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Maudde. Da Química e do Marketing para o luxo em segunda mão

Ana e Marta Silva já foram premiadas pelo projeto e procuram um parceiro. Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Ana e Marta Silva já foram premiadas pelo projeto e procuram um parceiro. Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

As irmãs Ana e Marta Silva criaram uma plataforma para venda de roupa e acessórios topo de gama já usados. Diferença de preço pode superar os 70%

Ainda só tem meio ano de existência, mas as autoras da Maudde já procuram um parceiro para investir na melhoria da resposta à procura, face ao sucesso inesperado da plataforma que criaram de venda de roupa de luxo em segunda mão.

Quando, em abril, as irmãs Ana e Marta Silva lançaram o negócio, por cautela em inglês, não imaginavam que mais de metade dos clientes viessem a ser portugueses. Por esse motivo, vão já criar uma versão bilingue, extensível ao mercado africano, por exemplo.

Compreende-se o êxito da solução se atendermos ao preço. Um porta-moedas Louis Vuitton novo à venda em loja custa entre 600 e 700 euros. Na Maudde, já usado, cai para 192. Uma carteira Chanel, em nova nunca custaria menos de 4 mil euros, na plataforma vende-se por 2500. Um top Karen Millen novo pode custar 120 euros, em segunda mão fica por 48. Ana Silva ressalva que a empresa assegura a autenticidade dos produtos e até permite trocas e devoluções.

Um dos critérios que garantem o caráter luxuoso de uma peça de vestuário, de calçado, de uma carteira ou de uma mala, de um lenço ou de joias e relógios é, “em primeiro lugar, a marca, mas sempre associada à qualidade – que é o que mais conta” – e ao bom estado de conservação do produto. Há também peças vintage, que até podem nem ter marca, mas terão igualmente de ter qualidade e um “design especial”.

Se quem quer vender produtos é uma loja com existência física, normalmente, o proponente indica o preço da peça. Se forem particulares, podem propor um valor, mas a plataforma reserva-se o direito de sugerir uma alteração, em função das avaliações que faz, e para as quais chega a contratar profissionais especializados, a quem também compete fazer a autenticação das peças.

A Maudde dispõe ainda de um serviço de concierge, para ir buscar os produtos a casa e fotografá-los. “Boas fotografias são essenciais”, assume Ana Silva, de quem partiu a ideia do negócios, que está em fase de criação da equipa.

Por influência da mãe, Ana Silva revela que sempre teve um fraquinho por moda. Ver desfiles e revistas especializadas tornou-se um hábito, embora a sua formação tenha sido no marketing. E foi nessa condição que trabalhou em empresas de sistemas de informação, até ter surgido a oportunidade de fazer uma formação em moda.

Seguiu-se depois um mestrado, desta vez, em Gestão, na vertente digital, já a pensar num possível negócio na área da moda, mas “sem colidir com o atual problema do excesso da produção”, daí o recurso ao comércio de bens usados.

“Sempre gostei muito de produtos em segunda mão, mesmo para os meus filhos. Não é preciso comprar coisas novas para termos coisas boas”, explica assim a empresária de 35 anos a sua filosofia de vida, sublinhando com satisfação que “já não há tanto preconceito da roupa usada na sociedade portuguesa”.

A sua irmã, Marta, 42 anos, licenciada em Química, passou parte do seu percurso profissional em laboratórios e também pelo marketing, “mas sempre apologista de materiais naturais e sustentáveis”. Estavam então reunidas as condições para aceitar o desafio de Ana e criarem a Maudde, apenas com capitais próprios, e depois de um inquérito online que lhes mostrou haver recetividade para este tipo de projeto.

Apesar de a empresa, sediada em Lisboa, ter surgido há escassos meses, já foi distinguida pela associação Acredita Portugal, por ter sido considerada de “elevado potencial”. E não estavam enganados. Diz Ana Silva: “O objetivo de curto prazo é procurar um investidor que seja parceiro, para nos ajudar a melhorar a parte tecnológica e podermos prestar um serviço mais célere.”

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