Fim de semana com miúdos

magikbee. Brinquedos tradicionais com um twist

Juntaram a tecnologia dos tablets à madeira dos brinquedos mais convencionais e criaram três jogos para iPad que não são nada uns sem os outros.

De todos os brinquedos, o preferido era o iPad. Foi nisso que Hugo Ribeiro, 35 anos, reparou sempre que olhava para as duas filhas pequenas: de cada vez que saíam de casa, o iPad ia atrás. Sempre que estavam em casa, o tablet era o favorito nas brincadeiras.

A trabalhar em projetos ligados ao marketing e à inovação durante os últimos dez anos e com receio de que as brincadeiras direcionadas para o tablet conduzissem à pouca interação das miúdas com brinquedos reais e conduzisse a uma perceção espacial pouco desenvolvida, Hugo desafiou Pedro Branco, professor universitário e investigador, e Carina Figueiredo, com experiência de interação com crianças através da componente tecnológica, a criarem juntos um sistema que permitisse “conjugar o melhor dos dois mundos”. Quase um ano depois de começarem a trabalhar no projeto apresentavam a magikbee, uma marca que serve de “chapéu” a três jogos – Hidden Shape, para crianças entre os 3 e os 5 anos, Dino Blocks, dos 4 aos 6 anos, e Runaway, dos 5 aos 8 – e a um kit de brinquedos de madeira que interagem com o iPad onde os jogos estão instalados, de maneira a fazer com que as crianças não percam nenhuma das duas dimensões.

“Fui reparando que as minhas filhas eram viciadas no iPad porque começámos a levar o tablet para onde quer que fossemos”, conta Hugo Ribeiro, em entrevista ao Dinheiro Vivo

Ter notado a “necessidade de reação muito limitada ao movimento de swipe” [da esquerda para a direita, no ecrã]. “Acredito que até as noções de espaço das crianças fiquem comprometidas com a utilização recorrente destes aparelhos. Corremos o risco de as crianças acharem que os brinquedos só existem dentro dos tablets. Queríamos que as crianças pudessem brincar com o objeto real e não com coisas que existem meramente num ecrã”, acrescenta Hugo.

Por enquanto, a equipa da startup continua a trabalhar no registo das patentes e, por isso, pouco pode adiantar acerca da tecnologia. Hugo conta o processo em linhas gerais: a tecnologia funciona através de sensores no iPad que conseguem detetar a combinação de sólidos de madeira e fazer interagir o objeto físico com a aplicação correspondente. “O nosso objetivo foi criar jogos para crianças de todas as idades, de maneira a que elas gostem, consigam fazer interagir objetos reais com a tecnologia. Nos níveis mais avançados, as crianças vão ainda precisar de adultos para conseguirem passar de nível, o que faz com que integrem adultos nas suas brincadeiras”, explica o cofundador do projeto.

Durante nove meses, a equipa da magikbee, incubada na Startup Braga, desenvolveu três jogos e os brinquedos produzidos em madeira existem em formato de protótipo. Ainda por definir está o local onde serão produzidos os cubos de madeira Magic Play, já que, por enquanto, em Portugal, não encontraram uma alternativa de produção viável.

Entretanto, para conseguirem produzir os primeiros 5000 kits, os fundadores da magikbee avançaram com uma campanha de crowdfunding na plataforma IndieGogo, uma das mais concorridas a nível mundial, que tem como objetivo angariar 37 mil dólares até 20 de janeiro. A escolha, adianta Hugo, teve tanto a ver com a necessidade de financiamento como com os objetivos da empresa para a expansão internacional.

“Quisemos divulgar o projeto da forma mais alargada possível. Os mercados dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá são prioritários para nós. Para avançarem Trabalhar na interligação de brinquedos com tecnologia, de maneira a que os físicos, mais tradicionais, tenham um lado mais tecnológico e sofisticado. Os primeiros kits, que também contam com um suporte de iPad que garante que as peças de madeira fiquem na posição certa, deverão ser entregues até ao final do primeiro semestre de 2016. No próximo ano, a equipa começará a pensar também na internacionalização nos mercados nórdicos.

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