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Minimalismo português chega a Harrod’s, Selfridges e Fortnum & Mason

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A mishmash, marca de estacionário de nicho produzida em Matosinhos, quer conquistar este verão a high street de Londres. Sem medo do brexit.

O outono e a reentrée chegarão a Londres com a mishmash bem colocada nos principais escaparates do retalho mais histórico da capital britânica. É uma marca portuguesa especialista em cadernos de gama alta e minimalista e prepara-se para triplicar este ano uma faturação sobretudo assente em exportações. Das vendas de 100 mil euros de 2017, a mishmash, com sede em Matosinhos, espera chegar este ano aos 300 mil euros.

Um contrato de distribuição exclusiva vai “cimentar a posição no Reino Unido”, diz Ricardo Barbosa, responsável pelo marketing da marca e cofundador, com a designer Beatriz Barros.”Garantem-nos um objetivo anual de vendas, e garantem-nos que conseguimos estar numa série de lojas de referência: o Harrod’s, a Fortnum & Mason’s, o Selfridge’s, os maiores retalhistas do Reino Unido”.

Apesar de estar presente já em mais de 100 lojas de 20 países, a mishmash tem este ano os seus primeiros contratos de distribuição exclusiva. No Reino Unido e também em Espanha, onde passará das atuais três lojas em que está representada para 50. Além disso, a mishmash está a negociar acordos de distribuição, mais difíceis, nos Estados Unidos e no Japão.

O contrato que vai colocar a marca nas principais lojas britânicas – e também na Irlanda, França e grupo Benelux, mas sem exclusividade – tem início em agosto, a menos de um ano do prazo para a saída do Reino Unido da União Europeia. Ainda não há acordo sobre o futuro regime em que vão funcionar as fronteiras comerciais com o bloco europeu, mas Ricardo Barbosa e Beatriz Barros mantêm confiança no curto prazo.

“O brexit irá ter um impacto visível nas vendas para o Reino Unido, como já tem vindo a acontecer a um nível macro nos últimos tempos”, admite o cofundador. “O receio existe da nossa parte mas acreditamos que o impacto verdadeiramente significativo só será visível dentro de alguns anos”, diz.

Conforto no papel

Criada em 2015, a mishmash tem sido comparada à italiana Moleskine. Mas, ao contrário desta, aposta numa produção exclusivamente nacional. Os cadernos, agendas e outros artigos concebidos pela designer Beatriz Barros são cortados e cosidos em Lavra, Matosinhos. Destacam-se por uma imagem que remete para estacionário antigo e por uma produção artesanal cuidada que aposta na qualidade do papel.

“Quando começámos, definimos isto de uma forma muito clara: utilizar papel que normalmente só encontramos em livros, no design editorial, muito mais caros e muito mais cuidados, e que normalmente não encontramos em papel de escrita, que é para deitar fora”, explica Barbosa. “É um produto que ganha bastante ao toque”, descreve.

Portugal não é o mercado-alvo da mishmash, mas apesar disso é possível encontrar os cadernos em espaços como a loja do Museu de Serralves. E, juntando vendas online, o país consome 10% dos artigos da marca.

“Os nossos clientes são designers, criativos, arquitetos, são pessoas que carregam consigo um caderno diariamente e sentem necessidade de ter um papel que os conforte durante a escrita. Apesar de ser um mercado de nicho, também temos uns clientes cá.”

No início de 2017, o projeto de Beatriz Barros e Ricardo Barbosa recebeu uma injeção de capital da Sinal Principal, dos investidores Paulo Cunha e Edgar Secca. “Foi fundamental. Passou de ser um negócio autossuficiente com algumas limitações para ser um negócio já com outra capacidade”, diz Barbosa.

Dos cinco produtos iniciais com que arrancou, a mishmash construiu um catálogo alargado de perto de 50 referências onde entram não só os artigos que vende nas lojas e online, mas também os produtos mishmade – estacionário produzido de raiz para clientes onde se incluem várias autarquias do norte do país, como Matosinhos, Braga, Gaia e Arouca.

No futuro, e não para já, a marca quer dar o salto dos cadernos para novos artigos. “Temos crescido bastante e já prototipámos alguns produtos dentro daquilo que é mobiliário e outro tipo de coisas. Já temos bem definido o caminho que queremos seguir nessas áreas, mas ainda não sentimos que está na altura de dar esse passo, que é um passo muito grande”.

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