas por locais.

Para evitar ter de enfrentar problemas com as autoridades, como aconteceu com outras startups do setor, antes de entrar num novo mercado a Lokals contacta com as autoridades para perceber como veem o projeto. “O Turismo de Portugal ajudou-nos muito a integrar no network do turismo e começar a falar com algumas empresas de turismo e sindicatos.”

A plataforma foi desenvolvida em outsourcing e conta com um conjunto de 30 categorias de experiências. Cada lokal pode eleger dez. O modelo de negócio assenta na cobrança de uma percentagem sobre todas as transações que acontecem na plataforma. Financiada até aqui com dinheiro da família e dos amigos, a startup está a trabalhar para levantar uma ronda de financiamento seed, com o objetivo de lançar-se em novos mercados.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de