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Menu perfeito para almoçar está a nascer graças à tecnologia portuguesa

Rui Costa é um dos fundadores da EatTasty. 
(Arquivo/Global Imagens)
Rui Costa é um dos fundadores da EatTasty. (Arquivo/Global Imagens)

Software desenvolvido pela plataforma de entrega de almoços EatTasty evita repetição de pratos e já permitiu redução de sobras de 14% para 3%.

O menu perfeito para almoçar está a ser criado graças a uma startup portuguesa. O software desenvolvido pela EatTasty reduz drasticamente as sobras de refeições, evita a repetição de pratos durante a semana e permite gerir melhor as rotas dos pedidos. A empresa atingiu recentemente o marco das 250 mil refeições entregues em Lisboa e em Madrid e está a elaborar um guião para poder chegar a mais cidades portuguesas durante 2020.

A nossa equipa está a construir modelos preditivos para conseguir criar o menu perfeito. Temos um algoritmo que faz cálculos com base no histórico de vendas, na meteorologia prevista para a próxima semana e em eventos – sabemos exatamente que vamos entregar menos refeições durante a Web Summit porque fazemos um inquérito e temos connosco o histórico de encomendas”, explica Rui Costa, um dos fundadores da EatTasty, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A tecnologia desenvolvida a partir de Lisboa e de Vila Nova de Famalicão tem seduzido os investidores. Em julho, a EatTasty fechou uma ronda de investimento seed no valor de 1,1 milhões de euros e que atraiu mesmo o grupo Ibersol, que detém o franchising das cadeias de comida rápida Burger King, Pizza Hut e KFC no mercado português.

Com este software, é possível evitar a perda de refeições. “Chegámos a ter uma taxa de desperdício de 14%. Com o nosso modelo preditivo, já conseguimos reduzir o desperdício para apenas 3%.” E mesmo quando sobra comida, as refeições vão parar à associação Refood. Estão ainda a ser estudadas com plataformas que vendem sobras de comida, como a Too Good to Go e a Phenix.

A solução portuguesa também serve para evitar almoços repetidos ao longo da semana. “Podemos ter os mesmos pratos a serem produzidos em dois dias consecutivos mas depois são vendidos e promovidos em zonas diferentes”, detalha Rui Costa.

O cliente também fica a ganhar com esta plataforma porque “é possível gerir melhor” as rotas de entrega das refeições. “Se houver um acidente perto do local de recolha, isso tem impacto na hora de entrega. Os cinco minutos de atraso na saída podem transformar-se em meia hora de demora na entrega, sobretudo com os estafetas a ficarem à espera do elevador.”

Guião de crescimento

Quando a startup portuguesa recebeu a mais recente ronda de investimento, a chegada a novas cidades foi estabelecida como o principal objetivo desta operação. Apesar de ainda não estarem definidas as novas localizações, a EatTasty está a elaborar um guião de crescimento.

Estamos a construir processos internos de expansão: como contratar um estafeta, como angariar novos clientes, como selecionar novas receitas, como abordar um restaurante, como tirar uma boa fotografia de comida. Isto está a ser elaborado para que em 2020 possamos expandir o negócio para novas localizações.”

O crescimento da empresa portuguesa pode ser feito através do modelo de franchising ou através da criação de equipas locais “geridas por nós, a partir de Portugal, tal como temos feito em Madrid”.

Começar a servir refeições cada vez mais cedo também é um objetivo que poderá ser concretizado ainda neste ano. “O nosso negócio tem estado focado no almoço mas queremos evoluir para outros momentos no local de trabalho: isso passará pelos pequenos-almoços.” A EatTasty, em março de 2019, comprou a startup de entrega de almoços Breadfast por um valor não identificado.

Também na mira da EatTasty – onde trabalham mais de 30 pessoas – está o reforço das parcerias com restaurantes para promover pratos especiais. Só que isso não depende apenas da vontade dos clientes.

Procuramos as melhores receitas da cidade, em conjunto com o nosso chef. Temos uma visão da entrega de comida que vai muito além de simplesmente meter a refeição numa embalagem e transportá-la. Por exemplo, com os panados, demorámos quase meio ano a ter uma solução que após 30 ou 40 minutos na embalagem chega ao cliente com a mesma qualidade com que foi cozinhada. Há muitos chefes que não permitem que o seu produto não seja entregue em casa porque sabem que a refeição não vai corresponder à experiência do utilizador. Há produtos que simplesmente não podem ser entregues.

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