Lovys. De Paris para Leiria, criando 30 postos

A startup Lovys, fundada em França mas com ADN português, vai criar um polo tecnológico em Leiria. Prepara nova ronda de financiamento. Tem mais de 10 nacionalidades nos seus quadros.

É uma startup nascida em Paris (França) mas foi pela mão de um português, João Cardoso, que a Lovys surgiu. E apesar de ter uma presença mais forte no mercado gaulês, a empresa vai abrir um polo tecnológico em Leiria - com a criação de 30 postos de trabalho altamente qualificados. É a partir dali que pretende continuar fazer grande parte do seu desenvolvimento tecnológico.

O mundo dos seguros não era desconhecido para João Cardoso e, por isso, quando em 2017 lançou a startup já conhecia as linhas que cruzava. Os seguros, tal como a banca, são uma área de negócio que continua a ser algo conservadora. Se é verdade que a maioria dos bancos e seguradoras já estão na Internet e nas redes sociais, não é menos verdade que as soluções que oferecem online são basicamente a mesmas que ao balcão. E é aí que a entra a Lovys, ao aplicar o mesmo modelo de negócio que as plataformas de streaming de filmes e séries: uma subscrição mensal, mas de seguros, que pode ser cancelada a qualquer momento, e que também permite concentrar todas as apólices numa só mensalidade.

"A Lovys é uma empresa com ADN português: apesar de contar com mais de dez nacionalidades nos seus quadros, a portuguesa é a mais representada nos 55 colaboradores. Sempre vimos Portugal não apenas como um mercado, mas como um centro de talento, competências e tecnologia no qual assenta a nossa organização. A aposta em Leiria vem de uma primeira boa experiência na cidade, com a criação de um pequeno escritório, que será transformado em hub", diz ao Dinheiro Vivo João Cardoso. "É impressionante a qualidade e quantidade de quadros em áreas tecnológicas no centro de país. E Leiria, pela sua localização e ecossistema de inovação, tem uma vantagem competitiva bastante significativa", acrescenta.

Com a pandemia a chegar em força à Europa no final do primeiro trimestre, todos os setores de atividade e negócios sentiram os efeitos. A Lovys não foi exceção. O empreendedor reconhece que a firma teve um decréscimo entre 30% e 40% nos meses de confinamento, "explicada por uma natural contração do consumo em geral".

A startup conta com quatro produtos: seguro casa, carro, smartphone e animais de companhia. "Todos os nossos produtos estavam associados a uma compra ou aluguer de um bem. Naturalmente, havendo menos atividade, existiu também uma menor procura por este tipo de seguros, ainda que de forma temporária. Começámos o ano com taxas de crescimento mensais entre os 30% e os 50%, com cerca de 2 mil novos clientes só no mês de fevereiro." Contudo, em julho, a empresa conseguiu três mil novos clientes, tendo "vindo a aumentar", contando já com 20 mil, "valor que irá duplicar nos próximos meses".

Há quem diga que das crises também nascem oportunidades. E foi o que aconteceu com esta seguradora. A pandemia levou a um confinamento generalizado na Europa, o que ditou uma aceleração da transformação digital do setor dos seguros, diz.

Crise foi uma oportunidade
"Em França existia ainda uma boa parte da população que subscrevia seguros através de balcões presenciais. A pandemia veio aumentar a procura online por seguros, beneficiando as novas marcas. Os consumidores estão mais abertos do que nunca a assinaturas e pagamentos digitais e espaços cliente online", reconhece.

Entre os principais objetivos para o próximo ano está a expansão para novos mercados, embora João Cardoso não queira levantar o pano sobre quais serão os novos destinos. E assume: "Já percebemos que a necessidade à qual respondemos em França é também bastante válida em toda a Europa. A estratégia da Lovys passará por adaptar a seu produto legalmente, sempre tentando alavancar as necessidades transversais a vários mercados: uma experiência digital, flexível e transparente em seguros."

A Lovys já levantou mais de 3,7 milhões de euros em rondas de investimento, tendo como principais investidores a Portugal Ventures, MAIF Avenir e Plug & Play Ventures. João Cardoso afirma que é "um objetivo de curto prazo, que acontecerá até ao início do próximo ano".

O empreendedor não revela mais detalhes sobre a operação, explicando apenas que este novo investimento será canalizado "não só para fazer crescer a equipa como também para acelerar a expansão em novos mercados. Estamos convictos de que terá um valor próximo das maiores rondas de investimento série A na Europa, na área dos seguros".

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