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Minigarden: Amor verde e suculento

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É dos que babam de inveja das fotos que os seus amigos publicam no Facebook com canteiros a transbordar de morangos e vasos do manjericão que ficava tão bem naquela pasta que lhe apetecia tanto jantar logo à noite? Se sim, se é um urbano assumido que, depois de tantas ter matado à sede, já as afoga em fertilizante, continue, porque há quem trabalhe a pensar em sim, ou melhor, nas suas plantas.

Veja aqui a reportagem em vídeo

António Rodrigues, a irmã e o pai, o criativo de serviço, juntaram-se na Minigarden e há seis anos que prometem tornar os maiores nabos em verdadeiros profissionais da jardinagem e das hortas urbanas. “Basta ir ao supermercado, a um garden centre ou a um do it yourself comprar um [kit] Minigarden, o substrato e as plantas. Trata-se de um sistema modular, que pode ir crescendo, os sistemas de rega já vêm incorporados e as soluções de cultivo são mais simples ou mais elaboradas, consoante se pretender. Pode nem sequer sujar as mãos”, explica o administrador.

A ideia é pôr as pessoas a cultivar, mas não porque está na moda, adianta António Rodrigues, antes porque em menos de meio metro quadrado de chão é possível ter mais de 200 plantas que consomem dióxido de carbono e libertam oxigénio. E porque as crianças têm pouco contacto com a agricultura e esta é uma forma de os pais lhes ensinarem que os legumes não crescem nos frigoríficos. E porque é muito simples apropriar-se de uma refeição com um pequeno gesto. E porque as pessoas com mobilidade reduzida podem passar bem o seu tempo a tratar do seu jardim. “Vivemos tempos difíceis, as pessoas também podem pensar em cultivar os seus próprios alimentos. Além da componente de gozo, também há a vertente económica”, acrescenta o gestor da Minigarden, que também é consumidor das suas hortas urbanas (“Eu lá seria capaz de fazer um produto de que não gostasse?!”, diz).

Portugal é o laboratório

Desde 2007 que a Minigarden, que conta apenas com 11 pessoas e prevê faturar mais de um milhão de euros este ano, já vendeu para mais de 50 países. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, António Rodrigues explicou que Portugal pesa muito pouco no volume de negócios da empresa: “Nós estamos completamente focalizados no mundo. Portugal representa entre 2% e 4%. Só! Portugal é o nosso laboratório, devido à proximidade, é aqui que testamos os produtos. O mundo é que interessa.” Principais mercados? México, que é um grande mercado. Alemanha, França, Japão, Holanda, EUA, Noruega, Finlândia. Portugal pesa pouco, mas não é por falta de interesse no verde: “Somos apenas 10 milhões”, diz António Rodrigues, que avisa com orgulho que “tudo o que está aqui dentro [da embalagem] é 100% produzido em Portugal”.

Com tanto negócio fora do país, a vida da Minigarden vai muito além das hortas urbanas. Em Hong Kong, tem um muro de sete metros de altura no Sha Tin Park, um dos maiores jardins da cidade; no Dubai, paredes em hotéis de cinco estrelas; as embalagens estão escritas em português, inglês, castelhano, francês, alemão, italiano, japonês, russo e mandarim, as instruções, a mesma coisa. Nove línguas para poder exportar para o mundo.

Os lucros chegaram há dois anos. Quanto será este ano? “Não sei, muito sinceramente. Como empreendedores, não pensamos só no lucro. É importante lucrar para reinvestir, mas todos nós somos pessoas, há o lado da realização, pensamos no legado, no que deixamos. Fico muito satisfeito quando chego a casa e as minhas filhas dizem: “Oh pai, gosto tanto do que tu fazes”. Os empreendedores pensam sempre em duas coisas, em ganhar dinheiro e no legado. Mas não me preocupa, vamos lucrar mais do que em 2012; grande parte do lucro servirá para amortizar o investimento e para reinvestir”, afirma António Rodrigues. O gestor não acredita em negócios de geração espontânea e sublinha os sacrifícios e o forte investimento em patentes – “os nossos produtos são todos patenteados a nível mundial” -, no desenvolvimento do produto e nos moldes.

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